É preciso prestar atenção em tudo?

No final de semana passado, estava eu na casa de uma amiga e, para nossa surpresa, pouco havia para o café da manhã. Então, ela pegou tapioca e disse que faria a mesma com ovo. Perguntou se eu comia aquilo. Diante da minha negativa, disse-me que era super fácil e passou a explicar-me. Neste exato momento, eu me desliguei. Isso mesmo, parei de prestar atenção e apenas concordei com a cabeça a cada passo que era dado.

Eu gosto de comer, não de cozinhar. Detesto cozinhar. Aliás, não cozinho. Por isso, quando alguém começa a me detalhar como fazer pratos, por mais simples que sejam, eu simplesmente escuto sem gravar nada do que a pessoa fala. Mas por que estou escrevendo essas bobices? Por que estou dando esse exemplo tosco?

Nos dias atuais, as situações que nos levam ao limite são cada vez maiores. Elas ocorrem na família, nos relacionamentos amorosos e de amizade e, principalmente, no trabalho. Às vezes (ou em muitas vezes), é preciso desligar-se. É difícil fazer isso, eu sei. Levei anos para estar apto. No entanto, quando você aprende, é algo fantástico. A pessoa que está incomodando você, enchendo seu saco ou o xingando fica falando, e você consegue apenas balançar a cabeça e desligar-se.

Não estou dizendo que devemos ser alienados do mundo. Mas você já se perguntou: é preciso prestar atenção em tudo? Quando estão a lhe contar uma tragédia horrível, a qual já é passado, o que você poderá fazer a respeito disso? Se seu chefe (ou líder em poucos casos) está esbravejando, e você precisa do emprego, é legal prestar atenção em tudo que é dito, sendo que você não poderá xingá-lo?

Claro, há situações e situações. O que quero dizer é que, quanto mais você conseguir desligar-se de situações ruins, melhor será seu estado de espírito. Trata-se de não absorver tudo que lhe é passado, de ser capaz de filtrar informações e ações, de saber quando ficar ou não ligado, de dar uma trégua ao cérebro que, depois, em casa, deixará ou não você dormir.

Portanto, já sabem: desliguem-se de vez em quando. Sua paz de espírito agradecerá por isso.

A propósito, você se desligou para ler este projeto de texto? Espero que não!

  • Márnei Consul é Professor e Diretor de Cultura

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