Encontrar e acolher a si mesmo

O homem está sempre em busca de aperfeiçoamento. Procura assimilar novos conhecimentos, ampliar sua visão de mundo, bem como de si mesmo. Isto tem possibilidade cada vez mais termos alternativas, melhorar nossos comportamentos e performance pessoais ou profissionais. Desta forma, observamos que a cada dia temos novas opções para ampliar a visão de nós mesmos.

Autoconhecimento, ou conhecimento de si, em um sentido mais profundo, não é absorção de informações. Este processo tem a função primordial de nos movimentarmos para um saber próprio, de modo a proporcionar construções e desconstruções. Este conhecimento traz à luz questões que muitas vezes passam despercebidas (ou que não queremos admitir), visto que na maioria das vezes não desenvolvemos ainda muita intimidade conosco para alavancar nosso aprimoramento pessoal.

O autoconhecimento é um processo transformador, o maior investimento que podemos fazer por nós mesmos, pois quando nos conhecemos não reagimos impulsivamente aos nossos processos internos e à vida, mas desenvolvemos uma conexão consciente com nosso “eu” e com o mundo externo. Através deste processo, nos é permitido conhecer e trabalhar nossos conflitos e resistências, ou seja, as nossas sombras, bem como conhecer e desenvolver os nossos recursos, possibilidades e potencialidades, aumentando, desta forma, nossa autoestima, nos tornando mais fortes para encarar as adversidades da vida, gerando sentimento de autossatisfação, que é condição sine qua non para nossa felicidade e autorrealização profunda, o que é muito diferente do sentimento de euforia que o mundo nos oferece.

Em outras palavras, através do autoconhecimento “nos encontramos e nos acolhemos na unicidade e complexidade que nos é própria, para a partir deste ponto de partida ser oportunizada a conscientização e consciencialização dos conteúdos subjacentes aos nossos estados afetivos e emocionais”, para rever valores e crenças e consequentemente nos posicionarmos como pessoas ativas e responsáveis diante de nós e da vida.

Cada vez que procuramos novos formas de aprimoramento pessoal o mundo recebe e podemos melhorar nossa capacidade de nos relacionarmos conosco e com as demais pessoas. Tenho certeza que será útil. Aumentar a possibilidade de nos fazer feliz e florescer para a vida sempre nos proporcionará bem-estar e qualidade de vida.

  • Monica C. Ciongoli é Psicóloga e Coach

É preciso prestar atenção em tudo?

No final de semana passado, estava eu na casa de uma amiga e, para nossa surpresa, pouco havia para o café da manhã. Então, ela pegou tapioca e disse que faria a mesma com ovo. Perguntou se eu comia aquilo. Diante da minha negativa, disse-me que era super fácil e passou a explicar-me. Neste exato momento, eu me desliguei. Isso mesmo, parei de prestar atenção e apenas concordei com a cabeça a cada passo que era dado.

Eu gosto de comer, não de cozinhar. Detesto cozinhar. Aliás, não cozinho. Por isso, quando alguém começa a me detalhar como fazer pratos, por mais simples que sejam, eu simplesmente escuto sem gravar nada do que a pessoa fala. Mas por que estou escrevendo essas bobices? Por que estou dando esse exemplo tosco?

Nos dias atuais, as situações que nos levam ao limite são cada vez maiores. Elas ocorrem na família, nos relacionamentos amorosos e de amizade e, principalmente, no trabalho. Às vezes (ou em muitas vezes), é preciso desligar-se. É difícil fazer isso, eu sei. Levei anos para estar apto. No entanto, quando você aprende, é algo fantástico. A pessoa que está incomodando você, enchendo seu saco ou o xingando fica falando, e você consegue apenas balançar a cabeça e desligar-se.

Não estou dizendo que devemos ser alienados do mundo. Mas você já se perguntou: é preciso prestar atenção em tudo? Quando estão a lhe contar uma tragédia horrível, a qual já é passado, o que você poderá fazer a respeito disso? Se seu chefe (ou líder em poucos casos) está esbravejando, e você precisa do emprego, é legal prestar atenção em tudo que é dito, sendo que você não poderá xingá-lo?

Claro, há situações e situações. O que quero dizer é que, quanto mais você conseguir desligar-se de situações ruins, melhor será seu estado de espírito. Trata-se de não absorver tudo que lhe é passado, de ser capaz de filtrar informações e ações, de saber quando ficar ou não ligado, de dar uma trégua ao cérebro que, depois, em casa, deixará ou não você dormir.

