A internet é ou não é uma das invenções mais brilhantes da humanidade?

[fb_button]

A internet é ou não é uma das invenções mais brilhantes da humanidade? A conexão entre diversas redes de computadores vem transformando e redefinindo comportamentos ao longo das gerações.
Aqueles que nasceram nos anos 90-2000 viveram imersos em um mundo altamente conectado e com certeza não passaram pelos perrengues da vida sem internet. Quem tem até 15 anos nasceu quando a onda da internet estava a todo vapor – e podemos afirmar que é mais difícil para eles diferenciar a barreira entre o virtual e o real.
Com tantas facilidades proporcionadas pela tecnologia, é indiscutível o fato de nos sentirmos atraídos por elas. Foi assim com o automóvel, com a eletricidade e por que não seria com a internet? Mas a questão é: até que ponto estas facilidades são positivas? E em que ponto o que é fácil deixa de ser positivo e se volta contra nós?
Dentre as mudanças deste mundo globalizado, o maior fenômeno percebido é a mudança nos relacionamentos pessoais, principalmente entre os jovens, que estão trocando conversas pessoais por chats, redes de relacionamento, jogos online e até a própria internet – desenvolvendo adolescentes mais tímidos, com poucos amigos reais, mais consumistas e elevado número de problemas psicológicos. E mais: não são somente os adolescentes que estão passando por isso. Diversas crianças e adultos têm o seu desenvolvimento cognitivo, físico e psicológico afetados por não interagirem (como deve ser) com pessoas da sua idade.
Um filme que ilustra bem o nosso mundo atual é o “Her” – traduzido no português: “Ela” – que retrata a história de um homem que desenvolve uma relação com sua assistente pessoal (assistente virtual de computadores, como a Siri ou Cortana, por exemplo), apaixonando-se pela sua personalidade, dando início a uma relação amorosa entre ambos e demonstrando exatamente como muitos de nós estamos atualmente, vidrados em um aparelho tão pequeno.
Em contrapartida, o seriado The Big Bang Theory demonstra uma relação bastante saudável com a tecnologia, onde os amigos se encontram pessoalmente com frequência para se divertir, ao mesmo tempo em que têm uma relação muito próxima com os meios tecnológicos, abordando a respeito de filmes, ciência, computadores etc.
Eu sou dependente? A chave para saber isso pode ser encontrada no ditado: “tudo que é demais faz mal”. A dependência se caracteriza por um hábito cotidiano que acaba causando mal ao paciente ou às pessoas que o rodeiam. Desta forma, se alguém deixa de lado outras esferas da vida pessoal/social/familiar ou acaba causando mal a si ou aos que convivem com ele, podemos afirmar sim, que está dependente.
Não resta dúvida de que a internet passou a ser fundamental no nosso dia-a-dia, afinal, você está lendo esse artigo numa página virtual. Mas ela deve ser meio e não um fim em si mesma. A vida acontece com muito mais intensidade e possibilidades quando estamos nela de corpo presente.

Alane Viñas Nardi, psicóloga

Online, imaginária, percebida, suposta… De quantas realidades se faz o Eu? Lei mais aqui.

 

A vivência instantânea e o desafio da não fragmentação

[fb_button]

