O que você vai ser quando crescer?

Certamente você já ouviu esta pergunta na sua infância: o que você quer ser quando crescer? As respostas poderiam ser as mais variadas possíveis. Eu respondia que queria ser secretária ou professora. E realmente já exerci funções parecidas com uma secretária e sou professora.

A questão é que, durante este percurso, influências diversas faz com que mudemos nossos sonhos. Conheço pessoas que fizeram suas escolhas bem jovens e hoje, na vida adulta. são felizes. Outras não tiveram muita escolha, foram induzidas e são frustradas. E também as que foram evoluindo na sua trajetória, iniciaram em uma área e hoje estão em outra diferente.

Uma das possibilidades que vêm sendo discutidas e até por vezes sendo uma válvula de escape para a rotina estressante do dia a dia profissional é a dedicação a um hobby. O conceito do hobby é bem diferente de trabalho, pois você o faz na hora que quiser, durante o tempo que quiser, faz por prazer e satisfação sem receber nada em troca. Eu já tive vários hobbys que viraram fonte de renda, mas como era mais jovem e a imaturidade interfere em nossas escolhas, me dediquei, inicialmente gostei, mas depois a rotina se tornou desgastante e desisti.

Você pode pensar: eu amo fazer doces caseiros, é um hobby, pode ser que dê certo… E aquela pergunta lá do início da nossa conversa, o que você quer ser quando crescer, parece ter uma resposta: isso aí, eu gostava de brincar de cozinhar quando era pequena e talvez até tenha pensando em ser uma grande chef! Então investe em materiais, começa a divulgar nas redes sociais seu novo negócio, sua nova profissão… As pessoas ficam admiradas: “nossa, como você tem tempo pra fazer tudo isso?”, “não acredito que você vai largar sua carreira pra vender brigadeiros” e por aí vai.

Amigos para elogiar sempre temos, mas para criticar e julgar temos sempre muito mais! Tenho amigas que abriram mão de suas profissões, se dedicando ao que inicialmente era um hobby, e estão felizes com suas escolhas. Problemas sempre terão, mas encontraram nessa atividade que faziam sem compromisso uma forma de auxiliar ou ser a principal renda da família.

Fazer o que se gosta é tão importante para nossa autoestima! Amar o que fazemos profissionalmente é uma meta para quem tem noção da importância desta atividade durante tantos dias da nossa vida. Preenche muitas horas da nossa semana e é realmente necessário nos sentirmos bem no ambiente laboral.

Há dez anos atrás, eu e meu esposo começamos a cantar em eventos particulares. Inicialmente, em festas de amigos, depois em festas maiores, como o carnaval da cidade e no coral de uma universidade. O nosso dom para música, que começou há mais de 20 anos, dentro de grupos de jovens da Igreja Católica, estava nos levando a conhecer pessoas e lugares diferentes. O que começou com um hobby (que convenhamos, música é tudo de bom!), foi se tornando também uma fonte de renda para nossa família.

Porém, a questão dos ensaios começou a impactar. Não tínhamos tempo, pois cada um trabalha em áreas diferentes, com viagens durante a semana, e cantar em um evento sem ensaiar é falta de comprometimento com o cliente que contratou, com as pessoas que estão assistindo e consigo mesmo. Decidimos diminuir o ritmo.

Ter um hobby me ajuda a ser uma pessoa mais leve, muito embora, por vezes, a dedicação nesta atividade seja maior do que no trabalho. Sabemos que nada é perfeito, que por vezes temos que recuar, diminuir a intensidade (de ambos, trabalho e hobby) em detrimento dos nossos projetos e sonhos futuros. É possível conciliar nossa atividade profissional com uma atividade prazerosa, seja cozinhando, escrevendo, pintando, cultivando uma horta, andando de bicicleta, costurando, dançando, fazendo um trabalho voluntário. Afinal, são infinitas as possibilidades.

Descubra a sua, aproveite, divirta-se, e quem sabe um dia esse hobby seja também uma atividade profissional. Com planejamento, organização e paciência, pode dar certo, basta começar!

  • Natália Masiero é Gestora de RH

Rompendo com o destino de origem

Quem me conhece sabe que tenho uma propensão ao realismo e ao sarcasmo. O que a maioria não sabe é que herdei essas características da minha mãe. Tudo para ela sempre é muito simples, branco ou preto, certo ou errado, direita ou esquerda…

Minha mãe nunca acreditou em sonhos, nunca esperou que a vida lhe desse mais do que o que se espera para alguém do seu tipo, seja que tipo for – mulher, pobre, iletrada, cristã e todas as palavras que nos colocam naquelas caixinhas alinhadas nas prateleiras da vida.

Apesar desse olhar pragmático para a existência, minha mãe ensinava a quem quisesse com ela aprender que o futuro nós construímos desde cedo, que não se deve sonhar apenas – porque quem sonha muitas vezes dorme no ponto – mas que é preciso batalhar, dia após dia, pelo que se acredita e pelo que se quer.

