Manter-se tranquilo em meio à turbulência

Sandra Veroneze
sandra.veroneze@pragmatha.com.br

aExistem circunstâncias que podem ser controladas e outras que não – já diziam os filósofos estoicos, dentre eles Sêneca e Epicuro. O conselho, proferido há mais de dois mil anos e muito sábio até os dias atuais, resumia-se basicamente a nos atermos somente aos aspectos controláveis da vida se quiséssemos ter um mínimo de bem-estar.

Fenômenos da natureza, atitudes de outras pessoas e trânsito são apenas alguns exemplos do que não controlamos. Por mais que tenhamos força do pensamento, tecnologia e boa vontade para fazer o impossível, esses são elementos que não conseguimos manipular ao sabor de nossos desejos.

Por outro lado, existem algumas coisas que conseguimos manter num nível razoável de manejo pessoal. Nossos pensamentos, nossos sentimentos e nossas ações são alguns exemplos.

Como reagimos aos fatos, portanto, está inteiramente sob o nosso controle, certo? Mais ou menos. Algumas teorias antigas dizem que temos somente 5% de livre arbítrio. Todo restante seria resposta automática e condicionada de nosso inconsciente, de nossos instintos e de nossa educação.

Mas o que parece desanimador à primeira vista esconde, na verdade, um grande tesouro. Os 5% que nos cabem podem mudar tudo. Experimente inclinar à esquerda ou à direita cinco graus em uma linha reta que você esteja desenhando no chão ou papel. Não tardará para em pouco tempo estar bastante distanciada do que seria o traçado original, caso continuasse em linha reta.

Os 5% influenciam nossas escolhas. Levantar todos os dias está nestes 5%. Alimentar-se bem, ter hábitos saudáveis, praticar algum esporte, manter um bom nível de relacionamento com os colegas de trabalho, prezar por amizades verdadeiras, cultivar pensamentos que favoreçam e tantos outros, também… Ler este artigo está nos 5%.

Ou seja, escolher o que fazer com as 24 horas do dia está inteiramente sob o nosso controle. E não é pouca coisa. É, simplesmente, tudo!

Sandra Veroneze é Filósofa Clínica

2 thoughts

  1. Texto enxuto como soi minha amiga. Não perdestes a mão pequena. Você sabia que, nos dias de baixo astral, releio o prólogo que fizestes em meu livro e me sinto melhor? Pois é. Falar com o coração é o que há. Um pouquinho do que faço. Batalhando para conseguir me inserir na mídia escrita e, talvez, até falada. Sinto muita falta das reportagens e das cronicas postadas. Aqui em Campinas ainda não achei alternativa. Mas estou participando de alguns sites que podem, talvez, abrir-me algumas portas. Independente disso, peço que, se você quiser, é claro, participar do caderno literário quanto reabri-lo.

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