Seu defeito pode lhe trazer paz

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Todos já passamos pela seguinte situação: alguém próximo aponta alguma característica em nós que não gostamos e de forma pejorativa. Geralmente quando isso acontece unimos forças para o contra-ataque e argumentamos a nosso favor ou ainda escolhemos não ouvir e “deixar para lá”.

Esse processo acontece como uma forma de defesa. Afinal, ao longo do tempo, familiares, amigos e outras pessoas próximas criam expectativas sobre nós. Algumas destas expectativas levamos conosco. Ou seja, também colocamos expectativas sobre nós mesmos. E, naturalmente, desejamos correspondê-las. Mas muitas vezes não conseguimos. Não somos perfeitos. E isso é perfeitamente normal e aceitável.

Portanto, argumentamos e contra-atacamos como uma simples forma de defesa de nós mesmos. Temos dificuldade de aceitar que não somos perfeitos e que não conseguimos corresponder às expectativas que colocam e colocamos sobre nós.

Veja bem, você não é perfeito. E tudo bem! Você ainda é maravilhoso do seu jeito! Quando deixamos essa necessidade de sermos perfeitos para trás podemos nos ver de forma mais realista. Isto significa abraçar nossas qualidades e características e aceitar nossos defeitos! Quando isso acontece é como recitar um poema. Nunca é perfeito, mas é sempre lindo.

E enfim podemos nos aceitar e viver em mais paz. Além disso, quando reconhecemos nossas dificuldades e defeitos nos permitimos melhorar. Aceitamos que não somos perfeitos, mas ao mesmo tempo podemos chegar mais perto disso. Não negue suas próprias características. Se abrace e seja você mesmo.

Maria Cristina Lopes, psicóloga

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Por que é difícil encontrar defeito em si mesmo?

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Algumas pessoas acham que defeito é uma característica que só existe no outro, mas nunca o encontra em si mesmas.
Por que é difícil encontrar defeito em si mesmo? Talvez porque não tenha procurado ou nem mesmo olhado para dentro si. Muitos ignoram essa possibilidade, mesmo quando são apontados por alguém.
A questão é que o defeito é uma imperfeição física ou moral, é uma característica deformada, uma incorreção ou falha de algo ou alguém em relação aos requisitos estabelecidos socialmente. No caso de pessoas, ser reconhecido como alguém possuidor de defeitos é ser reconhecido como alguém sem valor, alguém indesejado, e isso gera sofrimento, principalmente dentro de uma sociedade tendenciosa em desprezar o que é diferente. Aquele que se distancia de um ideal muitas vezes é oprimido. Um exemplo é uma estética que só valoriza a forma e a aparência magra, escultural e jovem, segregando os que diferem.
Entretanto, negá-los não ajuda a melhorar-se. Sigmund Freud salientou que a negação pode ser uma defesa psíquica que tem a finalidade de atenuar a ansiedade. Desse modo, o sofrimento é afastado negando aquilo que é considerado a fonte de ameaça e que causa seu sofrimento. Afastado, mas não resolvido.
Negar defeitos próprios é negar, também, parte de si mesmo. É cindir-se, é ser metade, e, algumas vezes, quando se radicaliza, é negar ser humano. O ser humano quando não consegue lidar com os próprios defeitos, segundo M. Klein, acaba por projetá-los no outro para tentar lidar com os mesmos fora dele. Desse modo, o defeito estaria sempre no outro, assim como sinalizou J.P. Sartre: “o inferno é o outro”. Mas, como afirmou C.G. Jung: “ao falarmos dos outros, revelamos muito sobre nós mesmos”. Jung ainda salienta: “quem olha para fora, sonha, quem olha para dentro, desperta”.
Por isso, não adianta continuar olhando para fora de si, olhando o outro, olhando somente o mundo do lado de fora. É preciso ter coragem de olhar para dentro de si mesmo e enfrentar as “feras”. Tirá-las do escuro, das “sombras” do inconsciente, e, logo você entenderá que elas não parecerão tão feias como imaginava. Você verá que também não é a única que as possuem e que as mesmas ou outras se encontram nas pessoas em todo lugar. Veja só o que disse Jung sobre ele mesmo: “prefiro ser inteiro do que ser somente bom”.
Isto nos faz pensar que para uma pessoa ser considerada íntegra ela precisa ser inteira, precisa se aceitar como é. Se reconhecer com suas qualidades positivas e “defeitos” também, e mesmo assim, se amar. Desse modo, aquele medo de não ser admirado, ou de ser rejeitado por apresentar características imperfeitas, não terá mais tanta força e sofrimento, pois você já não terá a necessidade de ser perfeito(a) e de ser admirado(a), pois se aceita e se gosta como é. Isso lhe dá a liberdade de ser você mesmo(a), de crescer, progredir, também de amar a outra pessoa de forma autêntica e completa.
Olhar para dentro possibilita o autoconhecimento, o autoconhecimento possibilita o fortalecimento e a integração do seu ego, o ego fortalecido possibilita a resolução dos conflitos existenciais, superação das situações adversas e do crescimento para lidar com a vida com mais maturidade e para viver com mais qualidade.
Devemos deixar de negar os defeitos e olhar para eles com outros olhos. Se mudarmos a forma como percebemos as coisas, as coisas mudam. Essa mudança acontece, também, olhando para os defeitos de uma forma diferente.

