Autossabotagem no trabalho

O que você quer ser quando crescer? Acho que você leva jeito para medicina, como seu pai! Como você é bom em matemática, deve fazer engenharia! Acho que não encontrei o trabalho certo ainda! O problema é que sempre tem um chefe que resolve atrapalhar meu trabalho, implicando comigo! Tem um colega que faz tudo o que eu faço, ele parece imitar meus passos!

Somos confrontados com o mundo do trabalho desde cedo, em função da importância do mesmo em nossa sociedade. Dessa forma desde crianças vamos explorando através das brincadeiras e jogos infantis por meio da imaginação, o que vamos ser quando crescermos. Primeiramente imitamos os pais ou pessoas próximas, já que estes são os exemplos que visualizamos de trabalho. No entanto, podemos ter sonhos grandiosos, assim como mudar de opinião milhares de vezes, até nossa escolha profissional.

O trabalho pode ser visto como uma maneira de ganhar a vida e sobreviver ou uma forma de crescimento e realização. Assim, qualquer que seja ele, enquanto escolha da pessoa ou não, esta vai interagir diretamente ou indiretamente com outros adultos, sejam eles chefes, colegas de trabalho, clientes. Independente da capacidade técnica e do prazer no trabalho, existe a possibilidade de surgirem conflitos no trabalho. Tal fato pode ter estar relacionado ao que aprendemos sobre trabalho e como lidar com os relacionamentos interpessoais.

Muitos de nós conhecemos pessoas brilhantes e que não se adaptam a um chefe ou não conseguem se entrosar com a equipe. A essa altura está claro que as experiências pessoais auxiliam na forma como nos relacionamos no trabalho. O chefe pode se tornar a imagem de um dos pais que tivemos mais dificuldade de interação na infância. O colega apresenta características semelhantes de um de nossos irmãos.

Nas relações no trabalho vivenciadas, as experiências já começam distorcidas pelas velhas relações anteriores que foram difíceis e mal resolvidas. As pessoas continuam agindo da mesma forma e trazendo para as relações de trabalho aquela forma de se relacionar em sua vida familiar.

Sim, levamos nossas experiências pessoais para o trabalho! Isso pode gerar tristeza, raiva, medo de assumir novos desafios, repetições de situações de trabalho em trabalho. É um sofrimento que parece se perpetuar. Trazer à consciência essas repetições e ver novas formas de elaborar tais questões representa uma excelente maneira de perceber e buscar novas formas de se relacionar. A psicoterapia auxiliar nesse processo de olhar para as histórias pessoais e entender as repetições no ambiente de trabalho, proporcionado ao sujeito uma compreensão mais saudável de sua forma de funcionar no mundo. Acredita-se, desse modo, que terapia, em muito possa contribuir com as novas ressignificações das relações pessoais do sujeito, possibilitando ao mesmo um novo olhar e posição frente aos conflitos relacionais que se apresentam.

Luciane Guisso, Giulianna Remor e Michele Puel são Psicólogas Clínicas

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