Portanto, já sabem: desliguem-se de vez em quando. Sua paz de espírito agradecerá por isso.

A propósito, você se desligou para ler este projeto de texto? Espero que não!

  • Márnei Consul é Professor e Diretor de Cultura

Autossabotagem no trabalho

O que você quer ser quando crescer? Acho que você leva jeito para medicina, como seu pai! Como você é bom em matemática, deve fazer engenharia! Acho que não encontrei o trabalho certo ainda! O problema é que sempre tem um chefe que resolve atrapalhar meu trabalho, implicando comigo! Tem um colega que faz tudo o que eu faço, ele parece imitar meus passos!

Somos confrontados com o mundo do trabalho desde cedo, em função da importância do mesmo em nossa sociedade. Dessa forma desde crianças vamos explorando através das brincadeiras e jogos infantis por meio da imaginação, o que vamos ser quando crescermos. Primeiramente imitamos os pais ou pessoas próximas, já que estes são os exemplos que visualizamos de trabalho. No entanto, podemos ter sonhos grandiosos, assim como mudar de opinião milhares de vezes, até nossa escolha profissional.

O trabalho pode ser visto como uma maneira de ganhar a vida e sobreviver ou uma forma de crescimento e realização. Assim, qualquer que seja ele, enquanto escolha da pessoa ou não, esta vai interagir diretamente ou indiretamente com outros adultos, sejam eles chefes, colegas de trabalho, clientes. Independente da capacidade técnica e do prazer no trabalho, existe a possibilidade de surgirem conflitos no trabalho. Tal fato pode ter estar relacionado ao que aprendemos sobre trabalho e como lidar com os relacionamentos interpessoais.

Muitos de nós conhecemos pessoas brilhantes e que não se adaptam a um chefe ou não conseguem se entrosar com a equipe. A essa altura está claro que as experiências pessoais auxiliam na forma como nos relacionamos no trabalho. O chefe pode se tornar a imagem de um dos pais que tivemos mais dificuldade de interação na infância. O colega apresenta características semelhantes de um de nossos irmãos.

Nas relações no trabalho vivenciadas, as experiências já começam distorcidas pelas velhas relações anteriores que foram difíceis e mal resolvidas. As pessoas continuam agindo da mesma forma e trazendo para as relações de trabalho aquela forma de se relacionar em sua vida familiar.

Sim, levamos nossas experiências pessoais para o trabalho! Isso pode gerar tristeza, raiva, medo de assumir novos desafios, repetições de situações de trabalho em trabalho. É um sofrimento que parece se perpetuar. Trazer à consciência essas repetições e ver novas formas de elaborar tais questões representa uma excelente maneira de perceber e buscar novas formas de se relacionar. A psicoterapia auxiliar nesse processo de olhar para as histórias pessoais e entender as repetições no ambiente de trabalho, proporcionado ao sujeito uma compreensão mais saudável de sua forma de funcionar no mundo. Acredita-se, desse modo, que terapia, em muito possa contribuir com as novas ressignificações das relações pessoais do sujeito, possibilitando ao mesmo um novo olhar e posição frente aos conflitos relacionais que se apresentam.

Luciane Guisso, Giulianna Remor e Michele Puel são Psicólogas Clínicas

Texto e contexto

Ao se pensar sobre a essência de uma escritura, logo surgem especulações sobre suas fontes de inspiração. Quais os subsídios utilizados pela autoria para transgredir ideias na forma escrita. Num esboço assim, a cada página é possível entrever um novo viés de novidade. Tendo como ponto de partida uma vivência singular, algo mais se diz em vocabulário próprio.

Um texto narrativo indica suas origens através das palavras escolhidas para se contar. O discurso existencial se descreve ao preencher suas lacunas. Ao conhecer a luz do dia, essas ideias e sensações podem se emancipar de um jeito inédito.

É possível se reinventar na convivência com uma obra. Sua retórica, ao integrar texto e contexto, apresenta rotas até então desmerecidas a singularidade. As idas e vindas intelectivas do leitor ao personagem e do personagem ao leitor agregam saber, sabor e cor. Ao concluir-se uma redação ou uma leitura, pela contínua movimentação de seu meio, suas páginas reivindicam novos preenchimentos. Esse conteúdo, por seu inacabamento, favorece uma reapresentação do mundo.

Um sujeito assim constituído, ao reler determinadas páginas, pode avistar um estrangeiro em busca de tradução. A apreensão da escritura pela leitura agrega outros territórios, ampliando o conceito de realidade.

Em cada pessoa existe uma poética que aguarda seu momento de renascer. Ao resgatar sua circunstância de vida, é possível reagendar sua fonte de utopias. Um desses lugares onde o sonho e a vida lá fora se encontram para transcender impossibilidades.

Nesse sentido, a renovação da linguagem em cada sujeito denuncia um processo único. Com essa lógica de travessia a inspiração, quando não sufocada, aprecia traduzir seu dicionário de possíveis. Para acessar a situação pessoal de onde partiu, o entendimento de uma obra pode não bastar, é necessário compreendê-la em reciprocidade. Seus manuscritos reivindicam uma escuta visionária de seu dialeto.

A escrita e a leitura, enquanto ritual de autodescoberta, concede aos envolvidos uma emancipação dos seus horizontes existenciais. A literatura é um lugar para se integrar realidade e ficção, com isso convida a mergulhar numa pluralidade desconhecida de roteiros. Os relatos da singularidade apreciam a cumplicidade do leitor para reescrever sua história, concedendo um significado excepcional a este contar. Talvez ler e escrever rime com não morrer.

Hélio Strassburger é Filósofo Clínico

A mulher e os dilemas da maternidade

A maternidade não é uma simples fase da vida. É um dom divino, grandioso, concedido às mulheres para cocriação de um novo ser. Criar, gerar, estar junto, mostrar o que se considera certo ou errado, valores, princípios, cultura e educação são algumas responsabilidades da maternidade. E neste lugar de amor há também conflitos internos, com uma dúvida central: manter a vida profissional ou dedicar-se exclusivamente aos filhos.

As mães que escolhem por manterem suas carreiras no período inicial de suas maternidades não escolhem uma maneira mais simples de serem mães. Embora queiram e gostem muito de seus filhos, nem sempre todas as mulheres podem abrir mão do trabalho e de suas carreiras.

Venho refletindo sobre esse tema há algum tempo, visto que não é fácil o papel da mulher na sociedade hoje. A mulher que é mãe, especialmente, recebe uma sobrecarga em nosso dia a dia.

Ao contrário do que acontecia há alguns anos atrás, a mulher de hoje busca autorrealização, igualdade no ambiente de trabalho, realização profissional e ao mesmo tempo assume o papel de mãe, esposa, dona de casa e gerente e financiadora do lar. Segundo dados do IBGE, a maioria dos lares brasileiros hoje são providos por mulheres.

Faz-se necessário refletir como nós, mulheres, estamos nos enxergando neste contexto tão sobrecarregado de tarefas e atribuições e qual é o nosso verdadeiro papel nessa sociedade, ou melhor, o papel que queremos de fato desempenhar.

Penso realmente na educação, na cultura, no lazer, na qualidade de vida como um todo da mulher brasileira. Antes de ser mãe, tinha algo planejado, pré-estabelecido nos meus moldes, como e quando queria ter meus filhos, achava realmente que tudo poderia se encaixar perfeitamente e sem atropelos, e que todas as situações da vida poderiam ser programadas e agendadas. Errei ao pensar assim, ao pensar em família como algo formatado e que posso simplesmente programar. Quando nasceu o meu primeiro filho tive a oportunidade de ver o mundo de outra forma, mas especialmente quando ganhei a minha segunda filha entrei em colapso, colapso de ideias, colapso estruturalmente. Hoje tenho três filhos, e essas três crianças, as quais possuem personalidade e comportamentos diferentes, fizeram-me repensar o meu papel como mulher e mãe.

Critica-se muito a mulher que exerce o papel de dona de casa hoje em dia, ora porque não trabalha fora, ora porque é sustentada pelo marido e em geral há a crença de que a mulher que está em casa não trabalha e que a organização da casa é algo inferior ao trabalho mercantil. Entretanto, a mulher que exerce diversos papéis, inclusive o de mãe e provedora do sustento do lar, se vê em um contexto adoecedor de pressão social, com uma sobrecarga que tem gerado um desequilíbrio emocional da mulher e a afasta do que é melhor de fato para ela. Nesse quesito tem muita coisa a ser debatida e até absorvida num ambiente em que a mulher tem sido muitas coisas, com muitos papéis, mas tem esquecido muitas vezes o que é ser mulher, sua identidade feminina, e de se ver como mulher.

A responsabilidade do cuidado dos filhos também deveria ser mais compartilhada entre o casal. E inclusive o homem, que por séculos teve seu papel definido na sociedade como genitor, patriarca e provedor do lar, tem diante dessa era seu papel em xeque. Afinal, como devem ser vistos esses papéis e qual a solução diante desse conflito de papéis? Acredito que não há uma resposta única e nem uma resposta fácil. Porém, devemos cada vez mais nos perguntar o que queremos, como mulheres. Qual o resultado das minhas escolhas para eu mesma e para aqueles que amo? E ainda questionar se sou feliz com o que busco e se vale a pena buscar algo mais.

Juliana Soares Borba é Administradora e Coach

O mundo virtual e a solidão

O advento da internet, fenômeno de nosso tempo, abre espaço para inúmeras indagações. É a era da interface, dos relacionamentos virtuais, da rapidez, das redes sociais, dos contatos, dos relacionamentos fugazes, mas nem por isso tão fáceis assim. Paradoxalmente, com todo esse aparato e aparente facilidade, é a era também de uma enorme solidão, uma busca incessante por essa unidade perdida.

Surgem novas tecnologias, vários sites e aplicativos para todas as categorias de aproximação. Abre-se numa janela iluminada diante de olhos ávidos que procuram um mundo de oportunidades dos mais diversos tipos possíveis de encontros. Com base em um cadastro, cria-se um perfil e o primeiro contato vai ocorrer de forma virtual, protegidos em suas privacidades geográficas, no conforto de seus refúgios e entre telas de computador ou do smartphone.

É nesse ciberespaço que os desconhecidos dissertam sobre suas expectações e projetam em seus perfis ‘on line’ algo como sua expectativa idealizada. Isso ocorre por meio de fotos criteriosamente selecionadas e textos sobre aquilo que se é; que gostaria de ser; e que se acredita que o outro expecta. Nada mais humano do que querer ser amado.

No entanto, é preciso que haja encontro, uma ligação, uma conectividade para além das teclas do computador. E a partir disso que ambos queiram superar as dificuldades advindas de se fazer uma relação, que o choque com a realidade, formada de dois indivíduos que vieram de famílias e constituições distintas, se impõe.

Quando pensamos na forma de relações que os sujeitos fazem protegidos no mundo virtual observamos que há uma utilização de um espaço, nesse caso uma tela, entre ele e o outro. Nesse contexto, essa relação estaria sendo mediada por um computador. Buscar transformar o mundo desagradável e hostil e tentar ser mais feliz é também fantasiar, sem que possamos nos esquecer de que é na realidade que podemos de fato ser felizes. A internet poderia se configurar em um espaço lúdico onde o exercício da criatividade torna-se mais tolerável. O assunto relacionamento nunca sai de moda. Os riscos a serem seguidos ao assumir um compromisso parece ser central da atualidade. Ansiedade de viver junto e também de viver separado parece ser uma equação que não fecha.

Com a utilização da internet, das formas tecnológicas de relacionamento e a rapidez de informações, torna-se mais simples se conectar e mais fácil ainda desconectar. Se não gosta, ou algo incomoda, é só apertar a tecla ‘deletar (apagar)’ e desligar a máquina. As tecnologias são novas, mas os seres humanos continuam sendo humanos e isto quer dizer que possuem sentimentos e emoções. A modernidade da tecnologia pode ser um facilitador, um recurso para aproximar, desde que os seres humanos não se esqueçam de que são humanos, dotados de seu mundo interno repleto de significados, sentimentos e emoções e necessidade de afeto.

O papel de estabelecer laços é feito no exercício diário do próprio relacionar-se. Todo individuo é marcado pelo desamparo primordial e pela falta do objeto para sempre perdido. A solidão tem suas raízes nos primórdios da vida psíquica, mas não tem o sentido de estar só e sim de se sentir ‘mal acompanhado’ do ponto de vista interno, como se carregasse dentro de si mesmo uma sensação ruim. Até porque não é possível estar acompanhado de outra pessoa todo o tempo. É preciso de algum modo se suportar emocionalmente. Parece clichê, mas é de fato importante se conhecer e ter um bom relacionamento consigo próprio primeiro para facilitar o relacionamento com o outro.

