Transformações fazem parte da vida

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Antes mesmo de iniciar a vida como a conhecemos passamos por muitas transformações. A partir da concepção tanto mãe quanto bebê passam por muitas fases, e assim a vida se inicia. Cada evolução envolve uma perda, mas traz uma nova fase, novos ganhos. Ao iniciarmos a alimentação sólida “perdemos o peito” e ao mesmo tempo ganhamos um mundo de prazeres. A liberdade dos primeiros passos acarreta a “perda” do colo, mas em contrapartida inicia-se a independência; a menstruação finaliza a infância, mas abre um mundo de possibilidades.

As mudanças de algumas fases são tão naturais que, muitas vezes, nem são percebidas como mudanças, mas sim como fases inevitáveis e por vezes muito esperadas. Alguns problemas podem começar quando ocorrem mudanças repentinas, aquelas que pegam de surpresa, que são impostas pela vida ou pela morte. Mas mesmo situações consideradas positivas, como por exemplo casamento, nascimento de filhos, promoção de cargo, podem acarretar alguns desconfortos. Tornar-se mãe, ao mesmo tempo que pode ser realizador, também pode ser traumático. Por um lado se tem a realização da maternidade, do amor incondicional, por outro lado inicia-se uma fase de muita doação, muitas vezes seguida de perda da identidade pessoal.

Se mudanças positivas podem acarretar desconfortos e conflitos, as negativas, como falecimento, perda de emprego, divórcios, podem ser ainda piores, isto porque muitas vezes ocorrem inesperadamente e trazem mudanças para as quais a pessoa não estava preparada. Com o falecimento de um ente querido, além de se conviver com a dor da ausência, muitas vezes ainda é necessário aprender a resolver questões que só o falecido resolvia, como pagamento de contas, trabalho e outros.

É importante salientar que momentos de grandes rupturas, de grandes mudanças, podem se tornar oportunidades de amadurecimento e, mais do que isto, de autoconhecimento, de viradas positivas. A perda de um emprego pode se tornar a oportunidade para montar o próprio negócio, ou para entrar em uma nova área, mais leve, mais feliz. Infelizmente, não raro, no cerne da ruptura as pessoas não têm noção do crescimento que poderá vir a partir desta situação, apenas visualizam um grande sofrimento.

De formas distintas todos passam por momentos de transformações e de rompimentos, sejam de pessoas, de situações, de atitudes escolhidas ou impostas. O ajustamento às novas situações depende muito da capacidade de resiliência de cada um (capacidade de se adaptar às mudanças), o que pode ser paralisante e um grande sofrimento para uns, para outros pode ser tranquilo se adaptar e seguir sem grandes traumas.

Não há como prever certas situações desconcertantes que ocorrem ao longo de uma vida, portanto não há uma única forma de lidar com as rupturas. Também é preciso entender que não vivemos um processo estático; ao contrário, a vida é movimento. Logo, se algo se transformou em uma situação muito ruim, a maioria das vezes é possível pensar em novas possibilidades, traçar saídas, correr riscos, analisar perdas e ganhos de cada ruptura. Não existem situações que são apenas de perdas, assim como não existem situações que são só ganhos. O importante, seja qual for o ponto de virada, é que se analise o que tem de positivo e de negativo naquela situação, que haja a tentativa de se traçar algumas possíveis soluções, prevendo na medida do possível as consequências de cada uma e a partir daí tomar uma decisão em direção à resolução do conflito, ou seja, o importante é que não se paralise dando espaço apenas ao sofrimento. Saliento que algumas rupturas são muito difíceis de lidar sozinho. É preciso atentar aos próprios limites e procurar ajuda psicológica sempre que necessário.

Por Eliana Alves Lima, psicóloga clínica

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