Na hipermodernidade ou pós-modernidade, as Novas Tecnologias da Informação (NTIs) operam no núcleo da subjetividade humana, no seio das nossas memórias, inteligência, sensibilidade e afetos, em que estão imersos novos tipos de relações e modos de existir. A cibercultura, hoje desenvolvida em rede, envolve usuários numa conexão generalizada, conectada em tempo integral, modificando a subjetividade. Estudos mostram que muitas pessoas buscam as NTIs tanto para se comunicar, como, paradoxalmente, para se isolar. Parece que o isolamento promovido é devido ao desgaste das relações interpessoais, que então substituem por contatos mediados por uma “proximidade” tecnológica. Talvez, por isso, alguns estudiosos acreditam que o uso excessivo das NTIs possa fragmentar a identidade do indivíduo.
Os diversos modos de utilização das NTIs são diferentes para cada pessoa – assim como ninguém é igual a ninguém. Diferentes pessoas estabelecem diferentes formas de se relacionar com o computador, dando diversos significados e sentidos a esse objeto. Pode ser um instrumento de trabalho, um utilitário; pode ser um instrumento de lazer e pode ser um instrumento de perversão e patologias – ou as três coisas alternadamente para a mesma pessoa, podendo gerar ideias fragmentadas de si e do outro (que pode ser real ou não), estimulando ações, que poderiam ter sido previsíveis, ‘se’ essa pessoa estivesse no convívio social e familiar e ‘se’ essa se sentisse segura para externar suas angústias e anseios.
Usando o termo hipermodernidade, podemos dizer que a sociedade contemporânea vive uma situação paradoxal, “[…] dividida de modo quase esquizofrênico entre a cultura do excesso e a moderação”, em que a pessoa encontra-se, de um lado, entre a exigência de ser, fazer e consumir de forma demasiada, e, de outro, a necessidade de lidar com o equilíbrio e de ser comedido. Podemos partir do princípio de que o conceito de identidade na pós-modernidade está fazendo uma comparação entre as chamadas ‘velhas identidades’ – que estão em declínio, e as ‘novas identidades’ – que estão surgindo e deixando o sujeito fragmentado. Mas toda mudança gera inquietude, medo, fracassos. Alguns sairão mais fortes e outros nem tanto. Os mais frágeis podem se desestruturar. Os mais estruturados podem crescer.
Existem duas hipóteses: a pessoa se identifica como ser humano e utiliza o computador como ferramenta distinguindo-o de si como algo estranho, oposto (uma máquina). E outra, em que a pessoa se relaciona com o computador como um igual, ou quase, estabelecendo-se num nível de confidente, companhia e amizade ‘real’.
Outra possibilidade é considerar a tecnologia como anonimato e a construção de uma nova Identidade. Aqui o anonimato é visto como estado libertador do sujeito, em que os indivíduos deixam de estar sujeitos à pressão da representação física, que por vezes não coincide com a sua auto-representação. Essa cultura da simulação oferece a possibilidade de “Identidades múltiplas”, ou apenas fantasias, fornecendo oportunidades de autoexpressão.
Mas existe outro aspecto da conversa eletrônica: o subjetivo. O aspecto subjetivo da tecnologia não está no que a informática faz por nós, mas no que ela faz conosco. Ou seja, a satisfação na comunicação quase instantânea. Isso pode ser um ‘cimento’ que dá às pessoas o sentimento de “pertencimento”, uma sensação de que, num grupo ou comunidade on-line, se escreve e imediatamente alguém pode retomar essa própria ideia, desenvolvê-la e remeter-me alguma coisa. Tais gratificações são estimulantes e produzem um sentimento de filiação, de pertencimento ao grupo, de reconhecimento.
Ao trafegar por essas duas esferas, instâncias online e offline, no ciberespaço, e processar seu ser, estar e agir, que o sujeito inteiro se fragmenta. A existência supõe uma performance no tempo e no espaço como construção da realidade de si e das coisas. Se conectar não é um problema, o problema é a hiperconectividade como condição de conexão contínua e generalizada na qual a pessoa está imersa através de seus dispositivos móveis de acesso à internet.
Vários hábitos da vida cotidiana são afetados pela forma como nos relacionamos com/pelas máquinas. Um deles é o hábito de escrever, mais especificamente das escritas de si, ou seja, da escrita como prática autorreferente. Escritas de si, ou falar de si, registros do cotidiano é uma prática saudável como forma de manter os pensamentos sempre à disposição como conversações consigo mesmo ou com os outros, autoconhecimento. O problema está nas escritas compartilhadas de forma instantânea, permeadas pelo imediatismo e pela urgência, compartilhadas e re-partilhadas.
Podemos imaginar que somos outra pessoa que ‘não a real’ e a sim a idealizada, aquela que gostaríamos de ser, ou aquela que almejamos ser, ou aquela que invejamos ser. Quando “nos mostramos” nas redes estamos ao mesmo tempo inventando quem somos enquanto sujeitos, tanto na vida online como na vida offline, com a diferença de que a internet é uma tecnologia que permite formas de expressão não antes imaginadas.
Na hipermodernidade, a vivência instantânea é do que está acontecendo no momento, regida por um imediatismo que paira sobre várias esferas da vida, em que, na lógica dos hiperconectados, esperar é perder tempo. Os relatos instantâneos são feitos para serem lidos em tempo real, como a novidade da informação; porém, ao mesmo tempo, esses fragmentos de vida, expostos em breves escritas, imagens, vídeos, registrados em formato de linha do tempo, formam uma espécie de diário, uma história pessoal. Porém, mesmo que estejamos diante de escritas instantâneas ou fotografias compartilhadas em tempo real em um feed de notícias, que se multiplica em diferentes telas, uma vida, ainda existe entre o acontecimento e o seu relato um certo tempo de elaboração do que foi vivido, por menor que seja. E é esse pequeno ‘espaço real’ que precisa ser preservado. É esse pequeno e mínimo tempo que precisamos captar, olhar.
Desconectar? Acredito que não. A rede é flexível, “conectável” e “desconectável”, tem várias entradas, múltiplas saídas. No universo das redes e da hiperconectividade é preciso aprender a conectar e desconectar, ir e vir.

Maura Castello Bernauer, psicóloga

Online, imaginária, percebida, suposta… De quantas realidades se faz o Eu? Lei mais aqui.