Lembro de uma ocasião, no auge dos meus saudosos 10 anos, em que, cansada das correrias e brincadeiras de rua, me atirei sobre a cama de minha mãe enquanto ela pregava alguns botões e cerzia algumas meias (falava-se assim naquela época). Fiquei olhando o movimento da agulha, curtindo o tédio inerente de quem tem o mundo pela frente. Minha mãe questionou: “não tem tema pra fazer, filha?”. Com um ar displicente respondi com um desentusiasmado “não ‘tô’ com vontade”. Sem tirar os olhos da costura, com a mesma calma de antes e como se aquilo fosse banal, sua única observação foi: “tá certo… tu tá na quarta série, já sabe ler e escrever, pra empregada doméstica já é o suficiente… Pra que estudar mais, não é?”

Arregalei meus olhos, dei um pulo da cama e fui rapidamente para os livros. Com aquela simples observação minha mãe me fez ver que para ir além da sua programação original, aquilo que podemos chamar de “destino de origem”, há um esforço muito maior, que exige muito mais aplicação e trabalho do que para quem já tem o caminho parcialmente trilhado (ou um destino de origem “melhor posicionado”). Eu sou filha de pedreiro. Seria diferente se fosse filha de médico? Com relação ao que se espera como “destino de origem”, certamente sim. Vejo que a questão já então dizia respeito não a maior ou menor valia desta ou daquela profissão, mas da possibilidade de ir além do que a minha situação inicial previa. A grande diferença era se eu buscaria ou não realizar meu sonho de expandir a caixa em que fora colocada quando nasci.

Confúcio já dizia que “sonhar com o impossível é o primeiro passo para torná-lo possível.” A simplicidade da minha mãe me fez ver que não se trata de sonhar, apenas, mas de ‘correr atrás’, esse conceito desconhecido pelas novas gerações. Eu não tinha, na infância, muitos caminhos a seguir, e isto é o que ocorre com a maioria das pessoas, e escolher o caminho certo dá trabalho. O caminho certo não envolve apenas fazer o que é legal ou moralmente correto, mas também fazer aquilo que reverbera no nosso interior, aquilo que queremos e do que nos orgulhamos.

Muito se fala que a nova geração não dará resultados no mundo corporativo – e isto não é necessariamente um mal – porque são jovens imediatistas e acreditam que tudo está ao alcance de suas mãos. Em termos de sobrevivência, isto provavelmente será um grande problema.

Vejo tantos colegas que possuem um espírito livre sofrendo em empregos formais, pessoas que se formaram em Direito querendo ajudar pessoas e que sofrem diariamente por estar inseridas no mundo corporativo, médicos cujo sonho era sarar a humanidade e que se encontram atolados em consultas insignificantes de males inventados pelo próprio ser humano, artistas que escolhem profissões tradicionais unicamente por medo de não conseguir dinheiro suficiente para sua subsistência… Fazer escolhas não é uma tarefa fácil, mas é a única tarefa sobre a qual temos total controle.

Minha mãe tinha dificuldade em entender que o que ela queria para suas filhas não era nada além de um sonho e, com isso, incutiu em nós o desejo de planejar e realizar.

Muito se fala que a nova geração não dará resultados no mundo corporativo – e isto não é necessariamente um mal – porque são jovens imediatistas e acreditam que tudo está ao alcance de suas mãos. Em termos de sobrevivência, isto provavelmente será um grande problema, pois nós, os “sábios” nascidos no século passado, sabemos que não há recursos e possibilidades para todos. Temos uma geração muito boa em sonhos, mas que não tem ideia do que seja planejar e este é o risco do sonho: imaginar que tudo no mundo acontece num passe de mágica.

A questão é que o acesso à informação desdiz qualquer pesquisa ou estudo sério a esse respeito. Pululam na rede casos de youtubers que ficaram milionários com um canal falando sobre tudo e nada, startups criadas em um apartamento que passaram a render milhões com ideias muitas vezes até simples, especuladores que ganham dinheiro sem construir absolutamente nada. E então vem o pensamento: “se eles fizeram, a minha vez vai chegar também, vou ter uma ideia que vai impactar o mundo e ficarei milionário!”

A realização sem qualquer planejamento apenas é possível àquela pequena gama de afortunados para quem a vida acontece no ritmo e forma certos, sem qualquer esforço, mas se isso não aconteceu com você até agora comece a imaginar que talvez você integre os 99% que precisam trabalhar para concretizar seus projetos.

O que a maioria não vê – ou não quer ver – é que mesmo por trás disso houve um grande planejamento. Nenhuma startup nasce do nada para o sucesso. Envolve investimento, não só financeiro, mas de tempo, paciência e muita tentativa e erro. Na fase do planejar é que muitos sonhos são abandonados, às vezes com sabedoria, porque nem tudo que sonhamos é viável, às vezes por ansiedade ou descrença no próprio potencial.

Como definiu Ambrose Bierce: “Planejar: preocupar-se por encontrar o melhor método para conseguir um resultado acidental.” Apesar dessa definição do sarcástico Bierce, o certo é que sem planejamento dificilmente o resultado, ainda que acidental, acontece. A realização sem qualquer planejamento apenas é possível àquela pequena gama de afortunados para quem a vida acontece no ritmo e forma certos, sem qualquer esforço, mas se isso não aconteceu com você até agora comece a imaginar que talvez você integre os 99% que precisam batalhar para concretizar seus projetos…
“São as nossas escolhas que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades” – esta frase de Alvo Dumbledore (J.K. Rowling) nos faz lembrar que o que define nossas vidas é o que fazemos de fato. De nada adianta ter muitas qualidades se elas não retornam em nada concreto.