Valberto Gama, psicólogo

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Ter um defeito não é necessariamente problema

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“Defeitos”? Falar de “defeitos” pode ser um tema até batido quando focamos nos padrões sociais. Mas, hoje, quero conversar um pouco sobre o lado positivo dos “defeitos”.
Primeiramente, vamos conceituar “defeito”. “Defeito” é tudo aquilo que não está em conformidade com um padrão físico ou que apresenta alguma irregularidade de funcionamento. Pessoalmente, não concordo com essa classificação quando falamos de seres humanos. Prefiro chamar de características individuais, mas para esse texto consideraremos “defeito” qualquer característica física ou mental fora do padrão social dito “normal”.
Antes, queria contar que quando vivíamos na pré-história nos agrupávamos em clãs e somente aquelas pessoas do clã eram nossa comunidade. Ser aceito era uma questão de sobrevivência, viver em grupos garantia uma vida mais segura e maior possibilidade de aquisição de alimentos. Assim, ter deficiências físicas ou mentais poderia fazer com que fôssemos excluídos e a nossa vida corria riscos.
Nós evoluímos e hoje os grupos são diversos e ser rejeitado por um grupo não nos oferece risco de vida e também não nos impede de sermos aceitos por outro. Temos uma diversidade de grupos. Mas parece que nosso cérebro nem sempre age de acordo com essa premissa e, ao sermos rejeitados por um grupo, é comum continuarmos tentando fazer parte dele. Ter um “defeito”, seja ele físico ou mental, pode nos atrapalhar nessa aceitação. Mas será que pode nos ajudar de alguma forma?
Vamos pensar em um adolescente fora do padrão, com o “defeito” de ser muito gordo (obeso). Ele pode ser excluído e sofrer bullying por parte dos colegas. Na tentativa de fazer parte do grupo, ele pode desenvolver uma boa habilidade de escuta, o que lhe garante ser o amigo procurado quando alguém tem algum problema, mais atento ao outro e ao ambiente. Ele pode desenvolver uma habilidade de comunicação e assertividade, melhorando seu diálogo e entendimento no grupo. Ele pode desenvolver um senso de humor específico, que promoverá boas risadas e poderá aproximá-lo das pessoas. Ele pode desenvolver uma capacidade de observação e empatia, que aumentará sua percepção do outro e o tornará mais próximo de pessoas que passam por alguma dificuldade. Ele pode desenvolver uma capacidade maior de lidar com frustrações, que será de grande importância durante toda sua vida.
São inúmeras as habilidades que podem ser desenvolvidas como estratégias de aceitação. Uma pessoa com ansiedade aumentada, que enxerga catástrofes nas situações futuras, pode desenvolver habilidade de antever possibilidades ruins e ser capaz de criar estratégias para minimizar ou evitar problemas. Uma pessoa com humor deprimido pode desenvolver maior capacidade de enfrentamento e autopercepção. Uma pessoa com uma deficiência física pode desenvolver novas habilidades de locomoção, percepção de espaço, empatia e sentidos mais apurados. Uma pessoa dita tímida pode desenvolver uma capacidade mais analítica de situações e do outro etc.
Diante dos exemplos, é possível perceber que ter um “defeito” pode ser a chave para desenvolver habilidades e enfrentamentos que, muitas vezes, não desenvolveríamos se estivéssemos dentro de um padrão de normalidade social.
É importante lembrarmos que existem diversos grupos e que ser rejeitado por um não significa fracasso e que sempre teremos outros grupos aos quais podemos pertencer.
Mas, mais do que isso, vale estarmos atentos e nos perguntarmos ‘em que esse “defeito” me ajudou?’ ‘Que habilidades desenvolvi por causa dele?’ Renata Trigueirinho Alarcon, psicóloga

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