Menos é mais; muito mais

Sou da geração de mulheres que colocou a formação e a carreira como prioridades e, para isso, adiou casamento e protelaram filhos.

A convivência entre mulheres de diferentes gerações passou a ser rara. Não havia tempo a ‘perder’ com conversas sem resultados. Eram necessários foco, metas, conquistar, produzir. Vivia-se correndo, de um compromisso a outro.

Para aliviar a ansiedade e estresse, nada como ir às compras! Testemunhei o despontar do consumismo, dos shoppings, cartões de crédito e compras pela internet.

Armários tornatam-se depósitos superlotados de roupas que não eram usadas. Relacionamentos afetivos ficaram tão descartáveis como as roupas. Mulheres passaram a ser as maiores usuárias de antidepressivos e terapias.

Há três anos, eu já havia saído desta hipnose coletiva. Mas, tal qual meus antepassados, encontrava-me em meio a uma tempestade.

Muita correria, muito trabalho, agenda lotada, sem tempo para a família, ansiosa. Tendo sucesso, mas a que custo? Assim como meus ancestrais, decidi cortar mastros.

Vendi meu carro, parei de comprar roupas e sapatos, abri mão da empregada e do salão de beleza, substituí cosméticos por óleo de coco. Fiz um detox no armário, na casa, na biblioteca, na papelada.

Adotei um estilo de vida mais minimalista. Uma arara com roupas, e estava sempre bem vestida. Uma pequena necessaire de maquiagem, e me maquiava todos os dias. Aprendi a cuidar do meu cabelo, e ele estava sempre arrumado, assim como minhas unhas.

Enquanto organizava a casa, abastecia a mente e harmonizava as emoções. Passei a ter tempo para o marido, família e amigas, com as quais tenho longas conversas de mulheres.

Neste período sabático, meu marido assumiu o sustento da casa e uma mágica aconteceu: entrava menos dinheiro, mas sobrava mais para realizar importantes sonhos.

Desta experiência resultou o que parecia impossível: consegui ampliar a conversa de mulheres, transmitir muito mais conteúdo, realizando a minha missão de resgatar a elegância. E o que é melhor: sem sair da minha amada casa!

  • Ana Schmitz é Personal Life Stylist

Relações tóxicas e abusivas

É possível que você esteja vivendo uma relação abusiva ou já tenha escutado que alguém próximo está enredado em um relacionamento tóxico. Muito se tem falado a respeito desse assunto nas mídias.

Parece ser mais comum notar-se essa forma de vínculo entre os casais. Entretanto é importante ressaltar que um relacionamento abusivo pode ocorrer em qualquer tipo de relação humana e não necessariamente entre namorados ou cônjuges, mas também entre pais e filhos, irmãos, amigos, colegas de trabalho, entre outros.

Chamamos de relação tóxica “a forma assimétrica de se relacionar entre duas pessoas”, onde uma delas sofre intensamente com o modo de ser da outra e em nada se modifica a esse respeito. A pessoa sente-se aprisionada e emocionalmente dependente; tornando-se refém de um vínculo empobrecido, pouco criativo, pautado no sofrimento, no desrespeito e na falta de confiança e empatia.

Um dos envolvidos ativa no outro pontos específicos. Em psicanálise, podemos pensar se tratar de uma dinâmica destrutiva em que a doença de um necessita ou completa a doença do outro: de um lado, há alguém incapaz de sentir os sentimentos e as emoções, isto é, incapacitado de sentir compaixão, remorso ou culpa. Do outro lado, está alguém empático, preocupado, doador e que carrega em si culpa inconsciente, senso de obrigação e responsabilidade para com os outros e com a vida.

Trata-se de uma trama complexa encenada por uma dupla onde quem se sente ameaçado não consegue enxergar suas qualidades e potenciais e fica à espera de que o outro o perceba, o que não ocorre. As cobranças emocionais são acionadas e vira um círculo vicioso altamente destrutivo e difícil de sair.