Quantos meninos e meninas prodígio têm uma vida adulta de desespero por não alcançarem a totalidade de seu potencial, geralmente por força de acreditarem que suas qualidades eram suficientes para que a vida retornasse os benefícios decorrentes de suas habilidades. Mas, como diz a música de Ana Vilela, “a vida é trem-bala, parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir”. A vida passa muito rápido, somos apenas um grão de poeira no universo, mas podemos aproveitar esse curto recorte de espaço e tempo para construir algo além de nós mesmos, para construir a pessoa que queremos ser e a realização dos nossos sonhos está apenas em nossas mãos e, se não está, talvez esse sonho não seja realmente nosso

  • Clarisse Rozales é Advogada

O caminho é onde você está

Quando paro para pensar em como minha vida já mudou, fico impressionada e admirada com a beleza de toda essa impermanência.

Quando adolescente, queria ser psicóloga, como a maioria das meninas daquela época. E foi num teste vocacional onde tive uma das minhas primeiras experiências com decisões sobre escolhas profissionais. O relatório do teste indicava um gráfico perfeito para uma psicóloga, se não fosse o tal item que recebia o nome de “abstração”.

Lembro-me como se fosse hoje daquela devolutiva, ímpar e pouco habilidosa, quando se trata de falar sobre expectativas e sonhos para uma adolescente com um pouco mais de dezessete anos. No primeiro momento fiquei triste, ou melhor, arrasada. Logo em seguida, pensei em como poderia aproveitar todos os recursos que eu tinha, e fazer o melhor com aquilo, direcionar para uma profissão que eu pudesse me desenvolver (já comentei em outro artigo que tenho a habilidade da resiliência bem presente e desenvolvida comigo, e foi o que ajudou na época também).

Escolhi então, entre tantas opções, cursar Ciências Contábeis (pois é, sou uma Contadora de formação, e por vezes uma Contadora de Histórias). Fiz toda a formação de Ciências Contábeis, o que foi muito importante. Através dela consegui ter uma base forte de Gestão de Processos, Negócios, Aspectos Legais, Jurídicos e Relações Humanas, entre tantos outros aprendizados.

Além das pessoas incríveis que me ensinaram muito, teve uma pessoa em especial, sogra da minha colega que dividiu comigo o trabalho de Conclusão de curso. Ela é massoterapeuta. Fui fazer algumas massagens na época do trabalho de conclusão, período em que estava muito esgotada mentalmente: trabalhava oito horas por dia, fazia sete cadeiras e mais o TCC. No primeiro atendimento ela percebeu que eu tinha problema de circulação, e eu contei que se tratava do Fenômeno de Raynaud, ou seja, uma hipersensibilidade às mudanças de temperatura, e que apresentava má circulação sanguínea nas regiões periféricas do corpo, como mãos e pés. Ela me disse que eu deveria fazer trabalhos com as mãos, e que isso certamente ajudaria na redução dos sintomas. Na época, nem passava pela minha cabeça fazer qualquer atividade que eu tivesse que usar as mãos como instrumento de algo na minha carreira.

Claro que hoje eu não atuo como Contadora. Minha verdade era trabalhar com pessoas e para as pessoas. Percorri um caminho que sempre esteve ligado com essa minha paixão e as mudanças foram acontecendo naturalmente. A verdade é que as coisas vão mudando e passam a fazer sentido, e é isso que precisamos olhar e seguir.

Depois da minha formatura, busquei especializações e novas formações na área de desenvolvimento humano, comportamental, autoconhecimento e também voltados para espiritualidade, e segui esse caminho. Quando percebi, já estava atuando como Coach, dando aulas de Yoga, e usando o Reiki nos meus atendimentos e projetos. E hoje utilizo minhas mãos como ferramenta do meu trabalho também.

Aprendi muito durante o percurso da minha jornada e sei que ainda tenho muito a aprender. Compartilho aqui os meus principais aprendizados:
Não procure o conforto, procure a sua verdade – Às vezes, o que é mais confortável pode parecer o caminho certo. Mas preste bem atenção para ouvir se o seu coração quer mesmo que você continue neste caminho, só porque ele é confortável.

Um bom dia para morrer – Hoje pode ser um bom dia para morrer. Qual é a parte de mim que precisa morrer? O que eu preciso deixar ir para abrir espaço para o novo?

Mudando a mim e ao entorno – Não podemos ficar paralisados pelo medo de perder pessoas se a gente mudar.

  • Sonya Fhernandes é Instrutora de Yoga

O que você fez pelo mundo hoje?

