Crianças e tecnologia, um difícil equilíbrio

Quando eu era uma criança, a tecnologia era bem mais escassa que hoje. Não conhecia computador, celular, tablet… Eu brincava com bonecas, jogos de tabuleiros, pega pega, andava de bicicleta etc. Consequentemente vivia com o joelho ralado, cotovelos, às vezes o rosto também. Trinquei os punhos algumas vezes jogando vôlei. Essa era a visão “normal” da infância.

Nos dias atuais ser criança é um desafio. Por quê? Simples; porque cada vez mais estamos sem paciência, cansados, mal-humorados e, por vezes, para conseguir um pouco de paz dentro de casa torna-se mais simples entregar um celular com jogos para o seu filho do que sentar no chão com ele e brincar de carrinho.

Essa simples atitude pode causar problemas físicos, como obesidade (enquanto a criança está jogando no celular não está fazendo exercícios normais para a idade), problemas relacionados ao sono, a visão, desenvolvimento, entre outros.

Mas então o que fazer a respeito? Mesmo compreendendo que os pais levam uma vida corrida, complicada, estressante, que os deixam exaustos no fim do dia, a criança precisa de atenção, precisa que adultos sentem com elas e brinquem. Quanto mais conversar com seus filhos, mais eles irão se desenvolver. Eles precisam de estímulo para desenvolver novas habilidades e melhorar as que já adquiriram e para isso precisam dos pais.

A tecnologia pode ser uma grande aliada sim, mas em doses moderadas e sempre com a supervisão de um adulto. Por mais que a gente consiga programar o aplicativo para não mostrar conteúdos impróprios pra menores de 18 anos ou que faça um “usuário” kids pra controlar o que a criança assiste, se não tiver um adulto junto as coisas podem sair do controle rapidamente.

Então faça um esforço. Dedique mais do seu tempo para o seu filho. Ele prefere você a qualquer outra coisa ou pessoa. A tecnologia, por melhor ou mais avançada que seja, não irá substituir seu sorriso, palavras e atitudes. Quanto mais os pais trouxerem a criança para si (conversando, brincando…) mais afastadas elas ficarão de problemas de saúde, drogas, brigas etc.

  • Camila Schultz de Amorim é Psicóloga Clínica

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