Competir x Colaborar

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“Eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim…”

A chamada “Síndrome de Gabriela” descreve bem uma geração que se orgulhava desse jeito de ser, onde competir era a palavra de ordem. Reter conhecimento para sair na frente e ganhar o topo era o lema.

Não cabe mais nos dias de hoje tal comportamento; a mudança é inevitável e exige de nós comprometimento.

A chamada Geração Y, responsável por toda essa reviravolta no mundo, está mais antenada na partilha sem medo de ser feliz, por entender que, se um ganha, todos ganham, e a colaboração passa a ser parte importante desse processo.

Por meio das redes mundialmente interligadas passou-se a dividir saberes, experiências; logo vieram os serviços e uma onda gigantesca de startups, empresas predominantemente de jovens idealizadores a dividir Ubers, escritórios de coworking, cooperativas e etc…

Como conciliar, então, essa filosofia de vida mais tolerante e solidária com a crise financeira, moral e ética instaurada? Vale a reflexão.

Patrícia Mesquita, psicóloga

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Todo empregado poderá ser um colaborador ou um competidor

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Tendo em vista a era da inteligência social, faz-se importante abordar o tema ‘colaboração’ em detrimento a ‘competição’ que se instala dia após dia nas organizações. Todo empreendedor deseja alcançar o sucesso com seu investimento; porém, a atenção muitas vezes fica focada na administração financeira do negócio. Sabemos de antemão que toda empresa tem por finalidade gerar lucro. E lucro advém de onde? Muitos responderão: do cliente externo! Eu penso que a principal figura lucrativa dentro de um empreendimento é o colaborador, aquele que colabora com o negócio. Olhando por este prisma, é natural pensar que se o colaborador não for estimulado pelo gerente ou pelo empreendedor ele se torna seu principal competidor. Você já pensou nisso? Muito bem! Todo empregado poderá ser um colaborador ou um competidor. Se o seu superior também for um colaborador, você terá um empregado dinâmico, ativo, responsável, comprometido, ético e com excelência no atendimento. Por outro lado, se o seu superior competir com o empregado, então a empresa corre o risco de ter um empregado que alimentará emoções destrutivas e, neste caso, tudo o que for características positivas para o negócio fluir estará sob ameaça.

Muitos empregados manifestam descontentamento por não conseguirem se expressar diante das necessidades que observam na empresa onde trabalham porque os seus gerentes, muitas vezes, temem que o empregado se sobressaia e ocupe o seu lugar de destaque. Então, o gerente passa a ser um competidor da sua própria equipe. Isso coloca em desequilíbrio a relação espontânea de colaboração. E agora? A ideia deste texto tem como objetivo principal bem definido despertar a consciência perceptiva e reflexiva das pessoas que constroem todos os dias uma empresa e que permitem a expansão da lucratividade. Neste sentido, há que se observar a relação entre o pensar, o sentir e o agir social. Logo, é extremamente relevante, nos processos de desenvolvimento organizacional, que se faça a identificação das competências individuais e reconheça as fragilidades, motivando para a superação destas; criando conscientização organizacional e desenvolvendo, dessa forma, ações de planejamento estratégico e definição de metas que promovam o crescimento individual de cada pessoa contratada. Neste sentido, haverá uma gestão que promoverá o progresso psicológico, social e ocupacional de todas as pessoas envolvidas nos processos gerenciais e operacionais. E, neste ínterim, a colaboração se fará mais forte, terá maior vigor do que a competição.

Na gestão de pessoas é necessário apenas colaborar, permitindo, assim, que a criatividade flua naturalmente em prol da empresa. Já para quem escolher competir dentro de um gerenciamento, terá que competir, também, com a ansiedade que será gerada nas pessoas e esta, por sua vez, impede o fluxo natural da criatividade. Logo, percepção, fará a diferença competitiva no mercado e promoverá o desenvolvimento contínuo das pessoas que trabalham na organização.

