Sentido da vida está relacionado aos períodos de ócio

[fb_button]

Hoje em dia tem aumentado o número de profissionais com uma grande necessidade de dar sentido aos seus trabalhos e às suas vidas. Normalmente, vivem um dia a dia cheio de tarefas, obrigações e responsabilidades, tanto profissionais quanto familiares. Recusam-se a parar, porque nossa sociedade os obriga a produzir, ter, possuir e acumular mais e mais. Quando empregados, qualquer tempo livre é sinônimo de falta de compromisso com a empresa ou com o negócio que esteja realizando. Quando em transição de carreira, sentem uma enorme obrigação de arranjarem alguma atividade rapidamente. No entanto, dentro de seus íntimos, sentem um desejo de fazer algo diferente, encontrar mais alegria nas suas tarefas e viver uma vida com mais sentido. Esse desejo de dar mais sentido às suas vidas pode ser alcançado com uma profunda reflexão e com a escuta das próprias vontades. É aqui que entra o ócio, o não fazer nada, apenas relaxar e curtir o estado de inércia física ou intelectual. O professor e sociólogo italiano Domenico de Masi, na década de 90, em seu livro “O Ócio Criativo”, demonstrou que a realização pessoal e o sentimento de alegria aumentam a criatividade e o potencial imaginativo, fazendo com que o indivíduo pense diferente, crie novas possibilidades, desenvolva um produto ou uma ideia nova. Nesse período de ócio, a pessoa encontra mais sentido.

Eu acredito que as pessoas felizes consigo mesmas são aquelas que amam o que fazem, se orgulham de suas trajetórias profissionais e de vida, e respeitam seus limites e vontades. Sendo assim, nesses contatos com o não fazer nada, as próprias competências se fortalecem, outras são adquiridas e a gente cresce. Para entender o que faz sentido, é necessário mergulhar no mais profundo eu, conhecer-se e, dentro do coração, entender quais são os valores, crenças, necessidades, perspectivas e significados. Só quem realmente se conhece é capaz de reconhecer o verdadeiro legado que  quer deixar para sua família, amigos, colegas e para a humanidade. Carolina Mirabeli, psicóloga. 

Ócio sem culpa. Leia mais aqui

Nego o ócio, meu neg-ócio é trabalhar!

[fb_button]

 

São cinco horas da manhã, meu celular tocou, posso dormir mais 15 minutos, penso. Já institucionalizei em minha vida o meu tempo de displicência. Ócio, nem me fale nisso, meu negócio não permite. Estou num ritmo ascendente, mas meu corpo parece não querer concordar. Mesmo institucionalizada, minha displicência pede mais um pouco de relapsidade.
Quando os romanos diziam ócio ou otium, não queriam dizer o mesmo que Domenico de Masi, diziam da atividade intelectual. Quando o negavam, nec-otium ou negócio, diziam da atividade de subsistência da sociedade. Apesar de a palavra ócio estar no conceito de Masi, a criatividade que a adjetiva não deixa margem de dúvida. Ele também tentou institucionalizar o ócio.
As sociedades pós-industriais lidam de modo bem diferente com o ócio. Desde que a preguiça se tornou pecado capital, e o capital tornou-se o Senhor dos homens, o ócio que era praticado em praças, nas ágoras e nos espaços públicos, passou a ser arrolado entre as ocupações e profissões que são aprendidas e regulamentadas nas faculdades e universidades. Necessidade de controle, administração do tempo, aproveitamento do tempo, estrangulamento do tempo, falta de tempo, do tempo livre de ser eu.
Por dois aspectos é preciso refletir sobre esse tempo. Tempo que se não for dado, será subtraído. Nós somos nesse tempo ocupado bem menos do que no tempo que escapa. O lapso, relapso, de sono que meu corpo pede logo cedo e que não dou, se não dou, me submete em um sintoma. Porque eu sou assim, mais no sintoma do que do que onde não sinto, me toma – sintoma, que na sociedade contemporânea funciona como a confissão que absolve o preguiçoso. A depressão, o pânico e suas síndromes. As crises de ansiedade e as agorafobias, agora fobias, descritas nos indexes, DSMs e CIDs. São a licença que temos do Senhor capital para não trabalharmos, para espreguiçarmos, absolvidos pelo sacerdote psi que me oferece suas hóstias sagradas e tarjadas, rivotrilizadas e sertralinadas, lisas, deglutíveis e encapsuladas.
Hoje, mais que ontem, me permito o lapso e procuro entendê-lo como uma mensagem de mim para mim mesmo, me dizendo algo que não sinto mas que me toma. E aprendi a confiar nesse mim mesmo, tão mais eu, que me protege, que me expande, que me aumenta e me redime. Me permito não ser tão escravo da obsessiva necessidade de estar ocupado com algo útil, que de tão utilizado se torna inútil, efêmero, supérfluo. Coisas das quais vou me desapegando. Perder o controle tem me tornado mais autor de mim, menos escravo, menos culpado, menos assujeitado.  Eduardo Antonio Medeiros Souza, psicólogo

