O caminho é onde você está

Quando paro para pensar em como minha vida já mudou, fico impressionada e admirada com a beleza de toda essa impermanência.

Quando adolescente, queria ser psicóloga, como a maioria das meninas daquela época. E foi num teste vocacional onde tive uma das minhas primeiras experiências com decisões sobre escolhas profissionais. O relatório do teste indicava um gráfico perfeito para uma psicóloga, se não fosse o tal item que recebia o nome de “abstração”.

Lembro-me como se fosse hoje daquela devolutiva, ímpar e pouco habilidosa, quando se trata de falar sobre expectativas e sonhos para uma adolescente com um pouco mais de dezessete anos. No primeiro momento fiquei triste, ou melhor, arrasada. Logo em seguida, pensei em como poderia aproveitar todos os recursos que eu tinha, e fazer o melhor com aquilo, direcionar para uma profissão que eu pudesse me desenvolver (já comentei em outro artigo que tenho a habilidade da resiliência bem presente e desenvolvida comigo, e foi o que ajudou na época também).

Escolhi então, entre tantas opções, cursar Ciências Contábeis (pois é, sou uma Contadora de formação, e por vezes uma Contadora de Histórias). Fiz toda a formação de Ciências Contábeis, o que foi muito importante. Através dela consegui ter uma base forte de Gestão de Processos, Negócios, Aspectos Legais, Jurídicos e Relações Humanas, entre tantos outros aprendizados.

Além das pessoas incríveis que me ensinaram muito, teve uma pessoa em especial, sogra da minha colega que dividiu comigo o trabalho de Conclusão de curso. Ela é massoterapeuta. Fui fazer algumas massagens na época do trabalho de conclusão, período em que estava muito esgotada mentalmente: trabalhava oito horas por dia, fazia sete cadeiras e mais o TCC. No primeiro atendimento ela percebeu que eu tinha problema de circulação, e eu contei que se tratava do Fenômeno de Raynaud, ou seja, uma hipersensibilidade às mudanças de temperatura, e que apresentava má circulação sanguínea nas regiões periféricas do corpo, como mãos e pés. Ela me disse que eu deveria fazer trabalhos com as mãos, e que isso certamente ajudaria na redução dos sintomas. Na época, nem passava pela minha cabeça fazer qualquer atividade que eu tivesse que usar as mãos como instrumento de algo na minha carreira.

Claro que hoje eu não atuo como Contadora. Minha verdade era trabalhar com pessoas e para as pessoas. Percorri um caminho que sempre esteve ligado com essa minha paixão e as mudanças foram acontecendo naturalmente. A verdade é que as coisas vão mudando e passam a fazer sentido, e é isso que precisamos olhar e seguir.

Depois da minha formatura, busquei especializações e novas formações na área de desenvolvimento humano, comportamental, autoconhecimento e também voltados para espiritualidade, e segui esse caminho. Quando percebi, já estava atuando como Coach, dando aulas de Yoga, e usando o Reiki nos meus atendimentos e projetos. E hoje utilizo minhas mãos como ferramenta do meu trabalho também.

Aprendi muito durante o percurso da minha jornada e sei que ainda tenho muito a aprender. Compartilho aqui os meus principais aprendizados:
Não procure o conforto, procure a sua verdade – Às vezes, o que é mais confortável pode parecer o caminho certo. Mas preste bem atenção para ouvir se o seu coração quer mesmo que você continue neste caminho, só porque ele é confortável.

Um bom dia para morrer – Hoje pode ser um bom dia para morrer. Qual é a parte de mim que precisa morrer? O que eu preciso deixar ir para abrir espaço para o novo?

Mudando a mim e ao entorno – Não podemos ficar paralisados pelo medo de perder pessoas se a gente mudar.

  • Sonya Fhernandes é Instrutora de Yoga

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