Thor deprimido?

Thor, em Vingadores Ultimato, mostra a face oculta da depressão, a que as pessoas têm dificuldades em identificar, considerando que a ideia de depressão que popularmente temos é de que deprimido tem que se estar “jogado” em um quarto escuro chorando. Thor “quebra” esse padrão mostrando outra realidade. Ele está jogando videogame (talvez como uma fuga para não pensar no que lhe gera sofrimento), comendo algo gostoso e bebendo cerveja (soterrar de comida o sofrimento e afogar as mágoas no álcool). Mas a sua fala irritada ao telefone, o seu cabelo desajeitado, sem corte e a barba grande por fazer nos mostram um quadro de desleixo, de falta de cuidado pessoal, que são bastantes característicos da pessoa em depressão.

Quando se está deprimido, não sair de casa, comer exageradamente, ficar mais isolado, não querendo contato com o mundo externo, é bastante comum. Contudo, em algumas situações não podemos fazer isso. O trabalho não pode parar, os estudos nos esperam e então colocamos um sorriso no rosto e vamos ao encontro de nossas obrigações, mesmo que destroçados internamente.

O deprimido também sorri, também brinca, mas esconde dentro dele uma vontade enorme de não estar ali, de querer “sumir” e muitas vezes somos “invadidos” por um sentimento de desvalia, por não conseguir tolerar as frustrações que a vida nos traz.
E no caso de Thor, sua maior frustração foi a de que ele falhou. Por sua falha, metade do universo foi apagado. Thor foi destruído completamente, sofreu muito, mas, ainda assim, continuava digno. Digno de empunhar o Mjölnir, digno de continuar com sua vida e fazer o necessário para trazer todos de volta!

Ter depressão não nos torna menos dignos! Estar deprimido não é ser “preguiçoso”, “vadio”, não é “coisa da sua cabeça” ou “frescura”. É estar em um grande sofrimento psíquico, precisando muito de ajuda.

Essa ajuda se dá através da combinação de psicoterapia, realizada por psicólogos e psicofármacos (medicação) prescritos pelo médico psiquiatra. Essa combinação de tratamento geralmente traz resultados bastante satisfatórios no combate aos sintomas de depressão.

E o melhor é que a maioria dos convênios médicos já oferece esse serviço e quem não possui convênio conta com a alternativa das clínicas populares que oferecem consultas a valores acessíveis.

Não sofra sozinho! Busque ajuda!

  • Matilde Fuzinatto é Psicóloga Clínica

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *