Transformações fazem parte da vida

[fb_button]

Antes mesmo de iniciar a vida como a conhecemos passamos por muitas transformações. A partir da concepção tanto mãe quanto bebê passam por muitas fases, e assim a vida se inicia. Cada evolução envolve uma perda, mas traz uma nova fase, novos ganhos. Ao iniciarmos a alimentação sólida “perdemos o peito” e ao mesmo tempo ganhamos um mundo de prazeres. A liberdade dos primeiros passos acarreta a “perda” do colo, mas em contrapartida inicia-se a independência; a menstruação finaliza a infância, mas abre um mundo de possibilidades.

As mudanças de algumas fases são tão naturais que, muitas vezes, nem são percebidas como mudanças, mas sim como fases inevitáveis e por vezes muito esperadas. Alguns problemas podem começar quando ocorrem mudanças repentinas, aquelas que pegam de surpresa, que são impostas pela vida ou pela morte. Mas mesmo situações consideradas positivas, como por exemplo casamento, nascimento de filhos, promoção de cargo, podem acarretar alguns desconfortos. Tornar-se mãe, ao mesmo tempo que pode ser realizador, também pode ser traumático. Por um lado se tem a realização da maternidade, do amor incondicional, por outro lado inicia-se uma fase de muita doação, muitas vezes seguida de perda da identidade pessoal.

Se mudanças positivas podem acarretar desconfortos e conflitos, as negativas, como falecimento, perda de emprego, divórcios, podem ser ainda piores, isto porque muitas vezes ocorrem inesperadamente e trazem mudanças para as quais a pessoa não estava preparada. Com o falecimento de um ente querido, além de se conviver com a dor da ausência, muitas vezes ainda é necessário aprender a resolver questões que só o falecido resolvia, como pagamento de contas, trabalho e outros.

É importante salientar que momentos de grandes rupturas, de grandes mudanças, podem se tornar oportunidades de amadurecimento e, mais do que isto, de autoconhecimento, de viradas positivas. A perda de um emprego pode se tornar a oportunidade para montar o próprio negócio, ou para entrar em uma nova área, mais leve, mais feliz. Infelizmente, não raro, no cerne da ruptura as pessoas não têm noção do crescimento que poderá vir a partir desta situação, apenas visualizam um grande sofrimento.

De formas distintas todos passam por momentos de transformações e de rompimentos, sejam de pessoas, de situações, de atitudes escolhidas ou impostas. O ajustamento às novas situações depende muito da capacidade de resiliência de cada um (capacidade de se adaptar às mudanças), o que pode ser paralisante e um grande sofrimento para uns, para outros pode ser tranquilo se adaptar e seguir sem grandes traumas.

Não há como prever certas situações desconcertantes que ocorrem ao longo de uma vida, portanto não há uma única forma de lidar com as rupturas. Também é preciso entender que não vivemos um processo estático; ao contrário, a vida é movimento. Logo, se algo se transformou em uma situação muito ruim, a maioria das vezes é possível pensar em novas possibilidades, traçar saídas, correr riscos, analisar perdas e ganhos de cada ruptura. Não existem situações que são apenas de perdas, assim como não existem situações que são só ganhos. O importante, seja qual for o ponto de virada, é que se analise o que tem de positivo e de negativo naquela situação, que haja a tentativa de se traçar algumas possíveis soluções, prevendo na medida do possível as consequências de cada uma e a partir daí tomar uma decisão em direção à resolução do conflito, ou seja, o importante é que não se paralise dando espaço apenas ao sofrimento. Saliento que algumas rupturas são muito difíceis de lidar sozinho. É preciso atentar aos próprios limites e procurar ajuda psicológica sempre que necessário.

Por Eliana Alves Lima, psicóloga clínica

Pontos de virada: Quando a única alternativa é seguir em frente. Leia mais

 

Um adulto arrisca sabendo que pode ganhar ou perder

[fb_button]

Lidar com o novo nunca é fácil, ainda mais quando esta novidade não fazia parte do seu planejamento de vida. O sentimento de vulnerabilidade se torna presente e no primeiro momento há a sensação de que estamos completamente perdidos.