Ócio sem culpa. Leia mais aqui

Ócio criativo: possibilidade de ressignificação da vida

[fb_button]

Vivemos num tempo onde é primordial não se perder tempo! Ser produtivo, pró-ativo, dinâmico e workaholic é sinônimo de status e competência numa sociedade embasada nas forças do capitalismo e da produção em massa.

Fruto da pós-modernidade, a Síndrome de Bournot, caracterizada pelo esgotamento mental em virtude do excesso de trabalho, tem ocupado um lugar significativo no ranking de queixas dos consultórios de medicina do trabalho, psiquiatria e psicologia, além de outras queixas comuns ligadas ao sentimento de vazio emocional, falta de sentido da vida, que vem acompanhado por crises de ansiedade, perda da qualidade do sono, sentimentos de angústia e ideias depressivas.

Estar só e gostar de estar só não se encaixa no mundo conectado e em rede que estamos vivendo. Não podemos ficar off nunca, pois se ficamos temos a sensação que perdemos alguma coisa.

O descanso, a quietude, a reflexão, o silêncio, a observação da vida e o ócio passaram a ter significados pejorativos e desqualificantes – pois o importante é estar conectado, não perder oportunidades e ganhar dinheiro! Ou seja, viver transformou-se numa oportunidade de negócio rentável. As relações devem ser lucrativas e destituídas de um alimento pessoal que nutre a alma.

Mas nem sempre foi assim. Na Paris do Século XIX nascia a figura do flâneur, que pode ser definido por aquele que praticam a flânerie como passeios sem rumo pela cidade, descanso nos bancos das praças, caminhadas por prazer, observação das construções, em busca de novas emoções e encontros vivos consigo mesmo, e com o que a cidade lhe oferece. O flâneur tem a cidade como ressignificante da vida e construtora de sua subjetividade, pois permite observar e ser observado, sem a necessidade obrigatória de se produzir nada. Apenas sentir.

Nos dia de hoje, podemos dizer que o flâneur de Paris do Século XIX se assemelha ao conceito pós-moderno de ócio criativo, uma contra-força necessária para o não adoecimento do homem do Século XIX.

Sendo assim, é nesta aparente inatividade que sensações e emoções fazem brotar novas ideias, novas subjetivações, e novas ressignificações da vida.

 

Daniele Passos, psicóloga clínica

Ócio sem culpa. Leia mais aqui

Necessitamos de um tempo para nós

[fb_button]

Nossa atualidade está repleta de possibilidades, no sentido de maior acesso às informações e à construção do conhecimento. No entanto, em uma sociedade marcada por excessos e cobrança na rapidez, o ócio, antes tido como momento de contemplação e valorização da subjetividade, coloca o tempo livre como sinônimo de algo não producente ou como tempo desperdiçado – fator que pode desenvolver no sujeito angústia, culpa, ansiedade ou até mesmo uma depressão por não estar produzindo o que se espera. Um exemplo pela busca frenética em querer ocupar a todo custo o tempo são os pais que querem colocar o filho em todas as atividades possíveis (e impossíveis) para preencher o tempo da criança. Essa criança fica sem a oportunidade para o mais importante, tempo para si. Assim, o ócio seria aquele momento em que se pode ocupar-se de algo desejado, resultado da livre escolha, como passear, estudar, brincar, pensar, namorar… Desses momentos poderão surgir as maiores criações, como uma bela música, um novo jeito de brincar, uma nova forma de ser ou mesmo se reinventar. Enfim, necessitamos de tempo para nós, para o que gostamos e apreciamos. Isso faz parte da saúde como um todo.  Carlos Donizetti de Souza Júnior, psicólogo.

Ócio sem culpa. Leia mais aqui.