Afinal, o vazio é comum a todos os sujeitos; sempre falta alguma coisa. Buscar compreender como cada um lida com a falta e com a própria solidão são os primeiros desafios colocados para se relacionar a dois.
A tecnologia nos favorece, mas não substitui aquele abraço afetuoso, aquelas palavras na hora certa, ou aquele beijo carinhoso. Fatores humanos como intimidade, afeto e interação continuam sendo ‘coisa’ de gente.

  • Renata Bento é Psicóloga

Melhore sua autoeficácia

Você tem a tendência de ver o copo meio cheio ou meio vazio? Sabe aquela reunião de feedback com o chefe que a gente sai e fica o tempo todo pensando naquele único item de ‘ponto a melhorar’ que foi dito? E aquela prova cuja nota acabamos de receber e corremos para ver o que fizemos de errado? Se você se enxerga nesta lista de situações, a reflexão a seguir vai lhe ajudar.

Vivemos numa sociedade que nos cobra a melhorar nossos pontos fracos, como se isso nos levasse à excelência. Há quem diga que a consciência de nossas fraquezas é a chave para uma boa performance. O resultado disso é um volume enorme de pessoas desmotivadas, sem energia e totalmente insatisfeitas. Por conta disso, surgiram muitas teorias, como a Psicologia Positiva, Investigação Apreciativa e a Teoria da Autoeficácia, como maneiras diferentes de entender a relação entre comportamento, desempenho e crenças pessoais.

A Teoria da Autoeficácia diz que a maneira como enxergamos nossas habilidades determina como iremos nos comportar. Ou seja, somos agentes das circunstâncias de nossas vidas e não somente produtos delas. Mas o que isso quer dizer na prática? Simples: Na maioria das vezes, as crenças que temos sobre nós mesmos não são acuradas, tampouco assertivas e quando estamos diante de circunstâncias onde isto é posto em prova, tendemos a focar nos nossos erros e aspectos negativos, pois assim fomos treinados, lembra?

Considerando que estas crenças são a base da motivação, bem-estar e do senso de realização, podemos afirmar que muitas de nossas dificuldades de relações interpessoais e problemas de desempenho no trabalho, por exemplo, têm origem a partir de distorções cognitivas que criamos a respeito de nós mesmos. É neste aspecto que entra um ponto chave para a mudança dessa crença limitante: o autoconhecimento. Tendo em vista que só mudamos aquilo que (re)conhecemos, a autoconsciência constitui-se fator primordial para o exercício pleno da autoeficácia.

Como a autoeficácia não é um traço, que uns possuem e outros não, isso significa que todos nós temos a capacidade de influenciar nosso funcionamento interno, modificar e criar o nosso entorno, independente do que vivenciamos ou aprendemos no passado.

Dr. Albert Bandura, professor de psicologia social da Universidade de Stanford, afirma que existem quatro maneiras de desenvolvermos crenças pessoais positivas e aumentar nossa autoeficácia. A primeira delas é quando conseguimos atingir metas. Alcançar determinados objetivos na vida nos faz desenvolver autoconfiança, o que afeta diretamente nossas crenças pessoais acerca daquilo que somos capazes de atingir e realizar. Quando esta experiência é positiva, temos uma sensação prazerosa de autorrealização, ao passo que quando falhamos ao atingir determinadas metas enfraquecemos a nossa autoeficácia.

Outra maneira de desenvolver a autoeficácia é através do que Dr. Albert chama de Experiências Vicárias. Segundo ele, buscamos referências de comportamento em pessoas com as quais nos identificamos e que nos inspiram. Observamos como agem e se comportam, sobretudo em situações desafiadoras, e tendemos a imitá-las. À medida que somos bem-sucedidos neste processo, automaticamente nos sentimos motivados e isso reforça nossa crença de que também somos capazes de agir de determinado modo.

A terceira maneira de desenvolver a autoeficácia é por meio da Persuasão Social. Quando recebemos feedback construtivo de pessoas, isto nos faz sentir encorajados e confiantes a respeito de nossas capacidades.

Por fim, a quarta maneira de desenvolver a autoeficácia está relacionada ao nosso estado fisiológico e emocional, que exerce um papel extremamente importante na maneira como interpretamos nossas habilidades pessoais. A ansiedade, por exemplo, pode aumentar a insegurança causando um impacto negativo na autoeficácia. Por isso a relevância em se buscar equilíbrio nas emoções de modo assertivo a fim de mitigar o estresse, melhorar o humor e desenvolver a autoconfiança.

