Melhore sua autoeficácia

Você tem a tendência de ver o copo meio cheio ou meio vazio? Sabe aquela reunião de feedback com o chefe que a gente sai e fica o tempo todo pensando naquele único item de ‘ponto a melhorar’ que foi dito? E aquela prova cuja nota acabamos de receber e corremos para ver o que fizemos de errado? Se você se enxerga nesta lista de situações, a reflexão a seguir vai lhe ajudar.

Vivemos numa sociedade que nos cobra a melhorar nossos pontos fracos, como se isso nos levasse à excelência. Há quem diga que a consciência de nossas fraquezas é a chave para uma boa performance. O resultado disso é um volume enorme de pessoas desmotivadas, sem energia e totalmente insatisfeitas. Por conta disso, surgiram muitas teorias, como a Psicologia Positiva, Investigação Apreciativa e a Teoria da Autoeficácia, como maneiras diferentes de entender a relação entre comportamento, desempenho e crenças pessoais.

A Teoria da Autoeficácia diz que a maneira como enxergamos nossas habilidades determina como iremos nos comportar. Ou seja, somos agentes das circunstâncias de nossas vidas e não somente produtos delas. Mas o que isso quer dizer na prática? Simples: Na maioria das vezes, as crenças que temos sobre nós mesmos não são acuradas, tampouco assertivas e quando estamos diante de circunstâncias onde isto é posto em prova, tendemos a focar nos nossos erros e aspectos negativos, pois assim fomos treinados, lembra?

Considerando que estas crenças são a base da motivação, bem-estar e do senso de realização, podemos afirmar que muitas de nossas dificuldades de relações interpessoais e problemas de desempenho no trabalho, por exemplo, têm origem a partir de distorções cognitivas que criamos a respeito de nós mesmos. É neste aspecto que entra um ponto chave para a mudança dessa crença limitante: o autoconhecimento. Tendo em vista que só mudamos aquilo que (re)conhecemos, a autoconsciência constitui-se fator primordial para o exercício pleno da autoeficácia.

Como a autoeficácia não é um traço, que uns possuem e outros não, isso significa que todos nós temos a capacidade de influenciar nosso funcionamento interno, modificar e criar o nosso entorno, independente do que vivenciamos ou aprendemos no passado.

Dr. Albert Bandura, professor de psicologia social da Universidade de Stanford, afirma que existem quatro maneiras de desenvolvermos crenças pessoais positivas e aumentar nossa autoeficácia. A primeira delas é quando conseguimos atingir metas. Alcançar determinados objetivos na vida nos faz desenvolver autoconfiança, o que afeta diretamente nossas crenças pessoais acerca daquilo que somos capazes de atingir e realizar. Quando esta experiência é positiva, temos uma sensação prazerosa de autorrealização, ao passo que quando falhamos ao atingir determinadas metas enfraquecemos a nossa autoeficácia.

Outra maneira de desenvolver a autoeficácia é através do que Dr. Albert chama de Experiências Vicárias. Segundo ele, buscamos referências de comportamento em pessoas com as quais nos identificamos e que nos inspiram. Observamos como agem e se comportam, sobretudo em situações desafiadoras, e tendemos a imitá-las. À medida que somos bem-sucedidos neste processo, automaticamente nos sentimos motivados e isso reforça nossa crença de que também somos capazes de agir de determinado modo.

A terceira maneira de desenvolver a autoeficácia é por meio da Persuasão Social. Quando recebemos feedback construtivo de pessoas, isto nos faz sentir encorajados e confiantes a respeito de nossas capacidades.

Por fim, a quarta maneira de desenvolver a autoeficácia está relacionada ao nosso estado fisiológico e emocional, que exerce um papel extremamente importante na maneira como interpretamos nossas habilidades pessoais. A ansiedade, por exemplo, pode aumentar a insegurança causando um impacto negativo na autoeficácia. Por isso a relevância em se buscar equilíbrio nas emoções de modo assertivo a fim de mitigar o estresse, melhorar o humor e desenvolver a autoconfiança.

  • Eliana Totti é Psicóloga

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