 

Dependência tecnológica: o que parece ser natural pode ser uma doença

[fb_button]

 Cada vez mais popular, o uso da tecnologia vem mudando paulatinamente o comportamento individual e coletivo, criando novos arranjos sociais e psíquicos. Porém, seu uso excessivo tem levado muitas pessoas a um quadro patológico em que uma das designações é “Dependência Tecnológica”. Isso ocorre quando o uso da internet, jogos, redes sociais se tornam compulsivos, causando prejuízos na vida pessoal, social e profissional, além dos danos à saúde. Para entender melhor, falo um pouco sobre o que é a compulsão; sintomas comuns em outras patologias como a dependência química, o vício em jogos, compras, comida, no TOC e em tantos outros transtornos psíquicos. A compulsão é quando o indivíduo tem um impulso irresistível que leva a repetir um ato independente de sua vontade, isto é, acontece quase automaticamente, sem controle.
A internet, redes sociais e jogos eletrônicos são utilizados como ferramenta para facilitar a comunicação, aliviar a tensão, distração e prazer. Mas quando o usuário perde o controle (sem perceber) da utilização destas ferramentas, promove a facilitação para a dependência. O que inicialmente é para aliviar e dar prazer, pode potencializar o sofrimento e desconforto; é só observar como exemplos o quanto o Whatsapp aumenta a ansiedade quando a resposta a uma mensagem não é imediata; quanto a depressão se acentua quando o indivíduo percebe a vida “perfeita” dos amigos no Facebook; pessoas em bares e restaurantes voltadas aos seus celulares sem interagirem umas com as outras; crianças e jovens disponibilizando a maior parte do seu tempo sozinhos na frente de um vídeo game. Estudos indicam ainda que alguns aspectos estão relacionados a dependência como a baixa autoestima, insegurança, timidez, falta de pró-atividade, como fatores que colaboram para o excesso no uso da internet. Muitas vezes esse uso incontrolável pode provocar desconforto e sentimento de culpa (Young in Azevedo, Nascimento & Souza, 2014).
O que agrava a situação é a dificuldade de percepção dos usuários quanto ao tempo e à necessidade da utilização dos meios tecnológicos e consequentemente o comprometimento de suas atividades. Segundo o psicólogo Cristiano Nabuco, doutor em psiquiatria e coordenador do Grupo de Dependência Tecnológica da Universidade de São Paulo (USP), há oito itens que descrevem exatamente esse uso excessivo já migrando para o que se chamaria de uso patológico:
1. Preocupação excessiva com a internet;
2. Necessidade de aumentar o tempo online para ter a mesma satisfação;
3. Exibir esforços repetidos para diminuir o tempo de uso da tecnologia;
4. Apresentar irritabilidade ou depressão;
5. Quando o uso da internet é restringido, apresentar instabilidade emocional;
6. Ficar mais conectado do que o programado;
7. Ter trabalho e relações sociais em risco;
8. Mentir a respeito da quantidade de horas conectado.
Preste atenção no seu comportamento e das pessoas próximas a você e se necessário busque ajuda profissional para auxiliá-lo na detecção da dependência e no desenvolvimento desta patologia moderna!

Karen Torquato Bronzate, psicóloga

Online, imaginária, percebida, suposta… De quantas realidades se faz o Eu? Lei mais aqui.

Tecnologia e desenvolvimento humano

[fb_button]

Vida moderna.
Com um rápido clique tudo acontece. Falo com quem está muito distante, faço compras, fecho negócios, acesso informações, me mantenho atualizado e conectado ao mundo todo. Não há mais fronteiras, somos todos cidadãos do mundo. E tudo isso está na palma da mão, no celular.
Mas, muitas vezes não sei o que está acontecendo bem aqui, embaixo do meu nariz, dentro da minha casa com as pessoas do meu convívio diário ou no meu próprio coração.
Quem ainda faz uma visita a um amigo? Dificilmente se tem tempo para fazer visitas e verdadeiramente conversar, falar da vida, das nossas escolhas, trocar ideias, falar de si e ouvir o outro.
A tecnologia nos consome, as relações acontecem no WhatsApp através de frases curtas e pontuais. Fotos no Instagram ou no Facebook informam o que está acontecendo na nossa vida para os nossos familiares e amigos. Muitas reuniões e conversas importantes não acontecem mais pessoalmente, mas sim pelo Skype.
A solidão é uma presença constante e conhecida por todos, sem exceção. Até mesmo as crianças sofrem deste mal na nossa época atual.
A tecnologia é indispensável para a vida moderna. Um profissional que não utiliza o computador como ferramenta de trabalho hoje em dia está obsoleto. Certamente irá perder em competitividade e eficiência. Não estará conectado ao mundo moderno.
No entanto, até mesmo nosso lazer foi invadido pela tecnologia. Os jogos eletrônicos tomaram um grande espaço na vida de muitas crianças, jovens, adolescentes e adultos, o que tem limitado muito as habilidades sociais na nossa sociedade moderna.
Como resolver conflitos? Bloqueando no Facebook, apagando o histórico? A única forma de resolver conflitos é lidando com eles. É trabalhoso, muitas vezes doloroso, mas sempre enriquecedor.
O ser humano é um ser social, nós precisamos uns dos outros. Nós nos conhecemos através dos relacionamentos, no espelhamento e no confronto com o outro. Só assim geramos calor, energia para viver intensa e plenamente.
Nosso desafio na atualidade? Manter-se atualizado, conectado e usufruir das inúmeras possibilidades que os meios eletrônicos oferecem, e, ainda assim, cultivar o que há de mais humano, o relacionamento.
É o relacionamento humano que torna a vida mais rica, mais complexa e mais bonita de ser vivida.