Egoístas e ensimesmados que somos (na maior parte do tempo), é comum ficarmos atentos ao que o mundo tem a nos oferecer. Confortos, facilidades, delícias para desfrutar estão por todos os lados… O mundo é criativo em apresentar novos produtos, novas soluções, novos brinquedos para entreter (ou distrair) nossa atenção. Até nas relações de trabalho é assim. Podemos, em alguma escala (e adoramos quando é crescente), receber serviços melhores, personalizados, na medida do nosso gosto – todas estas coisas mimos de que gostamos muito, porque nos diferenciam, nos tornam especiais, nos dão uma espécie de chancela de que estamos crescendo na vida, de que as coisas estão indo bem.
Nada errado em desfrutar de tudo que o universo tem a oferecer. É da natureza humana habituar-se com o que há de bom no mundo. Os desejos aumentam na proporção exata de sua realização. Sempre pensamos em como conquistar algo melhor, desde uma refeição até algum bem. Quando usamos transporte público, sonhamos em comprar um carro ou uma moto (ou não, se houver uma escolha consciente por uma vida ecologicamente mais sustentável). Quando temos um carro que nos sirva de condução, sonhamos com um automóvel de fato, com tecnologia embarcada. Quando conseguimos comprar este, se continuamos “indo bem”, por que não sonhar com alguma marca de luxo? Nesse momento, talvez até contratar um motorista passa pela nossa cabeça. E desse em ponto em diante, aviões e helicópteros parecem bem divertidos e funcionais.
Na outra ponta de gangorra, poderíamos perguntar: o que nós estamos fazendo pelo mundo? Pensar que não temos nenhuma responsabilidade com o ambiente em que estamos inseridos é como imaginar que estamos em um barco (o mundo), com muitas pessoas (a humanidade), onde cada um se entende dono, proprietário, do pedaço onde está acomodado e com direito de utilizá-lo como achar melhor. O que aconteceria se um dos passageiros resolvesse fazer um buraco sob seus pés, sob a alegação de que está apenas interferindo no seu espaço?
Às vezes nos comportamos um pouco como esse passageiro, talvez não fazendo um grande furo, para provocar a inundação do barco, mas provocando pequenos desgastes, que no médio e no longo prazo poderão levar ao mesmo resultado. Cuidar do barco é uma empreitada que deve ser abraçada por todos e isso se manifesta nas pequenas coisas. Cada um escolhe quanto, quando e como fazê-lo. Na minha rotina, escolhi o voluntariado na área de comunicação para instituições de terceiro setor que notadamente desenvolvem um trabalho sério em prol das comunidades mais carentes. E para você, como é?

 

Sandra Veroneze

Jornalista e editora, responsável pela curadoria de conteúdo da Coleção Gestão Pessoal da Editora Pragmatha

Pronto! Falei!


Cansei por cansar do fato de ter que reclamar de tudo e todos para parecer conveniente, inteligente, pensamento crítico, visão realista, enfim – essa palhaçada toda que a crítica traz como bom, legal, mas que na maioria das vezes esconde o fato do denegrir o outro, da acusação, da culpabilidade de um ato ou para alguma pessoa, do eu ser o melhor, o erudito e bom.
A crítica cega o fato do defeito intrínseco em quaisquer atividades, do poder da improvisação e da criatividade. A crítica, quando não aliada a um resultado apontado por ela, não significa absolutamente nada, só um status e cobrança indesejada. Por isso, ao meu ver, “crítica positiva” sem mostrar solução e só uma fala inacabada.
Muito pensa-se em respeito humano hoje em dia, em ver o outro de forma integral, o todo, e não as partes. Mas que respeito há se só se vê problemas, sem a busca de soluções? Apontar é fácil, porém seguir e conseguir ver uma luz na trajetória sem pisar nos degraus da crítica se torna quase insuperável.
Quando você cria algo novo, há o desejo de que seja excelente, que auxilie as áreas a verem seus pontos nevrálgicos e impulsione o novo. Mas, às vezes, falta imaginar que o novo talvez não seja aceito nem partilhado da mesma felicidade da criação, o que gera uma grande angústia a quem criou, numa cobrança do que e por quê errou.
Será que de fato há o erro? Há de se pensar no momento de parar com certos bairrismos internos do meu e do teu e fazer algo diferente – compartilhar uma nova forma de alcançar melhorias e soluções.

Juliana Borba
Coach e Coautora dos livros da coleção de Gestão Pessoal da Editora Pragmatha

Você já experimentou um “abraço gêmeo”?

