Reconheça suas conquistas e renove seus sonhos!

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Lembro-me de quando era ainda uma criança, com meus cinco ou seis anos de idade, e pedia aos meus pais um brinquedo novo dizendo: “Quero apenas este, depois não preciso ganhar mais nada!”. Recordo-me ainda de que algum tempo depois lá estava eu novamente dizendo a mesma frase a eles. Nesta época já começava a me dar conta do quão angustiante, prazeroso e necessário era ocupar o posto de um ser eternamente desejante. Creio que este, dentre vários outros motivos, me impulsionou para seguir estudando o comportamento humano e contribuíram para a escolha da minha atual profissão: psicóloga.

Por um lado, a sensação de insatisfação pode ser considerada positiva, pois é a ideia de que algo ainda nos falta que nos impulsiona a levantarmos da cama diariamente e irmos em busca de nossos ideais. Por outro lado, se tal busca se torna frenética, é possível que se desencadeie em um adoecimento psíquico. A busca acelerada por alcançar mais e mais objetivos pode nos levar, por exemplo, a um quadro de ansiedade patológica, motivada por uma preocupação exagerada e um medo incessante de não conseguirmos alcançar o que desejamos. Quadros depressivos também podem surgir por meio de uma insatisfação crônica com a vida, levando-nos a cessarmos nossas buscas e a ocuparmos um lugar de estagnação e desesperança persistente.

Para não corrermos o risco de cairmos em um quadro de adoecimento, tanto pelo excesso quanto pela falta dessa busca pela felicidade, um grande desafio nos é imposto: encontrarmos o caminho do meio, o equilíbrio. É importante aceitarmos o fato de que haverá sempre algo mais a ser conquistado, e de que isso é bom, sinal de que estamos vivos e cheios de energia! É importante também que retiremos um tempo para visualizarmos e contemplarmos nossas conquistas. Para isso podemos criar, por exemplo, uma lista de tudo aquilo que já conseguimos alcançar até o momento. É preciso nos darmos conta de nossas conquistas, não para dizermos “Ok, nada mais me falta agora!”, mas para exercermos a gratidão, renovarmos nossas energias e dizermos: “Nossa, consegui tantas coisas importantes! Qual o meu próximo sonho agora?”.

Luciene Morais Batista, psicóloga

Você é um eterno insatisfeito? Entenda por que as conquistas perdem a graça. Leia mais.

 

Por que as coisas perdem a graça depois que as conquistamos?

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“Mãe, compra aquela boneca pra mim?”

Isabela, de 7 anos, só fala da boneca nova que sua amiga ganhou de aniversário. Fala, pede, implora, até que sua mãe, com muito sacrifício, compra. Após alguns dias de alegria, a mãe vê a boneca esquecida no sofá enquanto Isabela brinca com outros brinquedos.

João, Engenheiro de 35 anos, após muita dedicação, finalmente consegue a tão esperada promoção: agora ele é Coordenador! Após alguns meses, João fica desanimado com o trabalho pensando em “como deseja o cargo de gerente”.

Por que as coisas perdem a graça depois que as conquistamos?

O pensamento de Jacques Lacan nos ajuda na compreensão deste fenômeno. Pensemos o seguinte: somos corpo e fala. Sentimos algo no corpo e tentamos “traduzir” o que se sente através da fala (linguagem). Obviamente, essa tradução não é perfeita, como qualquer outra tradução também não o é.

O Ser Humano é marcado por um “buraco”, uma “falta”, algo que Chico Buarque tentou descrever em sua música “O Que Será (À Flor da Pele)”, mas que não consegue ser nomeado: trata-se do “Objeto a” (uma das grandes contribuições de Lacan para a Psicanálise). O “Objeto a” é aquilo que falta e que, ao ser nomeado, se desloca para um segundo lugar. Ao nomearmos este segundo “Objeto a”, ele vai para um terceiro lugar e assim por diante. Ou seja, é um objeto de desejo e, ao mesmo tempo, causa do desejo. Ao ganhar a boneca, Isabela passa a desejar um outro brinquedo; quando ela conseguir este segundo brinquedo, passará a desejar um terceiro e assim por diante.

Mas então nunca ficaremos satisfeitos?

Ao ser questionado sobre a definição de amor, o poeta Charles Bukowski diz: “Amor é como quando você vê a névoa de manhã quando você acorda antes do sol nascer. É um breve instante que depois desaparece”. A nossa satisfação é fugaz, é momentânea como o primeiro raio de sol ao amanhecer. Ela pode ser a boneca da Isabela; a promoção de emprego do João; o instante do gol do seu time de futebol favorito; o momento de um orgasmo; um dia de aniversário; um beijo ou simplesmente o instante em que um bombom Lindt estoura dentro da sua boca…

A felicidade está justamente na jornada, na busca, nos deslocamentos dos “Objetos a”. Isabela deseja a boneca hoje, amanhã desejará um celular novo, mais tarde desejará ser uma advogada, depois desejará casar e, um dia, poderá ouvir de sua filha a seguinte frase:

“Mãe, compra aquela boneca pra mim?”

Jardel EstevãoPsicólogo e Psicanalista

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