Permitir-se um momento de ócio é um ato de rebeldia

[fb_button]

Escrever sobre ócio é lançar luz sobre o próprio processo de escrita sobre o ócio. Para escrever algo, é necessário parar. Mais que isso: não basta parar o corpo em uma cadeira e as mãos sobre o teclado, é preciso parar o pensamento em cima de um tema e continuar ali, por um tempo, olhando para ele. É preciso fazer silêncio na sala onde você vai se concentrar para escrever, mas também tem que haver silêncio na sua cabeça. Parar o corpo às vezes não é tão difícil, principalmente depois de um dia de trabalho, seja fora ou dentro de casa. Mas brecar os pensamentos… isso é quase uma arte.

Para escrever esse texto sobre ócio, precisei de vários momentos de “não fazer nada”. Entre aspas, porque nunca se faz exatamente nada. Se você existe, está fazendo alguma coisa. E o ócio é alguma coisa. Você pode não entender o que o Bauman* quis dizer com ‘tempo líquido’, mas em qualquer conversa entre vizinhos no elevador ou no almoço em família falamos muito convictos que as coisas estão mudando muito rápido e o tempo parece estar acelerado. Essa sensação não surge à toa: estamos mesmo muito, mas muito ocupados. Precisamos fazer, precisamos saber, precisamos ter visto todos os memes da semana, precisamos conhecer todas as piadas de whatsapp, saber dos porquês de todas as manifestações que acontecem na avenida Paulista, precisamos entregar aquele relatório, precisamos comprar leite, precisamos… Ficar “sem fazer nada” (vou usar as aspas até convencer você de que não existe fazer nada, tá?), nesse mundo onde reina o “tem que” é quase uma heresia. Como assim você ficou sem redes sociais? Sem assistir TV? Sem fazer academia no seu tempo livre? Ficar “sem fazer nada” é na verdade ficar sem fazer apenas uma coisa: é ficar sem se cobrar de fazer alguma outra coisa que não seja se acalmar e desacelerar.

Permitir-se um momento de ócio é um ato de rebeldia. É uma revolução interna. Permitir-se deitar na grama de um parque num domingo e ficar olhando para as nuvens para ver que formato têm é quase uma ofensa. A quem? Uma ofensa ao modo de vida que levamos, rápido, intenso, tem que, tem que, tem que… Mas tem que parar também. Tem que brecar essa bicicleta que desce sem freio ladeira abaixo. Tem que dizer para si mesmo que não tem que nada. Que eu posso ser dono ou dona do meu tempo e usá-lo como eu quiser. Até com o ócio. Que eu posso ficar pensando na vida, que eu posso pegar álbuns de fotos e ficar horas olhando e lembrando. Isso não é “nada”, é muita coisa. Você vai ver o tanto de pensamento e de sentimento que vai aparecer. Alguém vai dizer que você está ali há um tempão “fazendo nada”. Mas aí você vai sorrir por dentro porque você já vai ter entendido que não existe esse negócio de não fazer nada, que sempre estamos fazendo alguma coisa, nem que seja descansando, dormindo ou tendo um momento de ócio puro.

Exercitar o ócio é exercitar o domínio sobre o que você faz com o seu tempo, mas também é preparar a terra para que ideias brotem. Quando paramos o corpo e aquietamos a mente, começamos a processar as informações. Limpamos a mesa de trabalho para poder trabalhar, lavamos a louça e a pia para poder cozinhar. O mesmo acontece com o processo criativo. É preciso ter espaço livre para que as ideias possam ser vistas, é preciso ter silêncio mental para ouvi-las. É preciso tempo para que elas tomem forma, para que você anote, coloque aquela ideia à prova… Alguém vai argumentar que precisamos de estímulo para que as ideias surjam. É verdade! Como a planta precisa de água! Mas estímulo demais afoga a ideia. É preciso cuidar da ideia. Podar. Colocar mais estímulos. Deixar ela quietinha um tempo. Voltar depois.

Foi assim com esse texto. Pensei nele tomando banho, enquanto lavava louça, enquanto estava no ponto de ônibus “fazendo nada” (já posso deixar as aspas de lado?). Anotei algumas coisas. Esqueci do texto por um tempo, enquanto estava descendo a ladeira dos compromissos. Percebi que precisava brecar de novo e ignorei redes sociais por uns dias. O silêncio foi chegando. Reguei as plantas da casa e as ideias foram voltando. Varri a sala. Deitei no sofá. Li algumas páginas de um livro, escrevi um pouco. Trabalhei bastante, cansei muito, me inundei de informação. Dormi. Lavei a louça, arrumei a casa, abri espaço na mesa e sentei. Pronto: as ideias já estavam brotando. Agora é só colher. Sem culpa por ter desacelerado, sem medo de perder o bonde da vida. E quando alguém me perguntar o que eu fiquei fazendo hoje a manhã toda eu posso responder que estava super ocupada escrevendo um texto ou posso simplesmente responder, sorrindo por dentro: NADA. E sem aspas.

*Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, autor de Modernidade Líquida e de Tempos Líquidos, entre muitos outros títulos.

Ana Paula Hermoso Lopes, psicóloga

Ócio sem culpa. Leia mais aqui

Sua disponibilidade para o ócio criativo diz muito sobre você

[fb_button]

Muitas pessoas dizem que dormir é perda de tempo. Que são tantas as atividades que querem realizar em um dia, que o sono as impede de fazer tudo que desejam. Quando avaliamos mais de perto esse pensamento, nos deparamos com dois paradoxos. O primeiro é que o sono é fundamental para a saúde e, portanto, se não dormimos, em algum momento o corpo para. O cérebro precisa do sono para organizar as informações do dia. O segundo paradoxo ocorre quando as pessoas param para avaliar como elas têm ocupado seu tempo. Deparam-se com a realidade de que o problema não é tanto a falta de tempo, como a forma como o tem ocupado. Algo semelhante ocorre com o ócio criativo. São tantas as tarefas, as metas, os compromissos, que as pessoas não acreditam que têm o direito de simplesmente não fazer nada. Se dormir parece um problema, imagina ocupar um tempo livre do dia para “nada”?! Porém, assim como neurologicamente precisamos dormir para organizar as informações do dia, o ócio também tem sua função neurológica. Segundo o neurocientista Andrew Smart, o ócio criativo ativa uma rede neuronal que nos permite maior conexão com a criatividade, com as emoções e com o inconsciente. Permite-nos estarmos mais conectados com nossos propósitos, valores e objetivos de vida. Quando não fazemos nada, nossa percepção de nós mesmos emerge na superfície. É enquanto não fazemos nada que percebemos o quanto estamos satisfeitos com as nossas vidas (ou não). O quanto estamos no caminho que escolhemos (ou não). O quanto amamos as pessoas que estão ao nosso lado (ou não). Como estamos conseguindo mudar o que nos desagrada (ou não). É verdade que nem sempre esse contato consigo mesmo será prazeroso, mas com certeza é um espaço para cuidar de si e da sua saúde mental. O primeiro passo para o desenvolvimento de melhor bem-estar é dar-se espaço para encarar as próprias forças e fraquezas. E é a partir desse auto(re)conhecimento que saberemos se somos capazes de seguir em frente com segurança ou se estamos precisando de ajuda. Tatiana Spalding Perez, psicóloga

Ócio sem culpa. Leia mais aqui

E você, permite-se exercer seu ócio criativo?

[fb_button]

Por que será que é difícil aceitar o que Kalina Christoff publicou na revista científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), de que o cérebro está bem mais ativo durante o devaneio do que se imaginava? A pesquisa comparou esse estado a um momento de raciocínio lógico. Ou seja, mesmo num ritmo menos acelerado, o cérebro está criando. Isso significa que distração e a diversão não são coisas de gente preguiçosa ou folgada. É também um caminho para ter boas ideias, manter a saúde e resolver problemas. Percebo que cada vez mais as pessoas vivenciam uma rotina automática. Não buscam um equilíbrio entre a agitação do dia a dia e horas de serenidade e até de devaneio. Para a psicanálise, o devaneio durante o dia ou os sonhos durante a noite podem trazer traços do nosso inconsciente, revelando desejos. Após uma interpretação desses traços muito pode ser revelado sobre o sujeito do sonho.
Cada ser humano, por meio do ócio criativo, poderá ter a chance de aproximar-se de sua subjetividade e ter muito mais qualidade de vida. A partir do momento em que a escolha é por sair da rotina de fazer o que todos fazem e buscar a criatividade e os diferenciais de cada ser humano, a pessoa possui a chance de evoluir emocionalmente. E você, permite-se exercer seu ócio criativo? Priscila Junqueira – Psicóloga e Sexóloga

Ócio sem culpa. Leia mais aqui