Certa vez ouvi uma amiga separada do marido há muitos anos dizer-me: “Sinto falta de beijar na boca!”. Na época penalizei-me com tamanho desabafo, mas confesso não ter conseguido atingir a profundidade do sentimento de falta ao qual ela se referia.
Porém hoje, com mais tempo para pensar em mim, para interiorizar-me na busca do meu EU, e trabalhar debruçada na essência humana, percebi que também sinto falta, não de beijar na boca, mas sinto falta daquele Abraço!
Abraço em que o silêncio fala por si, aquele momento em que trocamos energia e nossos mais profundos sentimentos, sem nenhum preconceito.
Aquele abraço onde dois viram apenas um, os corações pulsam na mesma frequência acelerada, a respiração é profunda e lenta, mas grita alto em nossos ouvidos.
Segundos em que dois corpos ficam imóveis, colados, sentindo-se um ao outro, passando força e buscando apoio, transmitindo carinho e recebendo gratidão, exalando juntos um calor enorme, mesmo que em suas mãos o suor frio se faça presente.
Neste abraço, não há homem ou mulher, existem duas almas tentando transcender seus corpos em um reencontro divino.
Não sei, mas acho que não acredito em almas gêmeas, mas acredito que existem abraços gêmeos, momentos únicos e inesquecíveis.
Claro que tudo irá depender do que você busca quando está abraçando alguém e, o mais importante, o que você quer passar ao abraçar alguém?
Adoro abraços e adoro comer, vou tentar realizar aqui uma comparação entre ambos: alguns pratos sentimos revolta só de olhar, outros não nos dizem nada (você come apenas para matar sua fome), já alguns têm aparência e cheiro bons, mas existe aquele prato especial, que mesmo antes de começar a comer você já está em estado de graça e salivando!
O abraço é doação, é aceitação, é amar o outro. Abrace para doar sua energia positiva, seu carinho, energia vital!
Mas se não for para isso, então não abrace, apenas aperte a mão, dê um leve sorriso e se vá!
Abraços gêmeos são raros, mas existem e, se você já experimentou um destes, pode se considerar uma alma privilegiada.
Um forte abraço meu para você que leu este texto!

Lorena Fontoura

Coach e coautora das obras de Gestão Pessoal da Editora Pragmatha

O que você faria numa fração de segundos?


O que é um instante? Segundo o dicionário, é algo que está prestes a acontecer, iminente, acontecimento rápido, passageiro, espaço de segundo.
Mas prefiro refletir sobre um espaço de segundo.
O que podemos fazer com um “espaço de segundo”? Nada? Ou tudo?
Tomar uma decisão, desviar de um buraco na calçada, gritar “te odeio” em meio à briga, derrubar nosso perfume preferido, fechar a janela do quarto para não chover sobre nossa cama, cortar o dedo indicador direito. Enfim, muitas atitudes e ações podem ser realizadas em um espaço de segundo.
Um espaço de segundo, define minutos, horas, dias, anos e até uma vida inteira!
Estamos constantemente decidindo nosso destino em espaços de segundo; desde ainda no ventre de nossa mãe, nós decidimos a grande hora! Se vamos levantar ou não da cama, se vamos fazer nossa higiene, que vestimenta usaremos? (atitude de segundo que pode te deixar o dia todo sentindo frio ou calor).
Utilize seu espaço de segundo, mas não despreze seus minutos, horas posteriores, aqueles que decidimos não colocarmos o cinto de segurança e logo após vem a fatalidade ou aquele instante em que você decide seguir seus instintos animais e minutos depois sua ou seu cônjuge lhe flagra em pleno adultério (normalmente segue-se aí uma separação e muita tristeza familiar).
Não sejamos tão pessimistas, temos instantes de decidirmos falar a palavra certa na entrevista de emprego e horas depois somos chamados para a vaga, ou aquele instante em que você reúne todas as suas forças que nem mais acredita existir e vence a tão sonhada maratona, o espaço de segundo do “sim” frente ao padre no altar.
Somos movidos por espaços de segundos. Você pode até contar seu dia pelas horas que o completam, mas suas decisões e seu destino estão amarrados pela linha tênue do instante.
Alguns fios de instantes passam por nós desapercebidos, enquanto outros morrem conosco, ou grudam em nosso pescoço sufocando-nos de tanto em tanto (para lembrar sempre o que você fez daquele instante). Infelizmente (ou não) costumamos lembrar dos nós que sufocam, pois são com eles que aprendemos as maiores lições para vida (aproveitem este nó como laço positivo de ensinamento).
Já os laços mais lindos e soltos, de decisões felizes e assertivas, nos servem para alimentar nosso eu para seguirmos confiantes e com autoestima elevada, na certeza de que cada espaço de segundo será melhor do que o segundo passado e assim sucessivamente por toda nossa vida.
Vale lembrar que os espaços de segundos não voltam, mas você pode e tem o livre arbítrio de ao longo do tempo ir alterando, ressignificando estes nós, tornando-os laços leves e soltos para seu bem viver. Como profissional coach, com formação em programação neurolinguística, costumo trabalhar estes nós sufocantes com meus clientes, com resultados muito favoráveis.
Pensar antes de cada segundo de instante sobre suas decisões o deixará ao longo da vida com mais laços que nós, pois lembre-se que o instante é seu, as consequências são dos seus!

Lorena Fontoura
Coach e Coautora dos livros de Gestão Pessoal da Editora Pragmatha

O que realmente é o processo de coaching?