Nora Nadir Soares, psicóloga

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A cooperação é cada vez mais uma exigência

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A Ética de origem, presente nos primeiros grupamentos humanos, estabelecia que, se nos mantivéssemos em círculo para nos defender dos ataques dos predadores, e se seguíssemos a trilha que levava ao rio, estaríamos salvos.

A união de fato fazia a força e foi assim que as civilizações se constituíram e se mantiveram até nossos dias. De lá para cá, temos aproveitado o melhor de cada etapa civilizatória com a finalidade de prosseguirmos na marcha evolutiva.

Atualmente, embora a multiplicidade dos modelos de “como fazer mais rápido e melhor”, observando os efeitos não só do que foi feito – resultado – mas de quem faz, seres humanos, percebemos que a cooperação é cada vez mais uma exigência. Dividir para multiplicar torna-se então uma equação lógica e Ética.

Em tempos de escassez material, real ou imaginária (referindo-me aqui às instâncias psicológicas de cada ser) o ditado de que “sozinhos vamos mais rápido, porém juntos vamos mais longe”, tornou-se uma necessidade imperiosa.

O coworking, ou trabalho feito em equipe, com ganhos e louros compartilhados, faz com que o lugar de cada um fique mais garantido, possibilitando que a marca do humano apareça.

A competição tão ensinada e tão bem aprendida nos anos 90 começa a cair de moda pelo mesmo preceito Ético original: não sustentou os valores adquiridos e nem gerou bem-estar e equanimidade para o planeta.

A sensação de fracasso ou de esforço improdutivo pode nos alcançar em todas as formas de relacionamento, seja na empresa, no casamento, com os filhos ou entre amigos… Felizmente, estamos atentos e em tempo de mudar o rumo desta História.

Alcione Reis de Albuquerque, psicóloga

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Colaborar: A competência comportamental mais valorizada nas organizações

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A maioria das pessoas, especialmente no contexto profissional, onde atuo como consultora e psicóloga organizacional, acredita que a competência é o fator mais importante e valorizado num processo de seleção de candidatos. Assim temos nos dedicado a melhorar nossos currículos com cursos e novas especializações, querendo provar que somos inteligentes e talentosos o suficiente para assumir a vaga.

Mas, na verdade, a cordialidade, ou confiabilidade, é o fator mais importante na forma como as pessoas avaliam você, mesmo numa relação organizacional, num processo de seleção de pessoas e de gestão de talentos.

Segundo pesquisa da consultoria Manpowergroup, realizada no Brasil e noutros 40 países, com cerca de 60 mil empresas, de diferentes segmentos, para 17% dos entrevistados a Colaboração/Trabalho, em grupo é a competência comportamental mais relevante em um profissional, e também a mais rara de se encontrar no mercado atualmente.

“Uma pessoa competente e que também é qualificada provoca admiração, mas só depois que ela estabelece uma conexão que inspira confiança é que sua força se torna um dom e não uma ameaça.  Enquanto a competência é altamente valorizada, diz que ela é avaliada apenas depois que a confiança é estabelecida.”

Uma recente pesquisa do departamento de psicologia da Harvard demonstrou que estudantes de MBA estão muitas vezes tão preocupados em parecer inteligentes e competentes que isso pode levá-los a ignorar eventos sociais, não saber colaborar, e geralmente parecer inacessível. Percebe-se facilmente quando o candidato não desenvolveu a capacidade de interagir pois em um processo de seleção não saberá fazer-se conhecer nem por seu entrevistador.

Um indicativo disso é coworking, que se trata de um novo modelo de trabalho que tem o objetivo de incentivar a troca de ideias, compartilhamento, networking e colaboração entre diferentes profissionais que podem ser de diferentes áreas.

Do outro lado, o organizacional para estar em sintonia com a atualidade as empresas e seus líderes devem criar uma cultura que valorize as pessoas – que as opiniões de cada um, e não necessariamente as metas, sejam levadas em conta.

Além disso, é indispensável investir em um “aprendizado contínuo” da equipe. “Acabou de vez aquela ideia de que me formei e fiz especialização, e usarei estas informações para o resto da vida.” Estamos em um mundo de mudanças e o que realmente chama atenção para uma empresa e mantém os colaboradores nela é a oportunidade de desenvolvimento nesta organização.

Por último, alianças em rede e inovações abertas são tendências irreversíveis à medida que os colaboradores tornam-se cada vez menos fiéis e mais exigentes na busca por experiências verdadeiramente significativas e alinhadas com as aspirações e com a essência individual de cada colaborador.

“Colaborar é a mais nova atitude para ser competitivo.”

Giulianna Remor, psicóloga

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Relações competitivas x relações colaborativas

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Estamos num tempo em que valores como honestidade, seriedade e respeito estão sendo trocados por esperteza, bons discursos e dinheiro. Faz-se de tudo para ter-se mais sendo cada vez menos: menos verdadeiro, menos comprometido com o outro e menos profissional.

No ambiente empresarial o poder e a ganância norteiam as relações, tornando-as competitivas. Busca-se o lugar mais alto ou cargo mais importante. Com isso, não nos conhecemos mais, não nos conversamos, não nos olhamos… Isso me faz pensar em como estão sendo construídos os ambientes de trabalho. Na maioria das vezes são estressantes, onde o importante é apenas cumprir metas, emitir relatórios, participar de reuniões e conversar sempre sobre o mesmo assunto: trabalho.

O que eu sei sobre o meu colega de trabalho?

Ninguém mais sabe sobre o pai do colega da empresa que operou do coração ou se o filho da funcionária está bem. Sabe-se somente que aquele colega entregou fora do prazo o relatório solicitado e que a funcionária faltou justo no dia da reunião com o presidente da multinacional.

Quando se pensa em relações colaborativas no trabalho, podemos ir além da ajuda laboral para desenvolver projetos em equipe. Pode-se pensar em conhecer o colega de trabalho para além do ambiente empresarial. Se a pessoa entregou o relatório fora do prazo, deve-se ter um motivo para esse atraso. Se a funcionária faltou à reunião é porque houve algum imprevisto. O que aconteceu? Qual foi o imprevisto?

O que é relação colaborativa e trabalho em equipe?

Se soubéssemos, poderíamos ter ajudado o colega a elaborar o relatório em tempo. Se soubéssemos o motivo da falta da funcionária, teríamos nos preparado melhor para algum imprevisto. Penso que isso sim seja trabalho em equipe. As pessoas se conhecem, sabem umas das outras e, por isso, colaboram umas com as outras, ou seja, estabelecem relações colaborativas que favorecem o rendimento e o desenvolvimento da empresa como um todo.

É possível ter relações competitivas e colaborativas no ambiente de trabalho?

Acredito que quando os funcionários têm a oportunidade de se conhecerem para além do ambiente de trabalho a empresa tem muito a ganhar. As relações, mesmo que sejam competitivas, serão permeadas por valores que estão sendo deixados de lado. Para competir não é necessário lançar mão de atitudes que venham a prejudicar o outro. Com honestidade, seriedade e esforço, os cargos almejados serão alcançados de maneira admirável e com a colaboração de muitos colegas. Vamos pensar sobre isso?

Luciana Raveli, psicóloga

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Defeitos?!

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No meu trabalho como psicóloga relacional sistêmica compreendo o ser humano como um ser que repete comportamentos ao responder às situações da vida, comportamentos estes que nos trazem consequências (podendo ser positivas ou negativas). Os que nos trazem consequências negativas muitos nomeiam como defeitos.
Tenho a sensação de que a palavra defeito é um pouco pesada, como se isso não fosse possível de mudar ou ajustar. Sugiro então aprendermos a ter um olhar mais leve a respeito destes “defeitos”. Passar a olhar os “defeitos” como comportamentos que tenho que não me trazem benefícios, faz com que eu me conheça melhor, tendo mais consciência de como eu funciono, dando-me a oportunidade de mudar.
Quando é comentado, apontado ou percebido que temos “defeitos”, minha sugestão é deixar o orgulho, a negação ou a defesa de lado, e prestar atenção no que foi pontuado. Passar a observar meus comportamentos, de forma que eu possa utilizar a situação como oportunidade para crescimento pessoal, profissional, relacional… Treinar a me ver em determinadas situações, agindo de forma diferente, para analisar, se esta minha característica não me traz malefícios, ou para as pessoas que convivo.
Minha sugestão é observar os “defeitos”, pensando em nos autoconhecer, aprender a nos comportarmos de forma diferente, pensando sempre na evolução, em se tornar uma pessoa melhor, vendo os como uma oportunidade de crescimento e até de autossuperação. Até porque todo ser humano carrega consigo comportamentos que têm como consequências pontos negativos.
Talita Mazziotti Bulgacov, psicóloga

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Seu defeito pode lhe trazer paz

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Todos já passamos pela seguinte situação: alguém próximo aponta alguma característica em nós que não gostamos e de forma pejorativa. Geralmente quando isso acontece unimos forças para o contra-ataque e argumentamos a nosso favor ou ainda escolhemos não ouvir e “deixar para lá”.

Esse processo acontece como uma forma de defesa. Afinal, ao longo do tempo, familiares, amigos e outras pessoas próximas criam expectativas sobre nós. Algumas destas expectativas levamos conosco. Ou seja, também colocamos expectativas sobre nós mesmos. E, naturalmente, desejamos correspondê-las. Mas muitas vezes não conseguimos. Não somos perfeitos. E isso é perfeitamente normal e aceitável.

Portanto, argumentamos e contra-atacamos como uma simples forma de defesa de nós mesmos. Temos dificuldade de aceitar que não somos perfeitos e que não conseguimos corresponder às expectativas que colocam e colocamos sobre nós.

Veja bem, você não é perfeito. E tudo bem! Você ainda é maravilhoso do seu jeito! Quando deixamos essa necessidade de sermos perfeitos para trás podemos nos ver de forma mais realista. Isto significa abraçar nossas qualidades e características e aceitar nossos defeitos! Quando isso acontece é como recitar um poema. Nunca é perfeito, mas é sempre lindo.

E enfim podemos nos aceitar e viver em mais paz. Além disso, quando reconhecemos nossas dificuldades e defeitos nos permitimos melhorar. Aceitamos que não somos perfeitos, mas ao mesmo tempo podemos chegar mais perto disso. Não negue suas próprias características. Se abrace e seja você mesmo.

Maria Cristina Lopes, psicóloga

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Por que é difícil encontrar defeito em si mesmo?

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Algumas pessoas acham que defeito é uma característica que só existe no outro, mas nunca o encontra em si mesmas.
Por que é difícil encontrar defeito em si mesmo? Talvez porque não tenha procurado ou nem mesmo olhado para dentro si. Muitos ignoram essa possibilidade, mesmo quando são apontados por alguém.
A questão é que o defeito é uma imperfeição física ou moral, é uma característica deformada, uma incorreção ou falha de algo ou alguém em relação aos requisitos estabelecidos socialmente. No caso de pessoas, ser reconhecido como alguém possuidor de defeitos é ser reconhecido como alguém sem valor, alguém indesejado, e isso gera sofrimento, principalmente dentro de uma sociedade tendenciosa em desprezar o que é diferente. Aquele que se distancia de um ideal muitas vezes é oprimido. Um exemplo é uma estética que só valoriza a forma e a aparência magra, escultural e jovem, segregando os que diferem.
Entretanto, negá-los não ajuda a melhorar-se. Sigmund Freud salientou que a negação pode ser uma defesa psíquica que tem a finalidade de atenuar a ansiedade. Desse modo, o sofrimento é afastado negando aquilo que é considerado a fonte de ameaça e que causa seu sofrimento. Afastado, mas não resolvido.
Negar defeitos próprios é negar, também, parte de si mesmo. É cindir-se, é ser metade, e, algumas vezes, quando se radicaliza, é negar ser humano. O ser humano quando não consegue lidar com os próprios defeitos, segundo M. Klein, acaba por projetá-los no outro para tentar lidar com os mesmos fora dele. Desse modo, o defeito estaria sempre no outro, assim como sinalizou J.P. Sartre: “o inferno é o outro”. Mas, como afirmou C.G. Jung: “ao falarmos dos outros, revelamos muito sobre nós mesmos”. Jung ainda salienta: “quem olha para fora, sonha, quem olha para dentro, desperta”.
Por isso, não adianta continuar olhando para fora de si, olhando o outro, olhando somente o mundo do lado de fora. É preciso ter coragem de olhar para dentro de si mesmo e enfrentar as “feras”. Tirá-las do escuro, das “sombras” do inconsciente, e, logo você entenderá que elas não parecerão tão feias como imaginava. Você verá que também não é a única que as possuem e que as mesmas ou outras se encontram nas pessoas em todo lugar. Veja só o que disse Jung sobre ele mesmo: “prefiro ser inteiro do que ser somente bom”.
Isto nos faz pensar que para uma pessoa ser considerada íntegra ela precisa ser inteira, precisa se aceitar como é. Se reconhecer com suas qualidades positivas e “defeitos” também, e mesmo assim, se amar. Desse modo, aquele medo de não ser admirado, ou de ser rejeitado por apresentar características imperfeitas, não terá mais tanta força e sofrimento, pois você já não terá a necessidade de ser perfeito(a) e de ser admirado(a), pois se aceita e se gosta como é. Isso lhe dá a liberdade de ser você mesmo(a), de crescer, progredir, também de amar a outra pessoa de forma autêntica e completa.
Olhar para dentro possibilita o autoconhecimento, o autoconhecimento possibilita o fortalecimento e a integração do seu ego, o ego fortalecido possibilita a resolução dos conflitos existenciais, superação das situações adversas e do crescimento para lidar com a vida com mais maturidade e para viver com mais qualidade.
Devemos deixar de negar os defeitos e olhar para eles com outros olhos. Se mudarmos a forma como percebemos as coisas, as coisas mudam. Essa mudança acontece, também, olhando para os defeitos de uma forma diferente.

Valberto Gama, psicólogo

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A importância de aceitarmos nossos próprios defeitos

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É interessante observar que quando o assunto é defeitos as pessoas costumam se retrair. Embora saibam que os têm, não gostam de expô-los. Se possível gostariam de escondê-los até de si mesmos. Outras, ao serem questionadas sobre seus defeitos, simplesmente não sabem citar mais do que um, talvez para evitar uma “dolorosa” autoanálise.
O ser humano possui tanta dificuldade em lidar com seus defeitos que possui um mecanismo de defesa no qual permite que seus próprios defeitos sejam atribuídos a outras pessoas. Este mecanismo de defesa, na psicologia, chama-se Projeção. A projeção identificada por Freud é uma estratégia que usamos inconscientemente para proteger e defender nosso ego de coisas que realmente não queremos pensar ou lidar e por consequência são projetadas em outra pessoa. Um exemplo que podemos dar é o fato de tratarmos alguém com hostilidade, justificando que a outra pessoa está sendo hostil, quando na verdade ela está agindo normalmente e quem está cometendo hostilidade somos nós.
A projeção é algo perfeitamente normal, no entanto também deveria ser normal falarmos sobre nossos defeitos, assim como falamos de nossas qualidades. Os defeitos não são necessariamente negativos se soubermos utilizá-los para o autoconhecimento. Pessoas que evitam fazer uma análise de seus defeitos possuem pouca consciência de seus próprios processos internos, do seu funcionamento, e facilmente acabam atribuindo a outros o motivo de suas frustrações e fracassos.
É comum nos envergonharmos de nossos defeitos, mas como parte do nosso processo de desenvolvimento, os primeiros e mais importantes passos são reconhecê-los e aceitá-los.
“A base da relação com os próprios defeitos é a sinceridade, a paciência e a perseverança”. (Jorge Waxemberg)

Greice Quelle C. da Costa, psicóloga

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Ter um defeito não é necessariamente problema

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“Defeitos”? Falar de “defeitos” pode ser um tema até batido quando focamos nos padrões sociais. Mas, hoje, quero conversar um pouco sobre o lado positivo dos “defeitos”.
Primeiramente, vamos conceituar “defeito”. “Defeito” é tudo aquilo que não está em conformidade com um padrão físico ou que apresenta alguma irregularidade de funcionamento. Pessoalmente, não concordo com essa classificação quando falamos de seres humanos. Prefiro chamar de características individuais, mas para esse texto consideraremos “defeito” qualquer característica física ou mental fora do padrão social dito “normal”.
Antes, queria contar que quando vivíamos na pré-história nos agrupávamos em clãs e somente aquelas pessoas do clã eram nossa comunidade. Ser aceito era uma questão de sobrevivência, viver em grupos garantia uma vida mais segura e maior possibilidade de aquisição de alimentos. Assim, ter deficiências físicas ou mentais poderia fazer com que fôssemos excluídos e a nossa vida corria riscos.
Nós evoluímos e hoje os grupos são diversos e ser rejeitado por um grupo não nos oferece risco de vida e também não nos impede de sermos aceitos por outro. Temos uma diversidade de grupos. Mas parece que nosso cérebro nem sempre age de acordo com essa premissa e, ao sermos rejeitados por um grupo, é comum continuarmos tentando fazer parte dele. Ter um “defeito”, seja ele físico ou mental, pode nos atrapalhar nessa aceitação. Mas será que pode nos ajudar de alguma forma?
Vamos pensar em um adolescente fora do padrão, com o “defeito” de ser muito gordo (obeso). Ele pode ser excluído e sofrer bullying por parte dos colegas. Na tentativa de fazer parte do grupo, ele pode desenvolver uma boa habilidade de escuta, o que lhe garante ser o amigo procurado quando alguém tem algum problema, mais atento ao outro e ao ambiente. Ele pode desenvolver uma habilidade de comunicação e assertividade, melhorando seu diálogo e entendimento no grupo. Ele pode desenvolver um senso de humor específico, que promoverá boas risadas e poderá aproximá-lo das pessoas. Ele pode desenvolver uma capacidade de observação e empatia, que aumentará sua percepção do outro e o tornará mais próximo de pessoas que passam por alguma dificuldade. Ele pode desenvolver uma capacidade maior de lidar com frustrações, que será de grande importância durante toda sua vida.
São inúmeras as habilidades que podem ser desenvolvidas como estratégias de aceitação. Uma pessoa com ansiedade aumentada, que enxerga catástrofes nas situações futuras, pode desenvolver habilidade de antever possibilidades ruins e ser capaz de criar estratégias para minimizar ou evitar problemas. Uma pessoa com humor deprimido pode desenvolver maior capacidade de enfrentamento e autopercepção. Uma pessoa com uma deficiência física pode desenvolver novas habilidades de locomoção, percepção de espaço, empatia e sentidos mais apurados. Uma pessoa dita tímida pode desenvolver uma capacidade mais analítica de situações e do outro etc.
Diante dos exemplos, é possível perceber que ter um “defeito” pode ser a chave para desenvolver habilidades e enfrentamentos que, muitas vezes, não desenvolveríamos se estivéssemos dentro de um padrão de normalidade social.
É importante lembrarmos que existem diversos grupos e que ser rejeitado por um não significa fracasso e que sempre teremos outros grupos aos quais podemos pertencer.
Mas, mais do que isso, vale estarmos atentos e nos perguntarmos ‘em que esse “defeito” me ajudou?’ ‘Que habilidades desenvolvi por causa dele?’ Renata Trigueirinho Alarcon, psicóloga

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