Patrícia Gimael, psicóloga

Online, imaginária, percebida, suposta… De quantas realidades se faz o Eu? Lei mais aqui.

Vida virtual X Vida off-line

[fb_button]

Muitos de nós já nos vimos cenas com várias pessoas reunidas em uma mesa onde todos estão com os olhos fixos no celular; ou vivenciou, com você e o seus filhos em casa, cada um no seu quarto com os olhos fixos na tela de um computador.

Podemos passar horas descrevendo cenas de como todos nós ‘andamos’ vivendo vidas muitos mais virtuais do que nossa vida real; as próprias redes sociais estão repletas de exemplos.

Muitas vezes o mundo virtual pode ser bem mais atraente do que a vida real. Fixar-se neste mundo é muito fácil e rápido, além de gerar prazer, alívio e fuga imediatos para muitas chateações e incômodos da vida real. Pode, por isso, se tornar um problema com consequências reais, como por exemplo deixar de cumprir compromissos, deixar de estudar, de trabalhar, de conviver com a família, com os filhos, namorar, levar a bater o carro, sofrer um acidente. Pode inclusive, sem nos darmos conta, levar à dependência e em casos mais graves precisar até de tratamento médico e psicológico.

Fará muito bem para a nossa saúde física e mental localizar a função off-line dos nossos equipamentos de conexão e usá-la com mais frequência, para nos desligarmos do mundo virtual e vivermos a vida real 100% no presente com todas as emoções reais. Buscar o equilíbrio é sempre a melhor resolução. Do contrário, corremos o risco de nosso status de vida real estar sempre off-line.

Rose Silva, psicóloga

Online, imaginária, percebida, suposta… De quantas realidades se faz o Eu? Lei mais aqui.

 

Uma linguagem que nunca pensei que se tornaria minha

[fb_button]

Há 20 anos atrás comprei meu primeiro computador. Pensei na época: “estou comprando para meu filho usar”. Ele estava com cinco anos de idade.
Eu não via necessidade do mesmo, pois já tinha vivido 40 anos sem ele.
Logo em seguida fui fazer um curso de reciclagem em Psicologia e lá me disseram que os comentários das leituras deveriam ser entregues via email?! Começou aí meu contato com a informática, aprendendo na “marra”, tentando-errando, brigando, enfim, sendo alfabetizada numa linguagem que nunca pensei que seria minha.
Sites, Blogs, Face, MSN, Chats e tudo mais foram sendo agregados de uma forma natural.
Com tanta facilidade que a tecnologia nos oferece, tornamo-nos mais e mais atraídos e até dependentes dela.
As vantagens da internet são indiscutíveis. Ela encurta distâncias, o que é muito positivo no sentido do conhecimento. Mas percebo que as relações interpessoais estão caminhando nesta mesma corrente, só que inversa. Não preciso estar ao lado da pessoa para dizer que amo – anexo uma figurinha e pronto. Sabe aquela coisa gostosa de tomar um cafezinho com um amigo? Ficou ocasional…
Os jovens parecem estar sendo mais afetados por esta dependência. Os games cada vez mais exploram a realidade virtual de uma forma impressionante, pois fazem o jogador interagir como se estivesse dentro desta realidade. Isto é fascinante. “Sou guerreiro, sou herói, enfrento obstáculos e tudo mais”. Os apreciadores disputam jogos online com equipes muito distantes, geograficamente falando.
Dependência virtual é um assunto polêmico e delicado. Dependência da vida real, qualidade de vida, sabores, cores, aromas, natureza, esta nunca irá desaparecer.
E pensar que há 20 anos atrás nunca iria necessitar desta Tecnologia.

Lydia Janaudis , psicóloga

Online, imaginária, percebida, suposta… De quantas realidades se faz o Eu? Lei mais aqui.