Ouve-se muito falar sobre Coaching: “Contrate um Coach e tenha sucesso garantido”, “Potencialize-se fazendo Coaching”.
Nos dias atuais as mídias e redes sociais estão falando muito sobre o assunto, mas você sabe realmente qual a proposta deste processo ou quando você deve utilizar-se dele? Coach é o profissional da área e coachee é o seu cliente (você), enquanto coaching é o processo em si.
Antes de falar sobre o processo, deve ficar claro que coaching não é terapia, pois não se trabalha com problemas do seu passado (há profissionais especializados para tais fins, como psicólogos e psiquiatras). Também coaches não são treinadores, como a tradução da palavra nos dá.
Coaching é um processo com início meio e fim, onde exerce-se uma relação de confiança com o coachee. Trabalhamos como facilitadores no desenvolvimento do autoconhecimento do nosso cliente, estimulando e potencializando suas habilidades capacidades e competências para atingir seu objetivo.
É um processo de reflexão e interiorização, pois durante as sessões (que variam de oito a dez), e de comum acordo, serão traçadas metas alcançáveis e planos de ação para semana, todas direcionadas ao objetivo final.
O profissional utiliza-se de inúmeras técnicas e ferramentas, entre elas, as “perguntas poderosas”, que na verdade são perguntas comuns, curtas e simples, porém que contam com as competências deste profissional em formulá-las assertivamente no momento oportuno, somando habilidade de uma escuta ativa e seu conhecimento da essência humana.
Coachs, como no meu caso, em Formação em PNL (Programação Neuroliguística), dispõem de mais recursos e técnicas para utilizar durante o processo. Também podemos ressignificar crenças limitantes e fazer uso da hipnose se necessário for.
O processo de Coaching envolve etapas, bem como nosso coachee:
Processo / Coachee
1 – Conversa, conhecimento e aprovação / Vontade
2 – Seleciona dados, agregar significado / Identificação
3 – Identifica Crenças limitantes / Conscientização
4 – Faz suposições sobre itens anteriores / Capacidade e garra
5 – Chega à conclusão / Dedicação
6 – Toma decisão / Persistência
7 – Divide metas atingíveis / Disciplina
8 – Empreende a ação / Superação
9 – Atinge objetivo desejado / Vitória

Perceba que o caminho é trilhado pelo coachee, cabe ao profissional acompanhar seu avanço no processo, que foi previamente acordado entre ambos nas sessões. Cabe a nós, coachs, maximizar o desempenho para que nosso cliente liberte seu potencial e autoestima, provocando uma onda motivacional constante no processo.

– Você está sendo promovido, mas sente-se inseguro de corresponder às expectativas? O coach ajudará você a resgatar a sua autoestima e pontencializar suas habilidades, ressignificando suas crenças limitantes.

– Você tem como objetivo falar em público, mas é tímido e tem medo (todos nós temos)? O coach, com suas técnicas e ferramentas, irá ajudá-lo a superar suas limitações. Se quiser, poderá chegar a ser um palestrante;

– Você que está em um cargo de liderança, mas teme não ser bem-sucedido e aceito pelos liderados? O coach, com formação em PNL, saberá maximizar teu potencial para uma liderança de sucesso, com empatia entre outras habilidades.

Você se sente meio perdido no caminho, na profissão ou nos estudos? O coach saberá facilitar seu desenvolvimento na busca do autoconhecimento.

Você já passou dos 50 anos ou está aposentado e sem perspectiva de futuro a curto prazo? O coach com suas técnicas e PNL o ajudarão a resgatar sua autoestima e motivação para novos prazeres.

Existem muitas especialidades no mercado relacionadas ao coaching. Mencionei as que trabalho, mas há coaching para emagrecimento, para finanças, para executivos etc. Agende uma sessão (costumo fazer a primeira gratuitamente), e juntos iremos identificar qual especialidade você está necessitando neste momento e siga em frente, porque o futuro é belo e brilhante para aqueles que se desenvolveram como seres mais humanos de bem e valor!

Lorena Fontoura
Coach e Coautora das obras de Gestão Pessoal da Editora Pragmatha

Aceito ou compreendido, você sabe a diferença?


Ser amado todos nós desejamos e sabemos exatamente (ou quase) o que é amor, mas você sabe o que significa efetivamente ser aceito? Conhece a diferença entre ser aceito e ser compreendido? Vamos à nossa reflexão de hoje.
Você consegue ser aceito, mas pode não ser compreendido, pois aceitar é consentir algo ou alguém de maneira voluntária e sem oposição.
Antes de querer ser aceito, lhe pergunto: você se aceita como é? Se você sabe conviver com seus erros do passado, fazendo deles aprendizado para o presente, encara o futuro com oportunidade de crescimento e felicidade. Então sua resposta é afirmativa, você se aceita como é.
E o outro, você aceita? Se não tolera erros e equívocos, sem enxergar o bem dos comportamentos ou ações, sua resposta é “não”! Prefiro acreditar que você respondeu “sim”.
Aceitarmos o próximo, é quando nos sentimos à vontade ao seu lado, quando e reconhecemos como semelhante e queremos dividir com ele o universo, quando reconhecemos sua existência humana.
Aceitar é difícil, no entanto é ainda de longe mail fácil que a compreensão. Para você compreender o outro é preciso mergulhar no universo da pessoa, requer uma análise, reflexão na busca em saber quais razões, motivos, medos, alegrias, dúvidas, frustrações que o tornaram tão humano quanto você.
A compreensão é uma imersão maior na individualidade do outro, exige um profundo senso de humanidade e compaixão. Portanto, ser compreendido está muito além de ser aceito. Enquanto a aceitação reconhece a condição humana, a compreensão reconhece alguém como Ser humano, mas também as razões, motivos, medos, alegrias, dúvidas, frustrações que o tornam humano igual a você.
Para compreender o outro, antes é necessário que você se aceite e se compreende, em outras palavras, que você tenha um grau elevado de autoconhecimento, de desenvolvimento humano e inteligência emocional ampliada, reconhecer sua missão de vida, antes de buscar compreender o outro.
Os processos de coaching facilitam sua compreensão de si, com ferramentas e técnicas específicas que impulsionam para o autodesenvolvimento, autoconhecimento e amplia sua inteligência emocional consideravelmente.
Como coach, sonho com o dia em que nossos sucessores aprendam nas escolas a trabalhar, identificar e controlar suas emoções, ampliando o autoconhecimento para olhar com olhos de bondade, carinho e amor ou próximo!
E então vocês devem estar se perguntando: mas e quanto ao amor?
O amor aceita, compreende e ainda examina semelhanças, diferenças, busca admiração, identifica a química da atração. São frações de segundos que faz você querer estar perto daquela pessoa ou seu animal de estimação, até mesmo aquele beija-flor que todas as manhãs vem nas flores do seu jardim.
O amor é uma emoção sublime à compreensão humana, pois é divino. Existem muitas formas de amor, e todas valem a pena.
A emoção amor, está conosco a todo instante, e de todas as maneiras.

