Acreditamos na Harmonia enquanto Caminho

A harmonia traz consigo a ideia de bem-estar. Na imensa colcha de retalhos que é a humanidade, cada pessoa com seu jeito de ser e existir no mundo, se não houver uma disposição para o aconchego, para o receber, para o trocar, não há de haver uma vida desenvolvida em toda sua potencialidade.

O critério de harmonia vale para o outro e vale também para realidades interiores. Cada ser humano guarda em si um universo inteiro de possibilidades, seja de humores, seja de disposição, seja de leitura de mundo. Somos muitos ao longo de uma vida; somos muitos até mesmo ao longo de um dia.

A Harmonia, enquanto Caminho, nos diz para trilhar a existência nos equilibrando em nossas polaridades, idiossincrasias, sombras e possibilidades – o que por si só constitui um exercício e tanto.

Sandra Veroneze | Saber-se

Aprendemos uns com os outros

Aprender com a experiência alheia é um recurso disponível a todos com observação e escuta qualificadas. Não precisamos passar por todas as dificuldades da vida para adquirirmos, ao longo da existência, uma visão e um viver sábios.

No contato com o outro temos a oportunidade de acessar níveis profundos de conhecimento existencial. Isso exige paciência, disposição para o contato e em alguma medida um desapego de nossas próprias crenças e valores.

Vale a pena? Com certeza.

Sandra Veroneze | Saber-se

Acreditamos na Autossuperação

Levar a fronteira, o limite, para um pouco mais além, motiva muitas pessoas. O desafio de fazer mais e fazer melhor parece tocar algo muito profundo em cada ser humano, quem sabe reforçando a tese de que natural é a evolução, não a estagnação e nem o movimento involutivo.

Como cada um vive a superação de seus próprios limites é muito singular. Nós acreditamos que a melhor versão de nós mesmos está também em conscientemente, a cada dia, nos colocarmos de alguma maneira à prova. Alguns minutos a mais na caminhada, algumas páginas a mais na leitura diária, mais uma refeição com alimentação equilibrada, mais uma oportunidade em que se resistiu a um gasto desnecessário são alguns exemplos.

Superação traz consigo a ideia de trajetória, do ponto onde estamos, ou estivemos, e o ponto onde queremos chegar. Sonhos, metas e objetivos são a esteira da autossuperação.

Sandra Veroneze | Saber-se

Buscamos a Autorrealização

Cada um guarda em si inúmeras possibilidades e a medida da autorrealização, portanto, é muito singular. Alguns sentem-se realizados com uma vida agitada em grandes cidades. Outras pessoas preferem uma vida sossegada no campo. Alguns se sentirão realizados com uma carreira profissional exitosa. Outros tudo que mais almejam é uma calorosa vida familiar.

Independente dos critérios utilizados para análise, fato é que a autorrealização é possível. Às vezes temos que regular os níveis de exigência e o caminho entre o sonhar e o realizar, mas na permanente escola da vida cada oportunidade é rica em aprendizado.

Sandra Veroneze | Saber-se

O Autoesquecimento nos leva ao Outro

De alguma forma a vida nos convida a sermos ensimesmados e é muito fácil acreditar que o mundo gira em torno de nosso próprio umbigo. Conjugamos muito os verbos e a existência na primeira pessoa: quero isso, não gosto daquilo, mereço aquele outro.

O Autoesquecimento convida a desplugar-se um pouco dessa tendência de encapsulamento no próprio eu. Convida a olhar em volta e aprimorar a percepção do outro em suas mais diversas nuances. Também convida a colocar-se à disposição do outro, seja em algum trabalho voluntário, seja numa escuta mais qualificada…

Esquecer-se só um pouquinho de si, sem porém negligenciar-se, pode representar um ganho gigante na qualidade das relações!

Sandra Veroneze | Saber-se

Buscamos o Autogoverno

Somos duais, polarizados e naturalmente guiados pelo senso de opostos nem sempre complementares. Para apreciar o salgado, precisamos conhecer o doce. Para se encantar com a noite e suas estrelas, precisamos do contraponto do dia. A beleza do sol mostra todo seu esplendor na relativa comparação com um charmoso dia de chuva. As delícias de uma vida adulta estão diretamente relacionadas às carências da infância e terceira idade – e vice-versa.

Gostaríamos muito de sermos ‘seres de luz’, porém é inegável a presença e força das sombras em cada um de nós. Ela se manifesta nos mínimos detalhes, através daqueles impulsos e inclinações da personalidade nem sempre bem-intencionados. Certa vez um sábio disse que erramos por ignorância e por maldade, e que felizmente na absoluta maioria dos casos é por força do primeiro motivo.

Cabe aqui o esforço de não apenas aprender com nosso lado obscuro, mas também governá-lo. Identificou alguma fragilidade? Vale o esforço de não se deixar governar por ela. Aplica-se nas coisas simples da vida: aquela vontade de comer um doce a mais (proibido pelo médico), a preguiça de acordar no horário todo dia, aquela vontade de desfilar suas conquistas diante daqueles que torciam contra ou não acreditavam no seu potencial… A lista é infindável…

Buscar o Autogoverno de impulsos e inclinações de nossa personalidade. Topa o desafio?

Sandra Veroneze | Saber-se

Valorizamos tudo o que traz Autoconhecimento

Você se sabe ou apenas se imagina?

Simplesmente porque ainda não fomos testados em todas as situações possíveis de uma existência, é bem provável que nos conheçamos infimamente. Como você reagiria diante de um assalto? Se você nunca foi assaltado, apenas imagina, mas não sabe. Como você reagiria descobrindo-se com alguma doença grave? Se você nunca passou por isso, apenas imagina, mas não sabe. Como você se sentiria se ganhasse na loteria? Se você ainda não passou por isso, apenas imagina, mas não sabe de fato.

No que toca nossa existência, é bem verdade que muito sabemos (quem mais além de nós mesmos para saber de nós mesmos?), mas é bem provável que o que temos a aprender, a explorar, seja muito maior do que tudo que já sabemos. Com uma particularidade: sabemos agora. Somos tantos ao longo de uma vida que provavelmente em algumas semanas, ou meses, alguns entendimentos que temos hoje sobre viver sofram modificações profundas. Ou você nunca mudou de opinião?

Por isso, dispor-se ao autoconhecimento é, além de um exercício constante, um ato de inteligência existencial. Alguns dizem que a ignorância é uma bênção, e em alguma medida até pode ser verdade, mas o autoconhecimento, neste contexto, são múltiplas bênçãos, porque possibilita que você se pertença – e se dirija.

Sandra Veroneze  |   Saber-se

 

A consciência nos dirige

Não há um jeito certo ou errado de viver, apesar de inúmeros protocolos sociais assim sugerirem. Há, sim, o melhor jeito para cada um, definido, construído e praticado por ele mesmo. Afinal, como alguém que não vive os mesmos desafios, que não desfruta das alegrias com a mesma intensidade, que não vive os dramas existenciais de alguém poderá dizer a este alguém o que é certo ou errado?

Sócrates defendia que uma vida só valia a pena se analisada. Era um convite para a prática da consciência. Em outras palavras, empreender atenção a tudo que se fizesse, assumindo a autoria e responsabilidade dos próprios atos. Poderia ser acrescentado um terceiro elemento: visando sempre a melhor prática.

Viver consciente não é algo exatamente fácil. Refletir sobre os próprios sentimentos, pensamentos e ações, por não ser o ‘normal’ em um mundo tão automatizado quanto o nosso, exige boa vontade e disciplina. O que vou fazer? Por que vou fazer? O que pretendo com isso? Que resultados positivos poderá trazer? E negativos? Quais os riscos envolvidos? Afetará outras pessoas? Que preço estou disposto a pagar para obter esse resultado? Tenho estrutura psíquica para aguentar os reveses que podem surgir?

Fazer todas estas (e outras) perguntas antes de agir não significa que será tomada a melhor decisão possível e talvez nesse ‘experimentar’ resida parte da beleza da vida. Porém, agir com consciência traz consigo a fortaleza pessoal do ‘fiz o melhor que pude’.

Agir com o máximo de consciência no máximo de situações cotidianas. Topa o desafio?

Sandra Veroneze  |  Saber-se

Buscamos a melhor versão de nós mesmos

A primeira vez que ultrapassamos a fronteira do ignorar > saber experimentamos uma carga imensa de adrenalina, prazer e felicidade. Algo de espantoso acontece quando conquistamos uma oitava a mais de nós mesmos, seja em algum conhecimento, seja em alguma habilidade.

Você lembra da sensação que experimentou quando conseguiu dar a volta na quadra sem cair da bicicleta; a primeira vez que entendeu um texto inteirinho em um idioma novo; a primeira vez que fez um bolo sem queimar ou abatumar; a primeira vez que se apaixonou – tudo isso assinalando que havíamos encontrado uma nova e melhor versão de nós mesmos?

Parece haver em nós uma pré-disposição para a evolução. Tanto é assim que a faceta contrária (o não conseguir) causa uma imensa frustração. Estamos sempre com maior bem-estar subjetivo quando nos acompanha a sensação de ‘passar de fase’. Às vezes vamos atrás desse desafio, desenhando sonhos e metas; outras a vida os traz, normalmente travestidos de alguma dificuldade para nos provocar até que demonstramos, sim, que podemos.

Buscar a melhor versão de nós mesmos pode ser algo a ser vivido conscientemente, dia a pós dia, testando limites, buscando novas fronteiras, deixando fragilidades para trás, auspiciando novos níveis de realização. Nossa existência é rica em possibilidades, prontas para serem exploradas.

Buscar a melhor versão de nós mesmos… Este é o desafio.

Sandra Veroneze  |  Saber-se