Situações que podem ocorrer inesperadamente, como por exemplo mudar de pais, sair da casa dos pais ou até mesmo a morte de alguém próximo nos faz refletir o quanto não somos preparados para o momento surpresa.

Cada pessoa reage de uma forma diferente a momentos aleatórios a nossas vidas, porém o que todos têm em comum é a capacidade de reagir e buscar soluções para o problema. Somos capazes de nos adaptar ao novo, pois tudo é a forma como olhamos para a situação. O problema existe, mas se o foco ficar somente no problema deixamos de perceber as possíveis soluções.

Não existe fórmula mágica, mas todo acontecimento inesperado nos traz amadurecimento e reflexão sobre como estamos vivendo as nossas vidas.

O que eu busco? Que expectativa eu tenho? Como estou vivendo? Todas essas dúvidas aparecem quando o momento surpresa chega. Ao se questionar, veja o que o novo pode oferecer. Sair da casa dos pais pode ser difícil no início, mas a independência é uma sensação fantástica! Saber administrar a própria vida é estar na fase adulta e a viver com plenitude.

Morar em outro país tem sempre ganhos positivos, como por exemplo: falar outro idioma, conviver com outra cultura, conhecer outras cidades… Nós fazemos o local e não o contrário; veja os pontos positivos em estar lá. Perder alguém de forma inesperada é sempre um luto difícil, porém nos faz refletir em como estamos tratando quem está perto de nós, quem amamos e nem sempre dizemos…

Olhe para a frente do hoje para o amanhã e não se prenda ao passado! Você é fruto do comportamento e sua atitude frente à resolução dos problemas só trará maturidade e equilíbrio emocional. Não tenha medo de arriscar. Um adulto arrisca sabendo que pode ganhar ou perder, mas se ele não tentar nunca saberá!

“Não considere nenhuma prática como imutável. Mude e esteja pronto a mudar novamente. Não aceite verdade eterna. Experimente” (Skinner)

“Aquele que olha para fora sonha. Mas o que olha para dentro acorda” (C.G. Jung)

Raquel Freitas – neuropsicóloga

Pontos de virada: Quando a única alternativa é seguir em frente. Leia mais

 

Viver é um risco constante

[fb_button]

Quando penso em “ponto de virada”, logo imagino situações que “desestabilizam” emocionalmente a vida do sujeito como um todo, seja algo planejado (uma viagem para outro país com outra cultura) ou não (um acidente com sequelas, términos amorosos, morte de um ente querido, ficar desempregado, assalto, sequestro, surto psicológico e tragédias naturais). Vou debruçar-me de forma generalizada sobre as questões não planejadas, repentinas.

Cada sujeito, de alguma forma ou de outra, e em níveis de intensidades diferentes, irá lidar com alguma situação de desestabilização emocional no decorrer da sua vida, seja por alguma “situação surpresa” que venha do meio externo, interno ou ambos. Alguns irão processar a situação de forma positiva (menos caótica) e outros nem tanto. As pessoas que superam certos traumas sofridos e logo retomam as suas vidas sem grandes prejuízos emocionais possuem maior poder de resiliência. A resiliência é a capacidade que o sujeito tem de superar eventos estressantes, em enfrentar qualquer adversidade que gere algum tipo de mal-estar físico e psicológico, sem ser consumido pela dor e sofrimento que a situação traumática traz consigo. O sujeito resiliente “sacode a poeira e dá volta por cima”, independente do trauma e suas consequências. Por outro lado, as pessoas menos resilientes precisam de maiores cuidados multiprofissionais, principalmente em saúde mental, o que geralmente inclui o apoio dos familiares e amigos queridos.

Por fim, os “pontos de viradas” podem ser diversos e ter consequência múltiplas. De repente, num “piscar de olhos”, tudo pode virar de “cabeça para baixo”. O ser humano não pode desconsiderar a possibilidade da eventualidade, do inesperado, pois ainda não há como prever o futuro e suas consequências. A vida não é um caminho linear e sim um caminho tortuoso repleto de surpresas. Talvez ter consciência de que viver é um risco constante, quem sabe pode preparar a mente, de alguma maneira, a lidar com situações imprevistas.

Eduardo L C Moreira, psicólogo

Pontos de virada: Quando a única alternativa é seguir em frente. Leia mais