Lorena Fontoura
Coach, coautora das obras de Gestão Pessoal da Editora Pragmatha

O Poder da Visão: quem tem um ‘porquê’ inventa um ‘como

 


Viktor Emil Frankl foi médico psiquiatra, conferencista e professor universitário. Fundador da Escola da Logoterapia, que explora o sentido existencial do indivíduo e a dimensão espiritual da existência, sua contribuição não se restringe à psiquiatria especificamente. Sua história de vida – exemplo de resiliência e superação – inspira pessoas comuns que buscam dar um sentido à vida. Judeu austríaco, como prisioneiro em campos de concentração nazistas, sentiu na pele os horrores do Holocausto. Em suas palestras ao redor do mundo, Frankl destacava o poder da visão como uma verdadeira fortaleza para o espírito. Suas obras, ainda hoje e por um longo tempo, nortearão e iluminarão a Humanidade. O título e os trechos em destaque são de sua autoria e emolduram este artigo.

Nada proporciona melhor capacidade de superação e
resistência aos problemas e dificuldades em geral do que a
consciência de ter uma missão a cumprir na vida.

O homem precisa conhecer, aceitar e vivenciar sua missão. Porém, como parte do processo de ressignificação da própria existência, é preciso ir além. Dentre os princípios norteadores das organizações – missão, visão e valores –, propor uma visão de futuro é um dos exercícios mais interessantes. No entanto, quando se trata das nossas próprias vidas, dep-ramo-nos com crenças contraditórias e limitadoras. O conferencista Joel Arthur Barker apresenta uma perspectiva assertiva ao afirmar que visão sem ação não passa de um sonho; ação sem visão é só um passatempo; visão com ação pode mudar o mundo. Isso porque muitos ignoram o fato de que a ação é imprescindível à realização de qualquer coisa que se possa chamar de visão, sonho, projeto etc.

Ensinaram-nos, desde a infância, que o futuro a Deus pertence. Esta crença tira-nos o poder de construí-lo passo a passo. E contradiz a premissa básica do pensamento judaico-cristão, a de que o homem é provido de livre-arbítrio.

O ser humano não é completamente condicionado e definido. Ele
define a si próprio seja cedendo às circunstâncias, seja se insurgindo
diante delas. Em outras palavras, o ser humano é, essencialmente, dotado de livre-arbítrio. Ele não existe simplesmente, mas sempre decide como será sua existência, o que ele se tornará no momento seguinte.

É fato que não temos o poder de mudar as circunstâncias da vida, assim como Frankl não foi capaz de impedir o assassinato de sua esposa, pais e irmãos. Ele, porém, manteve-se iluminado por um propósito. Era preciso que sobrevivesse para cumprir sua missão: ajudar outras pessoas a enfrentar e superar seus traumas.

Se percebermos que a vida realmente tem um sentido,
percebemos também que somos úteis uns aos outros. Ser humano
é trabalhar por algo além de si mesmo.

Ele criou uma visão forte e positiva na qual alicerçou sua obra e sua vida. Encarcerado, sofrendo maus-tratos e testemunhando os mais bárbaros crimes contra a Humanidade, o psiquiatra dedicou-se a ajudar seus pares e a produzir boa parte da tese que, anos mais tarde, daria origem à Terceira Escola Vienense de Psicoterapia. Outros prisioneiros, no entanto, concentraram suas energias numa projeção de vingança. Ao concretizarem seus intentos, estes homens e mulheres viram suas vidas perderem o sentido enquanto que Frankl manteve-se produtivo até o fim de sua existência.

Devemos transformar os aspectos negativos da vida em algo construtivo.

