Tristeza: a difícil dor de sentir

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Viver as emoções é uma tarefa árdua para todo ser humano, pelas falhas que acontecem durante o desenvolvimento mental. Para que o sujeito possa vivê-las necessita de um intenso trabalho prévio de integração das emoções possíveis de serem administradas, contidas e assimiladas. As doenças psicossomáticas constituem um exemplo onde o corpo é via de descarga do sintoma psíquico.

Os modos de viver da cultura contemporânea, onde o Ser vem perdendo espaço para o Ter, estão marcados por prejuízos na capacidade imaginativa. O que prevalece é um vazio existencial acompanhado de ansiedade, impulsividade e comportamentos extremos de dependência do olhar do outro.

As pessoas tentam evitar as emoções que causam sofrimento. Sentir dói. A tristeza, muitas vezes, é confundida com os estados depressivos, levando à utilização de medicamentos para amenizá-la.

A tristeza é considerada um estado afetivo normal de todo ser humano caracterizado por sentimento de insatisfação, assim como também o são a raiva e o medo. Já nos estados de depressão maior, segundo o DSM-V, devem existir cinco ou seis sintomas, persistindo durante duas semanas e causando sofrimento: humor deprimido, falta de prazer (anedonia), insônia ou hipersonia e outros.

Estudos recentes nos mostram que a depressão sem qualificação afetiva, ou alexitimia, é um estado depressivo, apático, não percebido pelo sujeito, com muito sofrimento psíquico, e está ligado ao apagamento total da dinâmica mental. Está na base de muitas doenças.

Frente à prevenção da saúde mental, além de buscar atividades criativas que dão prazer, é importante lembrar o que Freud (1917) pontuou: “Volte seus olhos para dentro, contemple suas próprias profundezas, aprenda primeiro a conhecer-se! Então, compreenderá por que está destinado a ficar doente e, talvez, evite adoecer no futuro(FREUD, 1917-19,p.152)

Eliane Tonello – Psicóloga e Escritora

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