Expandir para conquistar

Fico impressionada com a quantidade de ideias, sonhos e planos que são abortados todos os dias. Deveriam existir campanhas antiaborto para eles. Eu seria a primeira da fila a protestar a respeito de quantas possibilidades são extinguidas no “útero das ideias” – a mente -, antes mesmo de saírem pela boca, simplesmente pelo fato de as pessoas não acreditarem que são possíveis.

Tudo começa na mente. Desde uma simples cadeira até um negócio bilionário, todas as coisas iniciam como uma ideia. Alguém acredita que aquilo é possível, toma uma decisão e começa a agir: planeja, obtém recursos, executa, erra, corrige e faz o necessário para transformar a ideia em realidade.

Esse alguém não nasce pronto para o desafio. Ele não tem sucesso nos seus planos por já ter tudo o que precisa dentro de si. Não. Ele tem sucesso porque acredita que é possível. O desafio tem seu próprio papel na história: vem preparar essa pessoa e permitir que ela cresça, se desenvolva, aperfeiçoe suas habilidades, aprenda no caminho e consiga, por fim, vencer.

A ação de vencer, de conseguir a vitória, é a pura definição da superação. E quando falamos em superar a si mesmo, o que significa? Vencer a si mesmo. Acrescento ainda: vencer suas próprias crenças sobre o que é possível ou não de se realizar.

Certa vez vi no perfil do Tony Robbins a seguinte frase: “A maior força da personalidade humana é a necessidade de ser consistente com aquilo que definimos que somos”. O significado disso é tão profundo que remete ao senso de identidade de cada um. O ser humano cresce e aprende, através de suas experiências e educação, qual a melhor maneira de viver nesse mundo. Aprende o que “funciona” e o que “não funciona” para ser amado, não sofrer e, por fim, sobreviver.

Esse conjunto de crenças se refere ao mundo à sua volta, às pessoas e, especialmente, a si mesmo. Cada indivíduo cria uma concepção a respeito de quem é, quais são suas capacidades, suas possibilidades na vida, o que é esperado dele e o que ele pode esperar dos outros e da sociedade. Isso é tão forte que direciona todos os seus comportamentos e ações.

Sendo assim, o senso de identidade é o que, segundo Tony, é necessário expandir. Não necessariamente modificar, mas expandir. Torná-la maior do que é. Ampliar aquilo que cada um acredita sobre si mesmo, sobre o que pode ou não fazer, sobre o que merece ou não alcançar.

Ao expandir essa identidade, o ser humano consegue se superar e alcançar coisas que antes não conseguia. Consegue entender, vislumbrar, imaginar, projetar o que antes acreditava ser impossível.

Do contrário, a pessoa começa a sabotar os próprios esforços, a abortar suas ideias, sonhos e planos, pois não acredita na possibilidade de vencer, ser alguém melhor e ter uma vida melhor. Ao compreender quais limitações está impondo em si mesma, ela pode mudar esse pensamento e, com isso, mudar seu rumo, suas ações e seus resultados.

Pode-se dizer então que a expansão precede a superação. Antes de se ter mais – a vitória pessoal, a felicidade, o sucesso, o reconhecimento, o ganho financeiro, tudo aquilo que acompanha a superação -, é necessário acreditar e ser mais. Depois, fazer mais.

É sempre tempo de expandir para conquistar. Às vezes, um olhar de fora e o apoio correto fazem a diferença e um processo de coaching, por exemplo, pode ser o ponto de virada para isso. Permita-se!

Priscila Zart é Coach e Publicitária

Conquistar e se tornar refém…

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O ser humano é motivado ao novo, precisa estar sempre em constante movimento, de busca, de luta, de fazer escolhas. O engraçado disso é que, quando desejamos algo, lutamos incessantemente até possuir, mas quando possuímos acabamos por nos esquecer do quanto desejamos aquilo e torna-se comum a conquista – e novamente nos prendemos ao eterno círculo vicioso de nos empenhar novamente em novas conquistas. Diante disso, podemos dizer que o ser humano é mesmo um eterno insatisfeito?

O que isso tem de errado? A princípio, nada, se você se mantiver grato e feliz com a conquista, não apenas descartando como se não tivesse mais importância. Porém, se você está na lista dos eternos insatisfeitos e age apenas no automático impulso de ter, ter e apenas ter, tem sim, algo de errado nisso.

Por que essa necessidade? Já parou para pensar o que pode ter por de trás disso?

Todo excesso, sabemos, esconde a falta. É nas compras seu grande dispêndio energético? São bens materiais? São conquistas profissionais? Ou seriam as amorosas?

É no lado amoroso seu tendão de Aquiles? Luta para conquistar alguém, perde noites de sono, manda flores, manda presentes, mensagens, leva para jantar, muda seu visual, para ver se chama atenção e, depois de muitas lutas, consegue! Conquista realizada com sucesso! E o que devia ser motivo de comemoração e curtição começa uma descida desmedida de esvaziamento, de perda de interesse, de falta de graça. Mas o que é isso, afinal?

O que faz você querer sempre o novo? Por que não se satisfaz com o que conquistou, o que há de errado? Chamo isso de inconstância afetiva e vulnerabilidade a mudança, o que torna o sujeito pouco tolerante e cada vez mais prisioneiro de fazer escolhas, de mudar e nunca estar satisfeito dentro de nenhum relacionamento, até mesmo no âmbito das amizades e relações familiares, podendo direcionar até mesmo a algum transtorno do humor, onde o processo de afetividade do sujeito é prejudicado.

No campo profissional, algumas mudanças são bem-vindas, quando tratamos por exemplo de crescimento, de carreira, de sucesso, de aquisição de novos conhecimentos, novas habilidades, sejam cursos, idiomas, tecnologias, enfim, alguma ambição é natural e necessária. O mundo não se moveria se só existissem os acomodados. Nada contra, mas ação, num mundo globalizado, é a palavra de ordem. Quem fica parado é como camarão que dorme e a onda leva – já ouviu isso?!

Se a motivação para alcançar objetivos está canalizada para seu lado profissional, nada mal desejar crescer e alcançar sucesso profissional, mas temos que concordar sobre a necessidade do crescimento do todo, da melhora enquanto ser humano, e junto desse pacote colocamos os aspectos emocional e espiritual da existência.

Aliás, vamos clarear o que é motivação: é o direcionamento do pensamento, atenção, intenção, ação e energia para a realização de um objetivo. Essa força que ativa o comportamento do sujeito à ação abarca outros elementos, como muita vontade, desejo, esperança, fé e outros esforços.

Gostaria de deixar uma frase de Sartre, um grande filósofo existencialista, para quem a liberdade total e é a capacidade de escolher entre duas ou mais possibilidades. Dizia Jean Paul Sartre: “o homem está condenado a ser livre, com outros homens livres”. Pensando nisso, perceba o peso da escolha e o peso da liberdade, pois liberdade nada mais é do que um eterno fazer escolhas!

Renata Hagge, psicóloga

Você é um eterno insatisfeito? Entenda por que as conquistas perdem a graça. Leia mais.