O equilíbrio por uma perspectiva oriental

Você acredita que poderia trabalhar até morrer, literalmente? No Japão, existe até uma palavra para descrever essa situação extrema: karoshi. De acordo com uma recente pesquisa do governo japonês, 20% da força de trabalho enfrenta o risco de morte por excesso de trabalho, ou seja, um quinto dos trabalhadores no Japão.

Embora esta situação ameaçadora à vida ainda possa parecer distante para a maioria, sintomas comuns, como dores de cabeça, aperto no peito, distúrbios digestivos, dores nas costas e estresse diário no local de trabalho são um lembrete constante de nossos desequilíbrios para grande parte de nós. Mais cedo ou mais tarde, podemos escolher conscientemente fazer mudanças em nosso equilíbrio entre a vida pessoal e profissional ou ter nossas próprias limitações físicas nos obrigando a parar para refletirmos a respeito. Então, por onde começar antes de ser afetado pela próxima doença relacionada ao trabalho?

Antes das pesquisas empíricas da ciência ocidental, as tradições orientais há muito tempo vêm nos mostrando maneiras mais harmoniosas de lidar com essa questão. Por exemplo, o bagua chinês pode ser uma ferramenta poderosa de coaching para abordar nossa vida moderna, mesmo que suas origens tenham mais de cinco mil anos.

O equilíbrio no nosso trabalho só pode ser alcançado quando nos permitimos ser flexíveis. Essa flexibilidade começa a partir de dentro, a capacidade de não ser muito rígido nem muito “mole” consigo mesmo. A partir daí, expande-se aos outros à nossa volta e às estruturas das quais fazemos parte. Você se curva passando pelas diferentes áreas de sua vida sem o medo de se quebrar diante da sua própria rigidez e, por outro lado, não se apresenta tão leve a ponto de ser levado pelas expectativas dos outros. Como podemos então ter a coragem de sermos flexíveis? A resposta está em conhecer suas raízes, confiar em seus valores e então se permitir fluir com os outros. Uma vez profundamente enraizados, existem diferentes maneiras de responder às pressões externas de vida, dependendo de sua intensidade.

A antiga metáfora do bambu simboliza como podemos ser flexíveis nas interações com outras pessoas e com o ambiente ao nosso redor:

Interações leves: como o bambu, quando se movimenta diante da mais sensível brisa, também podemos responder suavemente às leves interações externas e quando os outros conhecem sua sensibilidade e capacidade de resposta, você pode aumentar as possibilidades das pessoas ao seu redor cooperarem com você de uma maneira mais gentil.

Interações médias: quando enfrentamos uma interação mais desafiadora com outras pessoas, pode ser uma difícil negociação, uma reclamação inesperada ou um mal-entendido mais significativo, o bambu nos ensina a não “bater de frente”, a não reagir impulsivamente ou chocar-se contra os outros – isso resultaria em um considerável desperdício de energia. À medida que a pressão externa se acumula, a árvore de bambu usa sua elasticidade, dobra e envia a energia de volta à sua origem. Esta é a essência da maioria das artes marciais: utilizar inteligentemente a força do próprio oponente.

Interações pesadas: quando enfrentamos uma grande crise externa e uma tempestade de mudanças, é fácil ver a maioria de nós se enrijecendo internamente para um modo de sobrevivência e ficando na defensiva. Como a maior parte das árvores inflexíveis na floresta, muitas poderão acabar quebradas ao meio ou até mesmo desenraizadas. No entanto, o bambu suporta não apenas os invernos frios e os verões quentes ao extremo, mas também podem ser as únicas árvores remanescentes após a passagem de um tufão, mostrando-nos novamente a importância da flexibilidade e estando firmemente aterradas e enraizadas.

Enquanto muitos acreditam que um equilíbrio entre trabalho e vida – e, mais recentemente, integração entre vida profissional e profissional – é uma utopia distante de sua realidade de trabalho, pequenas mudanças baseadas na flexibilidade, escolhas conscientes e práticas diárias podem gradualmente levar à significativas transformações pessoais e profissionais.

Gregor Matsuda Tavares é Coach e Terapeuta Integrativo

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