  • Eliana Totti é Psicóloga

Amigos, amigos; negócios à parte?

Sempre me causou dúvidas a premissa de que amizade e negócios têm regras próprias e que não devem se misturar. Amigos, amigos, negócios à parte? O que isso significa, exatamente?

Na minha vida, sempre que ouvi a expressão ela estava relacionada a uma advertência de que não devemos ser condescendentes, benevolentes, pacientes e tantas outras “virtudes passivas” no trato com amigos e conhecidos, quando se tratava de obter lucro e fazer crescer nossas empresas. Oras, se em meu trabalho eu não for bacana com os meus amigos, com quem serei então?

Sempre optei em facilitar as coisas para pessoas próximas. Não seria essa colaboração a base para o que de fato é, em essência, uma parceria? Às vezes um pequeno desvio na regra (uma parcela a mais para pagar, um desconto um pouco maior do que a tabela apresenta, um horário diferenciado para atendimento, ou até mesmo a não cobrança) pode fazer toda diferença para o amigo. Para o negócio é um ganho? Nem sempre. Mas será que só se trata de finanças?

Precisamos repensar a maneira como fazemos negócios. Às vezes me parece, observando alguns mantras do mundo corporativo, que se trata de uma grande arena, somente com predadores, e que não importa se o oponente é um amigo, um conhecido, ou um completo estranho – mate, devore, acabe com ele! Não se estranha, portanto, aquilo que se convencionou chamar de ‘puxada de tapete’, muito embora possa causar revolta em quem sofre e uma certa satisfação em quem pratica. Há, inclusive, quem não se importe de se apropriar de clientes de parceiros… “É do jogo” – dizem.

Mas que jogo é este? E quem se propõe a jogá-lo?

É o jogo do sucesso a qualquer preço, dos fins que justificam os meios. Tem sua lógica? Tem. Teu seu valor? Provavelmente. É nele que você quer jogar? É uma escolha.

Pessoalmente, tenho observado nos últimos tempos uma nova postura emergir nos negócios, principalmente em setores que lidam com criatividade, inovação e com preocupação ambiental, social, cultural. Ancoradas na colaboração, essas empresas crescem a cada parceria, a cada união, compensando fragilidades umas das outras e se fortalecendo em seus aspectos positivos. O resultado? Mais e melhores soluções para o cliente, que é a fonte do lucro, por sua vez mais e melhor distribuído e portanto gerador de riqueza para mais negócios. No longo prazo, é minha aposta, é o tipo de negócio que sobreviverá.

Amigos, amigos, negócios à parte? Mesmo?

  • Sandra Veroneze é jornalista e filósofa clínica

Normas para Publicação de Artigos

REVISTA SABER-SE
Site: www.saber-se.com
Editora: Sandra Veroneze
E-mail: Sandra.veroneze@pragmatha.com.br
São Paulo | São Paulo

Orientações gerais para Colaboradores

A Revista Saber-se publica textos argumentativos sobre comportamento humano e aceita contribuições de especialistas e autores de outras áreas dispostos a compartilhar seus conhecimentos e experiências que contribuam para o autoconhecimento.

Título (e subtítulo se houver):

  • Máximo de 10 palavras;
  • Em negrito;
  • Primeira letra em maiúscula;

Autoria

  • Informar no início do artigo, abaixo do título;
  • Nome por extenso;
  • Informar profissão, cidade, estado, país, e-mail e whatsapp;
    Sandra Veroneze – Jornalista e Filósofa Clínica, São Paulo/SP, Brasil, sandra.veroneze@pragmatha.com.br, xx xxxx xxxx.

Artigo

  • Em língua portuguesa;
  • Máximo 3.000 caracteres, com espaço;
  • Palavras-chave (mínimo 3 e máximo 5);
  • Fonte: Calibri ou Times New Roman;
  • Tamanho da fonte: 12;
  • Espaçamento simples;

Eixos editoriais

  • Conhecer-se;
  • Superar-se;
  • Governar-se;
  • Esquecer-se (visão coletiva);
  • Realizar-se.

Observações:

  • Não é necessário que o artigo seja inédito;
  • Entregas até o dia 28 de cada mês.
  • O artigo ficará disponível para leitura no link www.saber-se.com/artigos e também no formato PDF para folhear

Modelo de como os artigos são publicados: