Por que fazemos comparações?

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Comparações – ouvimos que não é saudável nos compararmos com outras pessoas e que a única comparação plausível é a nossa conosco (desempenho atual x desempenho anterior).
Por que fazemos comparações? Será que no íntimo do nosso ser acreditamos que dar uma chacoalhada na pessoa comparada com o “padrão” irá como que num passe de mágica se encaixar? Ou simplesmente fazemos comparações, porque não temos assunto para conversar e assim, como falamos sobre o tempo também fazemos comparações para iniciar uma conversa.
Em algum momento, já se perguntou o quanto essas comparações afetam quem está sendo comparado?
Pensando em redes sociais nós vemos fotos, vídeos das pessoas que passam a mensagem de estarem sempre felizes, se divertindo, viajando, sendo bem-sucedidas. Temos o pensamento automático de nos compararmos a essas pessoas e minimizar nossos ganhos pessoais, nossas vitórias diárias. A rede social na verdade é uma vitrine onde nos expomos, muitos para vender uma imagem de algo que nem sempre condiz com a realidade. Isso nos causa angústia, ansiedade, depressão, por buscar algo que não somos e não temos. Isto representa o eu ideal, aquilo que desejaríamos ser, quando na verdade deveríamos aceitar quem somos.
As redes sociais tendem a nos influenciar e estimular essas comparações, a começar pelos padrões que são criados e que mudam a cada dia, padrões de beleza, de vida social e profissional. É praticamente um código de regras a serem seguidas. Nos dizem o que vestir, onde comer, como se portar, enfim, tudo para você se adequar ao padrão e sobreviver ao mundo e a vida.
O ser humano está em constante desenvolvimento, podemos sim adquirir habilidades semelhantes àqueles com quem nos comparamos, mas nunca seremos iguais. Desde o nosso nascimento, passamos por situações que vão ajudando a modelar nossa personalidade, cada um com sua interpretação de mundo, que é pessoal.
Ora, se nem irmãos gêmeos idênticos são iguais, por que deveríamos todos diante das comparações nos tornarmos?
Temos a tendência a realizar comparações, mas dificilmente paramos para pensar o quanto isso pode afetar alguém com a personalidade fragilizada. O que quero dizer é que se a pessoa está depressiva e você diz, no estilo “olha a sua irmã está tão bem, por que você não fica como ela?”, essa fala pode simplesmente empurrar mais ainda a pessoa para a depressão. Trata-se de um erro cognitivo, erro no processamento da informação muito comum em quem sofre de transtornos psicológicos, é o pensamento tudo ou nada, ou o famoso 8 ou 80, a gente enxerga apenas uma parte do que é dito e esquece do resto, como se fosse uma verdade absoluta, anulamos todas as nossas potencialidades, realizações, tudo se apaga diante do que o outro tem melhor que eu.
Na realidade, quando nos comparamos com alguém fazemos apenas um recorte da situação. Ao fazer isso, não temos a percepção da amplitude, as comparações parecem errôneas, pois as vivências, as características de personalidade são inerentes a cada um, assim como o código genético também é, por isso penso que não cabem comparações, elas nos dão a falsa impressão de reflexão, e isso nos leva a conclusões precipitadas. O que cabe é a comparação consigo mesmo, do que você foi e do que é hoje. O ser humano está em constante transformação, nossas vivências e aquisição de conhecimentos vão se acumulando, o que somos hoje é diferente do que éramos há 10, 5, um ano atrás e do que seremos nos próximos anos futuros.
Desta forma, proponho sua reflexão, sobre o quanto de valor que proporcionamos a alguém quando fazemos comentários de comparação? Será realmente que a pessoa vai modificar um comportamento para uma atitude positiva ou irá se entristecer e se trancar em seus sentimentos? Será que no fundo queremos ser como os artistas e com todo o falso glamour das fotos profissionais, estamos tentando nos comparar e ficar mais próximos do que é ditado pela sociedade como o “padrão”?
Você ainda acredita que as comparações podem trazer algum benefício?

Liliane França, psicóloga

Coragem para se permitir

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Segundo os autores Ingrid Borba Hartmann e Sidnei Schestatsky, ambos médicos psiquiatras, em artigo para Revista Brasileira de Psicoterapia, baseando-se pela parte filosófica estudada por Freud que buscou associar a mitologia aos seus conceitos, tratou-se do tema da transgeracionalidade como uma ordem de herança vinda de ancestrais semi-deuses, que anteriormente até confundiam a forma como foi concebida a ideia de mundo. O que querem dizer com isto?

Dentro deste ponto de vista, ao pensar em herdar de seus ancestrais culturas, comportamentos, ideologias e valores que podem ter origem a partir de três gerações anteriores, temos heranças geracionais vindas de nossos bisavós.

Segundo Schestatsky e Hartman (2011) citando Freud:

Para compreender a transmissão do psiquismo entre sujeitos, e entre gerações, é fundamental compreender a relevância do papel do outro na formação do psiquismo do sujeito. As considerações pertinentes à transmissão psíquica entre gerações são encontradas já em Freud, em Totem e tabu (1913), ao se referir à continuidade psíquica na série das gerações – e também em Introdução ao narcisismo (1914), ao destacar que o indivíduo é, em si mesmo, seu próprio fim, mas se encontra vinculado a uma corrente geracional como elo da transmissão, sendo herdeiro da mesma.

A citação dentro do artigo para revista retrata um pouco do que os nossos pensadores dizem sobre o transgeracional:

“Aquilo que herdaste de teus pais, conquista-o para fazê-lo teu”.
Goethe, Fausto.

Segundo Käes(1998):

Em todas as dimensões desta crise, a questão da precedência do outro e de mais de um outro – de alguns outros – no destino do indivíduo persiste como uma espécie de desafio à compreensão da vida psíquica a partir dos únicos limites daquilo que a determina de maneira interna: a questão do sujeito define-se, cada vez mais necessariamente, no espaço intersubjetivo, e mais precisamente, no espaço e no tempo da geração, do familiar e do grupal, ali onde, exatamente – segundo a formulação de P. Aulagnier – o Eu pode vir a ser ou, tem dificuldade de constituir-se. (Kaës, 1998, pp. 5-6)

Após esta pequena introdução de conceitos, podemos voltar às perguntas:

Por que esta supervalorização tem que ser assim?

Na verdade, ela não tem que ser assim. Pensando no atualizado estudo de gerações X Y, algo desta ordem transgeracional aconteceu. Nossos pais e avós passaram por épocas muito difíceis dentro do contexto mundial, herdeiros de guerras, de superproteção para com seus filhos e netos. Para se ter uma constituição familiar boa, precisava-se batalhar, trabalhando, abrindo mão de lazeres ou do que muito se ouve por aí de “besteiras” do mundo tecnológico. Muito se ouve: “Na minha época não tinha isso…”; “Na minha época era diferente…”. Isso demonstra certa dificuldade em mudar. Boa parte das pessoas custou a acreditar que o mundo contemporâneo é bem diferente dos vivenciados em época passadas.

Para onde isso irá nos levar enquanto pessoas?

Pessoas que possuem um padrão fechado para novas experiências: isso pode ser um sinal de fixação, ou os famosos lutos mal elaborados de épocas anteriores. Isso faz com que a pessoa se fixe em uma época em que já viveu, enquanto o presente vai seguindo e a pessoa segue fielmente seus ideais retrógrados, ou seja, presa ao seu passado inconscientemente. A sociedade evoluiu. O que antes era muito criticado, hoje pode ser revisto e repensado, gerando uma visão mais ampla frente à possibilidade subjetiva de cada um. Não se trata de “loucura”, “frescura” ou a famosa psicofobia de pessoas que buscam ajuda. À época de nossos avós, existia uma generalização de que a loucura tomava conta da sociedade e graças à reforma manicomial, isto foi revisto. O diferente era isolado, expulso e, para manter uma linha geracional “pura”, não podiam existir diferenças. Podemos ir muito além. Quando pensamos na Segunda Guerra Mundial com Hitler, por exemplo, diziam que a raça caucasiana austro-germânica era superior aos judeus. Após muitos estudos sobre a personalidade dos nazistas, identificou-se que a mesma vem de uma ordem fanática e fiel às suas origens passadas, algo que talvez tenha sido reprimido. Ao vir o poder grupal que o nazismo criou em toda Alemanha, tal personalidade foi expelida de forma impressionante durante o Holocausto, algo que marcou uma geração inteira de judeus e o mundo com tamanha crueldade.

Após ler muito sobre seus conceitos dentro da psicanálise, posso afirmar algo que praticamente seria um dilema e muito visto em meu consultório:

“Aquilo que não enfrentamos na vida, acaba se tornando nosso destino”

Podemos dizer que a maior insatisfação contemporânea para os neuróticos clássicos e a ambientação da contemporaneidade é a culpa de viver o presente diferente daquilo que foi revivido pelos pais. Isso gera sentimentos de culpa, muitas vezes pedindo claramente: “Me permita dizer que posso fazer algo, pois minha família diz que não posso, a sociedade diz que não posso, a religião diz que não posso, e etc”. O que condiz com a dificuldade de sair deste fardo criado pelas gerações passadas: “O que é suado é mais gostoso”; “Se fosse fácil não teria graça”. Talvez, o medo de ser punido, seja pelo outro, seja por si mesmo, é tão insuportável que, infelizmente, muitas pessoas se submetem a estas questões.

O que é indicado para estes casos: Psicoterapia e Análise Pessoal.

O que desejo a nós, pobres mortais: Coragem para se permitir, pois muita coisa que anteriormente era “errado”, pode ter certeza que é questionável.

Por Carlos Augusto Gonçalves Muramoto, psicólogo e psicanalista

Supervalorizar o difícil pode prejudicar a conquista?

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Vivemos tempos altamente competitivos e individualistas. Faz parte de nosso sistema de vida a noção de que temos de nos esforçar ao máximo, estar à frente, fazer acontecer. Isso tudo pode ser verdade, por um lado, mas cobrar um alto preço para a saúde mental, por outro.

Na psicologia comportamental dizemos que quanto maior o esforço necessário para chegar a algum objetivo, menos provável é que a gente se mantenha na busca por esse objetivo. Isso porque nosso comportamento é mais influenciado pelas consequências imediatas (por exemplo, a decisão de comer um doce que está à mão agora ou usá-lo como prêmio por alcançarmos algum março importante da vida – é mais fácil comer o doce agora). O problema é que, se não estamos sendo influenciados tanto pelo objetivo que alcançaremos, porque é algo muito distante, só do mundo das ideias, então o que nos mantém lutando? Não ser fracassado, não ser julgado por si mesmo ou pelos outros e não decepcionar, estão entre as coisas que nos mantém lutando, mas percebem a quantidade de “não”? Daí que o objetivo atingido é algo muito legal, mas o processo pode ser permeado de sofrimento, se o próprio processo não for algo prazeroso em si. Quantas pessoas você conhece que levantam felizes toda manhã para trabalhar porque está juntando um dinheiro para realizar um sonho? Quantas o fazem só porque é necessário ou porque pelo menos terão tentado?

O mundo nos ensina que devemos sonhar grande, mas não nos ensina a fazer conscientemente a equilibrar um cotidiano feliz com a realização de um sonho. E vale a pergunta: esse grande sonho é seu mesmo ou é aquele que sua família, amigos ou a novela mostram como desejável? Se for seu sonho mesmo, cabe refletir como tornar o processo para chegar a ele menos penoso. Se não, é sempre bom saber: não há nada de errado em ser feliz com pouco, e ser feliz todos os dias.

Por Gabriella Mezzacapa, psicóloga

Competir x Colaborar

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“Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim…”

A chamada “Síndrome de Gabriela” descreve bem uma geração que se orgulhava desse jeito de ser, onde competir era a palavra de ordem. Reter conhecimento para sair na frente e ganhar o topo era o lema.

Não cabe mais nos dias de hoje tal comportamento; a mudança é inevitável e exige de nós comprometimento.

A chamada Geração Y, responsável por toda essa reviravolta no mundo, está mais antenada na partilha sem medo de ser feliz, por entender que, se um ganha, todos ganham, e a colaboração passa a ser parte importante desse processo.

Por meio das redes mundialmente interligadas passou-se a dividir saberes, experiências; logo vieram os serviços e uma onda gigantesca de startups, empresas predominantemente de jovens idealizadores a dividir Ubers, escritórios de coworking, cooperativas e etc…

Como conciliar, então, essa filosofia de vida mais tolerante e solidária com a crise financeira, moral e ética instaurada? Vale a reflexão.

Patrícia Mesquita, psicóloga

Hora de Colaborar x Hora de Competir. Você diferencia? Leia mais.

 

 

 

Você sabe o que é uma profecia autorrealizável?

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Todos nós, em determinadas circunstâncias, tendemos ao pessimismo. É o que o psicólogo Arthur Freeman chama de “catastrofismo”. “Catastrofizar” é acreditar no pior, no desastre, no perigo iminente, mesmo na ausência de evidências que apontem para esse desfecho.
Essa tendência a pensar no pior pode acabar fazendo com que o pior – ou algo tão ruim quanto – de fato aconteça. Trata-se da profecia autorrealizável, que é uma “previsão” sobre o futuro que influencia o comportamento da pessoa de tal forma que acaba se cumprindo.
Seguindo essa lógica: profecias catastróficas conduzem a resultados catastróficos.
O processo que leva ao “catastrofismo” e à profecia autorrealizável é desencadeado na medida em que a pessoa vai conversando consigo mesma e se convencendo do pior. Por exemplo, se eu acredito que posso ser aprovada em um concurso público, provavelmente escolherei um material de apoio adequado, farei um bom planejamento de estudo e a ele me dedicarei com disciplina e empenho, realizarei a prova com atenção e terei boas chances de alcançar o meu objetivo. Mas se, desde o início eu achar que não sou capaz, talvez nem chegue a inscrever-me no concurso; e se o fizer encontrarei, inconscientemente, outras maneiras de me autossabotar: não estudarei adequadamente, me distrairei com outras coisas ou desistirei ao menor sinal de cansaço. Afinal, se estou convencida de que “morrerei na praia”, posso considerar a possibilidade de parar de nadar como a menos frustrante.
Pense em um estudante, que aleatoriamente chamaremos de Douglas. Estudante dedicado, Douglas confia em sua habilidade intelectual e costuma se sair muito bem nas provas. Mas a simples ideia de apresentar um seminário o transforma em um “pudim ambulante”. Embora domine o conteúdo, ele tem certeza de que vai dar tudo errado e uma sucessão de cenas apavorantes lhe passa pela cabeça: “Vou ficar nervoso, com isso começarei a gaguejar, então vou me confundir todo, os colegas vão rir de mim e meu professor vai ficar furioso”.
Em pouquíssimo tempo Douglas não só escreveu o roteiro de seu fracasso como se convenceu que não podia fazer nada para evitá-lo. Então, a profecia se realizou: na hora do seminário, a língua de Douglas parecia estar “colada” ao céu da boca, suas mãos ficaram suadas, seus joelhos bambos e sua voz trêmula. O que Douglas não percebeu é que foi ele mesmo o responsável pelo desastre, ao deixar-se dominar pelo “catastrofismo” e colaborar para a concretização da profecia de fracasso.
E quantas vezes não vemos pessoas chegando à conclusão precipitada de que o “mundo vai desabar” e, dessa forma, criam problemas que de outro modo não existiriam?
Isso significa que o caminho é partir cegamente para o pensamento positivo? Não mesmo… Por óbvio que possa parecer, o mais saudável é simplesmente ser realista, e ser realista não significa acreditar alienadamente que nada de errado pode acontecer. Quem cultiva o pensamento realista não nega que o pior é uma possibilidade e sofre decepções como qualquer outra pessoa, mas não supervaloriza o perigo nem a decepção, não se deixa escravizar pelo medo e procura alternativas para melhorar as situações adversas. Pense nisso!

Ana Lúcia Pereira, psicóloga

Defeito. Será mesmo? Leia mais

Como lidar com as incertezas?

Como lidar com a incerteza? Seguindo a ótica de um analista de sistemas, pode-se pensar: esta incerteza me atinge? Se não, OK, vida que segue. Se sim, quais seriam as consequências (listando o maior número provável de situações), que poderiam ser: a) é identificável? b) qual a causa? c) qual a frequência: imediatamente, a médio prazo, a longo prazo? d) posso conviver com ela? e) diz respeito só a mim? f) envolve terceiros? g) é algo prático, do dia-a-dia? h) é algo emocional? i) … e assim por diante. Seguindo o conceito, para cada pergunta, uma resposta sim ou não, que podem ou não remeter a outras perguntas. E assim, vai-se formatando este fluxograma, que talvez nos dê as respostas para a premissa preliminarmente apresentada. Por outro lado, pode-se abordar uma metodologia científica: formular a afirmativa que se quer vir a provar (ou não). A partir daí, construir uma série de perguntas, espécie de questionário, com perguntas abertas ou fechadas (abertas = porque tal coisa… e fazer digressões sobre…; fechadas = resposta sim ou não). A partir de todos os questionamentos formulados, montaremos uma planilha com os resultados e passaremos à análise dos dados coletados. Com esta análise, podemos inferir soluções que os dados indicaram e aplicá-las. Pronto, a incerteza está clarificada, quantificada e solucionada. Ou talvez, não fazermos nada disso e utilizarmos a velha técnica humana que é conviver com ela, independente de qual seja, levando a vida em frente e muitas vezes deixando com que a incerteza se esmaeça ou se desvaneça com nosso maior/menor/pior/sei lá/inimigo/amigo: o tempo. Pessoalmente, penso que o tempo resolve todas as incertezas. Paulo Rocha, Captação, Comercialização e Produção de Eventos

Você lida bem com as incertezas? Leia matéria completa aqui.

“Sempre que estou na dúvida, não faço”

Lido bem com a incerteza. Afinal, sempre que estou na dúvida, não faço. Prezo, sempre, pela busca do conhecimento. Quando há incerteza, vou atrás de embasamento para que logo aquela incerteza torne-se uma certeza. Assim deveria agir todos os seres humanos: buscar subsídios para dirimir suas incertezas (nem todas são possíveis de dirimir, mas boa parte, sim). Rodrigo Massulo, Administrador de Empresas e Vereador

Você lida bem com incertezas? Veja matéria completa aqui

Sua disponibilidade para o ócio criativo diz muito sobre você

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Muitas pessoas dizem que dormir é perda de tempo. Que são tantas as atividades que querem realizar em um dia, que o sono as impede de fazer tudo que desejam. Quando avaliamos mais de perto esse pensamento, nos deparamos com dois paradoxos. O primeiro é que o sono é fundamental para a saúde e, portanto, se não dormimos, em algum momento o corpo para. O cérebro precisa do sono para organizar as informações do dia. O segundo paradoxo ocorre quando as pessoas param para avaliar como elas têm ocupado seu tempo. Deparam-se com a realidade de que o problema não é tanto a falta de tempo, como a forma como o tem ocupado. Algo semelhante ocorre com o ócio criativo. São tantas as tarefas, as metas, os compromissos, que as pessoas não acreditam que têm o direito de simplesmente não fazer nada. Se dormir parece um problema, imagina ocupar um tempo livre do dia para “nada”?! Porém, assim como neurologicamente precisamos dormir para organizar as informações do dia, o ócio também tem sua função neurológica. Segundo o neurocientista Andrew Smart, o ócio criativo ativa uma rede neuronal que nos permite maior conexão com a criatividade, com as emoções e com o inconsciente. Permite-nos estarmos mais conectados com nossos propósitos, valores e objetivos de vida. Quando não fazemos nada, nossa percepção de nós mesmos emerge na superfície. É enquanto não fazemos nada que percebemos o quanto estamos satisfeitos com as nossas vidas (ou não). O quanto estamos no caminho que escolhemos (ou não). O quanto amamos as pessoas que estão ao nosso lado (ou não). Como estamos conseguindo mudar o que nos desagrada (ou não). É verdade que nem sempre esse contato consigo mesmo será prazeroso, mas com certeza é um espaço para cuidar de si e da sua saúde mental. O primeiro passo para o desenvolvimento de melhor bem-estar é dar-se espaço para encarar as próprias forças e fraquezas. E é a partir desse auto(re)conhecimento que saberemos se somos capazes de seguir em frente com segurança ou se estamos precisando de ajuda. Tatiana Spalding Perez, psicóloga

Ócio sem culpa. Leia mais aqui

E você, permite-se exercer seu ócio criativo?

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Por que será que é difícil aceitar o que Kalina Christoff publicou na revista científica americana Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), de que o cérebro está bem mais ativo durante o devaneio do que se imaginava? A pesquisa comparou esse estado a um momento de raciocínio lógico. Ou seja, mesmo num ritmo menos acelerado, o cérebro está criando. Isso significa que distração e a diversão não são coisas de gente preguiçosa ou folgada. É também um caminho para ter boas ideias, manter a saúde e resolver problemas. Percebo que cada vez mais as pessoas vivenciam uma rotina automática. Não buscam um equilíbrio entre a agitação do dia a dia e horas de serenidade e até de devaneio. Para a psicanálise, o devaneio durante o dia ou os sonhos durante a noite podem trazer traços do nosso inconsciente, revelando desejos. Após uma interpretação desses traços muito pode ser revelado sobre o sujeito do sonho.
Cada ser humano, por meio do ócio criativo, poderá ter a chance de aproximar-se de sua subjetividade e ter muito mais qualidade de vida. A partir do momento em que a escolha é por sair da rotina de fazer o que todos fazem e buscar a criatividade e os diferenciais de cada ser humano, a pessoa possui a chance de evoluir emocionalmente. E você, permite-se exercer seu ócio criativo? Priscila Junqueira – Psicóloga e Sexóloga

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