O segredo do sucesso está na proposição de uma visão forte e positiva. A visão das organizações, para um determi-nado horizonte de tempo, observa à risca esta premissa. No entanto, quando se trata de pessoas, não é raro ouvirmos projeções fracas e negativas. Como você se imagina daqui a dez anos? – Pergunte a alguém. A resposta mais provável é um simples não sei! Mas, há quem imagine um futuro sombrio. Quantas vezes você ouviu coisas do tipo: Ih! Com esse governo, não sei nem se terei aposentadoria!; Com o colesterol nas alturas, não sei nem se estarei vivo! Cuidado! Estas afirmativas são po-derosas, porém extremamente negativas. E quando questionadas, estas pessoas justificam-se com certa lógica: não sou pessimista, sou realista! Mas, afinal, quem cria a realidade?

Quando a situação for boa, desfrute-a. Quando a situação for ruim,
transforme-a. Quando a situação não puder ser
transformada, transforme-se.

Você já ouviu a expressão ônus e bônus? Desejamos o prêmio – um relacionamento amoroso saudável, um em-prego que nos realize, boa saúde… Entretanto, nem sempre estamos dispostos a pagar o preço por isso: declinar ao fute-bol das quartas-feiras com a galera do escritório, abrir mão da estabilidade do emprego por um empreendimento arris-cado, mudar hábitos pouco saudáveis… Lembre-se do que disse Barker: visão com ação pode mudar o mundo. Por ora, mudar a si mesmo é o que basta.

Não sou fruto do passado, sou fruto de uma mudança
assumida e vivida com intensidade.

Um dos aspectos mais fascinantes no processo de coaching está no fato de que tomamos consciência de que somos responsáveis por nossas vidas. Sem exceções, todos concordam com esta afirmativa. No entanto, aquele mas que vem logo depois é que muda todo o sentido da frase: somos responsáveis por nossas vidas, mas…

Por 40 anos, acreditei que não seria capaz de dirigir. Havia tentado, aos 18 e 30 anos, obter a CNH sem êxito. Imaginar-me guiando, causava-me pavor (sintoma emocional) e ânsia de vômito (sintoma físico). Com frequência, era motivo de chacotas e isso contribuía para colocar abaixo minha autoestima que já não era lá essas coisas. Em 2010, comprei um carro zero e nem assim aventurava-me a guiar pelo bairro. Temia causar um acidente, machucar-me ou ferir alguém. Determinei-me a fazer a autoescola e aprender de fato.

Durantes as aulas, tremia e suava frio, mas estava firme no meu propósito. Submeti-me a seis (!!!) exames de direção até ser bem sucedida. Mesmo depois de conquistar a CNH, sentia-me insegura. Acreditava que somente com a prática seria capaz de mudar este quadro, por isso dirigia diariamente, desafiando meu medo, dando preferência a vias congestionadas, declives e aclives íngremes. Dirigia melhor a cada dia, mas não superava o mal estar. Busquei um subterfúgio bem simples: ao deitar, procurava visualizar outro cenário: via-me, num futuro próximo, guiando serenamente por ruas e rodovias movimentadas. Imaginava-me a Penélope Charmosa, elegante e segura, guiando meu automóvel e enfrentando, com certo glamour, as loucuras do trânsito. Assim como a personagem dos desenhos, eu sempre contornava os obstáculos e chegava em segurança ao meu destino.

Considero-me, hoje, uma motorista razoável e sinto prazer em dirigir. Às vezes, sair por aí funciona como uma verdadeira terapia antiestresse. Embora pareça um processo natural, assevero que dominar esta nova habilidade só foi possível porque (1) reconheci minha incompetência, (2) desejei aprender, (3) agi efetivamente e (4) criei uma visão forte e positiva que ajudou a tornar realidade um sonho acalentado por anos.

A tentativa de enxergar as coisas numa perspectiva engraçada
constitui um truque útil para a arte de viver.

Esta brincadeira pode ser um exercício para uma mudança de paradigmas. É preciso dar um primeiro passo. Mudar o padrão mental para projetar uma visão forte e positiva pode começar assim e, com o tempo ir tomando uma forma cada vez mais grandiosa (cuidado para não se escravizar por ideias megalomaníacas) – e saudável. Não é fácil passar a vida inteira culpando os outros e as circunstâncias e, de repente, perceber que resultados dependiam apenas da tomada de decisão assertiva.

Quem vive reclamando, geralmente, encontra motivos reais para reclamar; quem vive agradecendo, geralmente, encontra motivos para agradecer. Isso porque o coração agradecido comunica-se com Deus e o queixoso relaciona-se com Satanás, afirma Mokiti Okada. O mal aqui referenciado não tem chifres nem usa tridente, ele representa o nosso pior inimigo; o eu inferior, que nos puxa para baixo, desmotiva, desanima e corrompe nossa alma imortal da qual emana luz e de onde provém o poder infinito do Criador.
Protagonismo implica responsabilidade; escolhas acarretam consequências. Por isso encerro este artigo com uma das mais curtas e belas citações de Frankl:

Aquilo que emite luz deve suportar o calor.

Andrea Guerreiro de Souza, coautora da obra Gestão Pessoal e o Ciclo SPR