Não é simples conseguir sair de uma relação tóxica, principalmente se existe vínculo econômico que acaba se misturando à dependência emocional. Nesse caso observa-se que as dificuldades mais comuns são:

Econômicas: quando o parceiro (a) não é autônomo e independente;

Emocionais e afetivas: relacionadas à dependência emocional, temor de ficar sozinho;

Sociais: a relação abusiva tem por característica o isolamento do casal do seu meio social, afastando-se de amigos e familiares;

Questões jurídicas: existe um nó emocional inconsciente na relação abusiva que cega a vítima que não busca ajuda ou desconhece as questões legais.

As pessoas envolvidas nesse tipo de relacionamento devem buscar apoio de seu círculo social e familiar, bem como ajuda psicológica, pois apresentam tendência a experimentar em suas vidas uma dose excessiva de sofrimento que as impossibilita de trocas afetivas mais ricas e verdadeiras e isso está longe de ser o que se procura, que é o amor.

  • Renata Bento é Psicanalista e Perita em Vara de Família

Por um projeto de vida que dê sentido e direção

Projeto de Vida é o documento mais importante da sua vida. É a ferramenta para você começar a trilhar o caminho da prosperidade nas suas sete saúdes: Física, Espiritual, Intelectual, Familiar, Social, Profissional e Financeira.

O ideal é você elaborar o seu Projeto de Vida de pelo menos um ano e colocar nesse documento todos os seus desejos, sonhos e aspirações possíveis de serem realizados nesse período.

O primeiro passo é definir o que você deseja realizar em cada uma das suas saúdes, para assim construir um equilíbrio entre elas e de forma consciente compreender como cada uma delas está presente em sua vida para harmonizá-las da maneira ideal. Escolha seus objetivos a serem alcançados, tenha convicção de que é realmente o que você quer e escreva com detalhes o que você fará para atingir seus objetivos.

Atente para as condições necessárias para evitar sentimentos de frustração e impotência. Um exemplo prático para você entender melhor esse conceito: imagine que você coloca como objetivo ir diariamente à academia. No entanto, você está sedentário há anos. Seria melhor neste caso você começar com um objetivo de ir três vezes por semana e depois de um tempo aumentar essa frequência. Entendeu?

Na sequência, trace prazo para você cumprir seu objetivo. Poder ser em um dia, mês ou ano. Objetivos sem prazos para serem concluídos se perdem ao longo do tempo. Seja o mais específico possível.
Depois de ter escrito com clareza e precisão quais são seus objetivos, quanto tempo levará para serem atingidos e o que você vai fazer para alcançá-los, leia-os em voz alta no mínimo duas vezes por dia (ao acordar e ao dormir) para que fique bem gravado no consciente e também no subconsciente.

Desperte um desejo ardente para a concretização dos seus objetivos. Sempre que fizer a leitura do seu Projeto de Vida todos os dias, você deve ter o pensamento positivo e imaginar como se os seus objetivos já tivessem sido alcançados. A imaginação é uma propriedade realizadora e fantástica que todos nós temos.

E entre em ação. Essa é a etapa mais importante. Talvez você esteja pensando que agora não é o momento oportuno, que ainda não está preparado e que começará a agir quando tudo estiver melhor. A sua vida nunca mudará se continuarmos com os mesmos velhos hábitos de sempre. Portanto, mãos à obra!

Os resultados que você espera serão diretamente proporcionais às suas ações. É necessário constância, persistência, disciplina e foco. É um processo contínuo e diário.

O momento é este! A hora é sempre agora! Não deixe para depois! Sonhe alto, você pode!

  • Cecília Carvalho Tesser é Coach é especializada em Eneagrama

Como fazer escolhas sábias

Em qual contexto temos vivido? Era de inovações, ambiente volátil, incerto, complexo e ambíguo. Pessoas sendo substituídas por inteligências artificiais. Empregos formais desaparecendo. O que conhecíamos até ontem e que sabíamos que dava certo não é mais assim. As carreiras não dependem mais do tempo de empresa e sim do sentido que damos para o que fazemos, e da própria autonomia e protagonismo frente à vida. Sabemos que se fizermos igual ao que já fizemos não será suficiente. Queremos ser felizes. Então, o que nos resta como seres humanos? Em que devemos nos concentrar? O que escolher?

As escolhas tornaram-se cruciais. E saber como funciona o processo da escolha, ou pelo menos a forma de buscar escolhas mais adequadas, passa ser nossa questão central e envolve o autoconhecimento. Precisamos nos conhecer! Quem somos? O que fazemos? Por que fazemos? Para que fazemos? São jargões, não é? Mas analise comigo, se você não tem consciência de como chegou até aqui, neste ponto de sua vida, que valores e crenças embasaram suas escolhas e decisões pelo caminho, para onde você quer ir e o que você precisa para chegar lá, será muito pouco provável que faça escolhas assertivas e que tenham significado para você.

É preciso saber que as pessoas têm diferenças de mindset – modelo mental – crenças e valores que já vieram no modelo direcional delas. Entender esse modelo é importante para trazer à consciência como você faz escolhas e toma decisões. O ato de escolher é uma ação e requer sua mobilização para isto. No trabalho de Myers-Briggs, fundamentado na teoria de Carl G. Jung, são citados os tipos psicológicos que orientam nossas preferências pessoais.

Conhecer seu tipo psicológico dá sentido ao ‘por que’ você faz deste jeito e não daquele, e abre possibilidades para lidar com o diferente, ampliando sua visão e oportunidades assertivas de escolha. É preciso ter um porquê viver, um propósito. Precisamos ter a narrativa de propósito, qual a minha contribuição para o todo? O pensamento sistêmico é fundamental pois se não olharmos o cenário todo corre-se o risco de tomar decisão apenas sob uma perspectiva e não fazer a melhor escolha. Estamos em uma grande teia onde tudo está interconectado e interdependente. É necessário olhar todas as perspectivas mapeando os impactos para gerenciar as consequências de suas escolhas em seu propósito. É preciso parar e tomar as ações que possam sustentar as consequências.

Talvez você ainda não tenha realmente parado para pensar sobre o assunto, o que te fez ser quem você é. Mas lembre-se que é com estes óculos que você está vendo o mundo e possivelmente ainda não se permitiu trocá-lo repetindo as escolhas que não lhe levarão adiante. Seus aprendizados, o seu propósito, suas preferências de personalidade para tomar decisões, para se comunicar, para gerenciar mudanças são os fundamentos de suas escolhas. O seu propósito guia você nas suas escolhas em um caminho de integridade e felicidade consigo.
Se você não escolheu conscientemente ‘ser quem você é’, escolha a partir de hoje ‘ser quem você quer ser’ e viva sua plenitude.

  • Sandra Gazire é Psicóloga Especialista em Negócios e Pessoas-Leader Coach

Você é protagonista ou coadjuvante?

Na história de sua vida, você é coadjuvante ou protagonista? Quem toma as decisões em sua vida: você, seus familiares, seu chefe, o governo? Quem decide sua história?

Talvez você esteja pensando: claro que sou eu quem decido minha vida? Será? Para saber isso, basta responder a mais uma questão: Nas mãos de quem está o seu futuro?

Quando olhamos para os comportamentos e resultados de uma pessoa podemos imaginar se ela é ou não detentora do controle de sua vida. Algumas pessoas levam a vida, enquanto outras são levadas por ela. Em que categoria você se encaixa? Se você for protagonista terá respondido que faz parte da categoria dos que levam a vida, ou seja, criam circunstâncias, situações, oportunidades, ou as condições de temperatura e pressão necessários à criação do futuro desejado.

Talvez em sua cabeça esteja passando a seguinte pergunta: o que se ganha sendo protagonista da minha vida? A resposta é: muitos benefícios, como liberdade de escolha para ser o que deseja, libertação de medos que paralisam e da síndrome de Gabriela (eu nasci assim, vou morrer assim), coragem para sair da zona de conforto. Em resumo: ganha o controle da própria vida para vivê-la com plenitude e realização.

Algumas vezes se é protagonista em uma determinada área da vida e, em outras, deixa-se a desejar. Se isso não lhe trouxer sofrimento, angústias, sensação de vazio, tudo bem. No entanto, o que se observa comumente, como características de uma pessoa que não exerce o protagonismo em sua vida, é a tendência a demonstrar ter a sensação de menos valia, a vitimizar-se e a culpar os outros pelos seus fracassos, pois não assume a responsabilidade por suas escolhas e por seus atos e até mesmo pelos seus sucessos, pois não se percebe detentora do direito de decidir, agir, reagir, criar e celebrar. Geralmente deixa-se ser levada pela vida em vez de levar a vida para onde se deseja e sonha.

Exercer o protagonismo talvez não seja fácil, afinal, não gostamos de ter desafiadas as nossas crenças. Algumas nos cercam desde a mais tenra idade, vieram como um legado de nossos relacionamentos mais próximos e outras surgiram das experiências que vivemos até hoje.

No momento em que escolher ser protagonista, é possível que alguns desafios se apresentem. Será necessário fazer escolhas, sair da zona de segurança, dizer não, entrar em ação, afastar-se de pessoas que bloqueiam seu desenvolvimento. Porém, lhe garanto: vale muito a pena pagar esse preço.

Ser protagonista é simples, basta você decidir ser o autor e ator da sua história e assumir a responsabilidade por isso, buscando autoconhecimento, comportamentos, habilidades, meios, pessoas e circunstâncias para alcançar seus objetivos.

Como fazer isso? Primeiro você tem que ter clareza do estilo de vida que deseja, em seguida deverá tomar decisões e fazer escolhas, aí deve assumir a responsabilidade por todo o processo necessário ao alcance da vida que escolheu. E, por fim, colocar a mão na massa, entrar em ação para executar cada passo indispensável à obtenção de seus objetivos.

Então, o que você está esperando para ser o protagonista e escolher conscientemente os roteiros, as cores e os atos da história da sua vida? Decida logo, pois se você não o fizer, alguém fará por você.

  • Sandra Suely de Jesus Bastos é Coach e Facilitadora de Treinamentos

Crianças e tecnologia, um difícil equilíbrio

Quando eu era uma criança, a tecnologia era bem mais escassa que hoje. Não conhecia computador, celular, tablet… Eu brincava com bonecas, jogos de tabuleiros, pega pega, andava de bicicleta etc. Consequentemente vivia com o joelho ralado, cotovelos, às vezes o rosto também. Trinquei os punhos algumas vezes jogando vôlei. Essa era a visão “normal” da infância.

Nos dias atuais ser criança é um desafio. Por quê? Simples; porque cada vez mais estamos sem paciência, cansados, mal-humorados e, por vezes, para conseguir um pouco de paz dentro de casa torna-se mais simples entregar um celular com jogos para o seu filho do que sentar no chão com ele e brincar de carrinho.

Essa simples atitude pode causar problemas físicos, como obesidade (enquanto a criança está jogando no celular não está fazendo exercícios normais para a idade), problemas relacionados ao sono, a visão, desenvolvimento, entre outros.

Mas então o que fazer a respeito? Mesmo compreendendo que os pais levam uma vida corrida, complicada, estressante, que os deixam exaustos no fim do dia, a criança precisa de atenção, precisa que adultos sentem com elas e brinquem. Quanto mais conversar com seus filhos, mais eles irão se desenvolver. Eles precisam de estímulo para desenvolver novas habilidades e melhorar as que já adquiriram e para isso precisam dos pais.

A tecnologia pode ser uma grande aliada sim, mas em doses moderadas e sempre com a supervisão de um adulto. Por mais que a gente consiga programar o aplicativo para não mostrar conteúdos impróprios pra menores de 18 anos ou que faça um “usuário” kids pra controlar o que a criança assiste, se não tiver um adulto junto as coisas podem sair do controle rapidamente.

Então faça um esforço. Dedique mais do seu tempo para o seu filho. Ele prefere você a qualquer outra coisa ou pessoa. A tecnologia, por melhor ou mais avançada que seja, não irá substituir seu sorriso, palavras e atitudes. Quanto mais os pais trouxerem a criança para si (conversando, brincando…) mais afastadas elas ficarão de problemas de saúde, drogas, brigas etc.

  • Camila Schultz de Amorim é Psicóloga Clínica

Cultive Emoções Positivas

Emoções Positivas são experiências vividas em primeira pessoa. O Ser Humano já nasce com seis emoções básicas: raiva, tristeza, medo, nojo, alegria e surpresa. Destas emoções, quatro são negativas (raiva, medo, tristeza e nojo), uma é positiva (alegria) e uma é neutra (surpresa).

A mente humana reage com muito mais rapidez, força e persistência a aspectos ruins (despertam emoções negativas). Os circuitos neurais das emoções negativas já se encontram praticamente prontos quando nascemos, pois elas funcionam como defesa contra ameaças externas. Isso funciona para a autopreservação da espécie e explica por que temos uma tendência a focar no negativo.

Segundo Martin Seligman (Pai da Psicologia Positiva):

• Sentimentos positivos em relação a uma pessoa provocam aproximação, enquanto sentimentos negativos geram afastamento;

• As emoções positivas têm papel importante na evolução. Fortalecem os recursos sociais, intelectuais, físicos, criando reservas para que possamos utilizá-las quando aparecerem oportunidades e ameaças.

Barbara L. Fredrickson P.h.D. é a principal pesquisadora do Laboratório de Psicofisiologia e Emoções Positivas da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill. Ela criou a Teoria Ampliar e Construir sobre Emoções Positivas.

Duas verdades sobre a Positividade:

• “A positividade nos abre” corações, e mentes se tornam mais receptivos e criativos;

• “A positividade nos transforma para melhor”. Ao abrir nossos corações e mentes, as emoções positivas nos permitem descobrir e construir novas habilidades, laços, conhecimentos e nova maneira de ser.

Positividade:

• Intenções e atitudes positivas estão inseridas na Positividade;

• Produz sucesso e saúde;

• Precisa ser sincera. Se não houver sinceridade a positividade não é sentida, ela não é registrada nem no coração e nem no corpo;

• A positividade é um combustível para termos um melhor futuro possível.

Vantagem Química das Emoções Positivas:

• Produção de dopamina (através de exercícios físicos) e serotonina;

• Inventar novas maneiras de fazer as coisas;

• Pensar com mais rapidez e criatividade;

• Organiza e mantém novas informações por mais tempo na memória;

• Faz que nos sintamos sentir bem;

Segundo a estudiosa Barbara Fredrickson, precisamos ter três emoções positivas para nos elevar, para cada emoção negativa que nos arrasta para baixo. A maioria de nós tem 2:1. E novos estudos dizem que a relação é de 5:1.

Duas opções para você cortar o fluxo de pensamentos desagradáveis (negativos):

  1. Quando você estiver “ruminando” em um único pensamento ruim, pare, feche os olhos e respire fundo, prestando a atenção somente ao ar. Repita isso três vezes e tente esvaziar a mente (não pensar em nada). Isso é o princípio da meditação;
  2. Sinta os dedos, esfregando dois ou três dedos. Foque a atenção nisso, na sensação do toque. Faça isso por 10 segundos. Muitos médicos, ao aplicar uma injeção, apertam o local onde será aplicada, para que o paciente foque na sensação do aperto e não sinta tanto a picada da agulha.

Como dizia Aristóteles: “Nós somos o que fazemos repetidamente. A excelência, portanto, não é um ato, mas um hábito.”

  • Leonardo Duncan é Coach Positivo

Thor deprimido?

Thor, em Vingadores Ultimato, mostra a face oculta da depressão, a que as pessoas têm dificuldades em identificar, considerando que a ideia de depressão que popularmente temos é de que deprimido tem que se estar “jogado” em um quarto escuro chorando. Thor “quebra” esse padrão mostrando outra realidade. Ele está jogando videogame (talvez como uma fuga para não pensar no que lhe gera sofrimento), comendo algo gostoso e bebendo cerveja (soterrar de comida o sofrimento e afogar as mágoas no álcool). Mas a sua fala irritada ao telefone, o seu cabelo desajeitado, sem corte e a barba grande por fazer nos mostram um quadro de desleixo, de falta de cuidado pessoal, que são bastantes característicos da pessoa em depressão.

Quando se está deprimido, não sair de casa, comer exageradamente, ficar mais isolado, não querendo contato com o mundo externo, é bastante comum. Contudo, em algumas situações não podemos fazer isso. O trabalho não pode parar, os estudos nos esperam e então colocamos um sorriso no rosto e vamos ao encontro de nossas obrigações, mesmo que destroçados internamente.

O deprimido também sorri, também brinca, mas esconde dentro dele uma vontade enorme de não estar ali, de querer “sumir” e muitas vezes somos “invadidos” por um sentimento de desvalia, por não conseguir tolerar as frustrações que a vida nos traz.
E no caso de Thor, sua maior frustração foi a de que ele falhou. Por sua falha, metade do universo foi apagado. Thor foi destruído completamente, sofreu muito, mas, ainda assim, continuava digno. Digno de empunhar o Mjölnir, digno de continuar com sua vida e fazer o necessário para trazer todos de volta!

Ter depressão não nos torna menos dignos! Estar deprimido não é ser “preguiçoso”, “vadio”, não é “coisa da sua cabeça” ou “frescura”. É estar em um grande sofrimento psíquico, precisando muito de ajuda.

Essa ajuda se dá através da combinação de psicoterapia, realizada por psicólogos e psicofármacos (medicação) prescritos pelo médico psiquiatra. Essa combinação de tratamento geralmente traz resultados bastante satisfatórios no combate aos sintomas de depressão.

E o melhor é que a maioria dos convênios médicos já oferece esse serviço e quem não possui convênio conta com a alternativa das clínicas populares que oferecem consultas a valores acessíveis.

Não sofra sozinho! Busque ajuda!

  • Matilde Fuzinatto é Psicóloga Clínica

De quantas mortes você já ressuscitou?

A condição para mostrar a vida tal qual se apresenta inclui a possibilidade de se reescrever, além do primeiro olhar, as páginas do velho diário. Um desses refúgios por onde se insinuam conteúdos desatualizados, também eles compondo essa realidade se reapresentando em múltiplas expressões. Seus apontamentos convidam a emancipar as contradições entre o que se diz e o que se faz.

O convívio com esses desdobramentos existenciais auxilia a elucidar a representação por trás dos percursos da singularidade. Sua releitura descobre espaços, até então, desconsiderados. Muitas vezes, na inquietude de uma voz silenciada, se encontra algo mais, propício aos novos tempos.

Sua redação está contida na palavra vivenciada, traduzindo fenômenos que estavam ali, como benção, estorvo, desassossego. Esses manuscritos da estrutura de pensamento instituem, na equivocidade dos paradoxos, a vida até então fora de foco. A interseção do sujeito com seus relatos pode ampliar o que já existia como promessa ou desconstrução. Nos antigos manuscritos, se pode acessar a distância percorrida e o que está por vir.

Tudo aquilo que se vê, ouve, sente, nesse mergulho da reciprocidade, acrescenta algo, até então, desconhecido. O pensador de raridades estabelece uma conversação com esses territórios, até então desconsiderados. Lembrando de que a concepção de si mesmo sendo outro pode ocupar boa parte do caminho.

Ao se alterar o uso dos termos comuns, o rumo dos acontecimentos também se desloca. Na ausência de uma abordagem emancipadora, as ondas desse mar se sucedem em busca de uma terra que, de tão próxima, se distancia. Nesse sentido, um capítulo dessa história, por si só, pode conter indícios sobre o restante da obra.

As dialéticas do movimento estabelecem a contradição da palavra escrita com a palavra vivida, bem assim, um saber aprendiz para transgredir seus muros. A crônica dessas vivências se escreve vivendo, seus episódios com aspecto de coisa nenhuma, lhe permitem deslocar-se livremente. Ao percorrer os múltiplos endereços existenciais, com a alternância dos cenários, é possível decifrar seu desenvolvimento discursivo.

Sua tez de absurdidade é aliada para superar os limites da última palavra. Na convivência com as dores do parto é possível compreender a natureza e o alcance dessas metamorfoses, as quais, após o caos precursor, estruturam renascimentos, parindo outro si mesmo. A essência do visar incomum aprecia o convívio com os dialetos da vida extraordinária. Se assim não fosse, permaneceria irreconhecível a espera de algum diagnóstico.

Os discursos existenciais pluralizam o espetáculo do mundo. Tendo como referência uma retórica protagonista, reescrevem sua história, vivenciando a parcela de infinito que lhes cabe por inteiro. Um sujeito, ao dialogar com sua condição existindo, compartilha seu selo de originalidade, apresenta a fonte de inspiração de onde partiu. Ao se reconhecer como autor da própria história, integra a estética das ruas com o sabor dos seus devaneios.

  • Hélio Strassburger é Filósofo Clínico

Sim, eu decidi lutar por esta causa

Cresci completamente alheio a tudo o que crianças do sexo masculino gostavam de fazer: nunca gostei de futebol, nunca brinquei de carrinhos, nunca gostei de azul. Figuras masculinas nunca me inspiraram, seja na arte, no entretenimento ou na vida real. Admiração, coragem e exemplos a serem seguidos sempre encontrei em mulheres. As mulheres sempre foram meu esteio de segurança.

Eu tinha 14 anos a primeira vez que, lucidamente, senti meus olhos desviarem-se, atraídos e atentos, para alguém do mesmo sexo. Na época, lembro de ter ficado consternado. O que estava acontecendo comigo? Como era possível que eu estivesse sentindo atração por alguém do mesmo sexo? Como explicaria isso aos meus pais e amigos? Não, deveria ser apenas uma impressão.

A vida seguiu e eu fui percebendo que isso era constante. Aquilo que era afeto ao masculino não me fazia feliz (tarefas, lazer, esportes) e, no campo da sexualidade – que se aflorava –, meninas não despertavam em mim quaisquer paixões, amor ou atração. Definitivamente, teria que encarar a realidade, por mais dura que se apresentasse.

Lembro que o primeiro sentimento que tomou conta de mim foi a culpa. Culpa por não seguir o modelo traçado pela sociedade como “normal”. Parecia que eu estava diante de um abismo, uma distância absurda da sociedade e das pessoas, que parecia ficar cada vez maior. Não raro me sentia aberração e tinha certeza de que, ao gritar para o mundo o que eu sentia, seria motivo de vergonha, tanto na família quanto para amigos.

Uma criança homossexual não possui círculo social homossexual. Ela nasce, sozinha, em uma sociedade heterossexual, vê na televisão, nos filmes e nas ruas casais heterossexuais, tem como colegas de escola adolescentes (se não todos, a maioria) com mesmo comportamento – heteronormativo –, que destoa, e muito, da sua singularidade. Nas festas de família, ela se sente um peixe fora d’água – porque, afinal, ela está crescendo e não tem “namoradinhos/namoradinhas”.

Isto mesmo: não há referências. É neste contexto que se introjeta a culpa de ser. A sociedade empurra aos LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transsexuais) a vergonha de si, e é um trabalho demasiado difícil desconstruir este sentimento. Cresce-se acreditando estar no caminho errado, pois, afinal, não se está seguindo o modelo traçado como ideal. Gays são considerados imorais, promíscuos, e a religião – por evidente – contribui, e muito, com a oxigenação de tal pensamento.

Chega o período escolar. Em um ambiente em que não se discute – por moralidade exacerbada e hipócrita – a diversidade sexual e de gênero, o preconceito, o ódio e a estigmatização encontram habitat ideal. Vivi onze anos de escola – ensino fundamental e médio – de intenso, cruel e perverso bullying homofóbico. Não houve um dia sequer em que não entrei no colégio sem ouvir frases como “Viado!”; “Bicha!”; “Boiola!”; “Tem que morrer!” e “Aberração!”.

Duas comunidades (grupos coletivos) na rede social Orkut foram criadas especialmente para tratar da minha homossexualidade: “Mateus gay” e “Você já chamou o Mateus de gay hoje?”, ambas com 800/900 integrantes. No ano da formatura (2009), era cercado no recreio e questionado: “Está preparado pra te chamarmos de bicha quando chamarem teu nome na colação de grau, na frente da tua família e amigos?”.

Percebi que algo em mim despertava um ódio absolutamente irreal e perverso. O que havia de errado em mim? Concluo o colégio em 2009. Ao menos por ora, o pesadelo havia terminado. Entro na faculdade de Direito, em 2010. Uma mudança de ciclo, em que a sociedade já havia mudado um pouco. Como seriam os cinco anos de faculdade que me aguardavam? Seriam como foram os anos de colégio?

A escolha do Direito, apesar de certa para mim desde os doze anos de idade, me fez refletir sobre como seria minha vida neste caminho profissional. Um ambiente formal, cético, conservador, cheio de regras, togas e protocolos, aceitaria um homossexual? Eu poderia crescer profissionalmente na condição de LGBT em um grande escritório ou mesmo no serviço público? Como seria dali para a frente?

Mas a vida é feita de desafios e requer coragem. Como li uma vez, de um autor desconhecido: “Vai. E se der medo, vai com medo mesmo”. Passei no vestibular da Faculdade de Direito da Fundação Escola Superior do Ministério Público do Estado do RS e fiz minha matrícula. Cinco anos de Direito estavam por vir, e um alento para a alma era saber que, dificilmente, alguma etapa poderia ser pior do que os onze anos escolares.

Durante a graduação em Direito, me tornei ativista LGBTQI+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transsexuais, Queer, Interssexuais +). Percebi que havia chegado a hora de lutar por respeito, dignidade e cidadania. Comecei a luta absolutamente sozinho, indo em Paradas LGBTs e participando de oficinas, palestras e workshops em matéria LGBTQI+.

Conviver com o movimento LGBTQI+ me fez perceber que eu não estava sozinho: várias outras pessoas viviam situações similares ou até piores. Eu, ao menos, tinha inteiro e pleno apoio da minha mãe, uma mulher que sempre esteve ao meu lado – ainda que isso significasse estar contra tudo e contra todos – e que era meu maior exemplo de coragem e de força. Ela foi a primeira pessoa a me olhar no fundo dos olhos e dizer: “tu és meu orgulho e nada vai mudar isso!”.

Conheci uma ONG (Organização Não Governamental) LGBTQI+ que lutava pela dignidade dessa comunidade tão vilipendiada e marginalizada socialmente (“Outra Visão LGBT”, aqui do Rio Grande do Sul). Passei a frequentar as reuniões da ONG e a participar dos atos realizados. Depois de muito amadurecimento e vivência na causa LGBTQI+, finalmente, fiz a transição da vergonha pro orgulho. Entendi, de uma vez por todas, que o errado não era eu; a sociedade, de fato, estava doente.

A militância na causa LGBTQI+ me trouxe uma lucidez e clareza indescritíveis, mas também uma grande tristeza: MUITAS pessoas eram alvo desse ódio gratuito. A sociedade tinha dificuldade para lidar com a diversidade. Perdi vários amigos para a homofobia: amigos gays e amigas travestis foram assassinados em crimes barbaramente homofóbicos. Cada morte dessas me matava um pouco. Pensava que poderia ser eu, e isso tirava uma parte de mim.

Há quem diga que tudo tem um lado bom. Se, de um lado, este cenário me trazia grande tristeza, de outro, fez reforçar minha certeza do quanto era importante lutar por esta causa. O Brasil mata 1 LGBTQI+ a cada 19 horas: um verdadeiro genocídio. Sim, o amor era capaz de causar tanto ódio. Segui firme na luta, curando minhas feridas à medida que ajudava mais pessoas a se empoderarem e a terem certeza de que não deveriam envergonhar-se de si mesmas.

Em 2017, entro em um grande escritório de advocacia. Mal sabia que, ali, encontraria um ambiente inacreditavelmente respeitador e inclusivo. Nunca, em toda a minha vida, trabalhei em uma organização que eu admirasse tanto e na qual me sentisse tão pertencente. Ali, enxerguei mulheres em posições altas – mais que homens, diga-se de passagem –, sócios LGBTs, pessoas negras, deficientes, dentre outras. Percebi que o Direito permitia, sim, a ascensão de pessoas LGBTs.

Tive muitos reconhecimentos profissionais, o que confirmou o que eu pensava: minha sexualidade, jamais, serviria de fator de discriminação negativa. Em 2019, o escritório decidiu criar uma Comissão da Diversidade, da qual passei a ser integrante. Realizamos muitas ações em prol da diversidade, e muitas outras ainda estão por vir.

Hoje, sou plenamente feliz e realizado. A vergonha, definitivamente, deu lugar ao orgulho, e tenho total respeito, não apenas do escritório em que trabalho, mas de todo o meu círculo social. Ajudei muitas pessoas a entenderem que são perfeitas na sua própria natureza e singularidade. Acredito que a mudança cultural completa e definitiva é um processo intergeracional, que talvez demande mais tempo do que minha própria existência.

Sim, eu decidi lutar por essa causa. Uma causa de cidadania, de respeito, de dignidade e de amor. E, sem titubear, afirmo: é a causa da minha vida. “A cada beijo uma revolução”!

  • Mateus Gasparotto Crescente é Advogado