Ter um defeito não é necessariamente problema

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“Defeitos”? Falar de “defeitos” pode ser um tema até batido quando focamos nos padrões sociais. Mas, hoje, quero conversar um pouco sobre o lado positivo dos “defeitos”.
Primeiramente, vamos conceituar “defeito”. “Defeito” é tudo aquilo que não está em conformidade com um padrão físico ou que apresenta alguma irregularidade de funcionamento. Pessoalmente, não concordo com essa classificação quando falamos de seres humanos. Prefiro chamar de características individuais, mas para esse texto consideraremos “defeito” qualquer característica física ou mental fora do padrão social dito “normal”.
Antes, queria contar que quando vivíamos na pré-história nos agrupávamos em clãs e somente aquelas pessoas do clã eram nossa comunidade. Ser aceito era uma questão de sobrevivência, viver em grupos garantia uma vida mais segura e maior possibilidade de aquisição de alimentos. Assim, ter deficiências físicas ou mentais poderia fazer com que fôssemos excluídos e a nossa vida corria riscos.
Nós evoluímos e hoje os grupos são diversos e ser rejeitado por um grupo não nos oferece risco de vida e também não nos impede de sermos aceitos por outro. Temos uma diversidade de grupos. Mas parece que nosso cérebro nem sempre age de acordo com essa premissa e, ao sermos rejeitados por um grupo, é comum continuarmos tentando fazer parte dele. Ter um “defeito”, seja ele físico ou mental, pode nos atrapalhar nessa aceitação. Mas será que pode nos ajudar de alguma forma?
Vamos pensar em um adolescente fora do padrão, com o “defeito” de ser muito gordo (obeso). Ele pode ser excluído e sofrer bullying por parte dos colegas. Na tentativa de fazer parte do grupo, ele pode desenvolver uma boa habilidade de escuta, o que lhe garante ser o amigo procurado quando alguém tem algum problema, mais atento ao outro e ao ambiente. Ele pode desenvolver uma habilidade de comunicação e assertividade, melhorando seu diálogo e entendimento no grupo. Ele pode desenvolver um senso de humor específico, que promoverá boas risadas e poderá aproximá-lo das pessoas. Ele pode desenvolver uma capacidade de observação e empatia, que aumentará sua percepção do outro e o tornará mais próximo de pessoas que passam por alguma dificuldade. Ele pode desenvolver uma capacidade maior de lidar com frustrações, que será de grande importância durante toda sua vida.
São inúmeras as habilidades que podem ser desenvolvidas como estratégias de aceitação. Uma pessoa com ansiedade aumentada, que enxerga catástrofes nas situações futuras, pode desenvolver habilidade de antever possibilidades ruins e ser capaz de criar estratégias para minimizar ou evitar problemas. Uma pessoa com humor deprimido pode desenvolver maior capacidade de enfrentamento e autopercepção. Uma pessoa com uma deficiência física pode desenvolver novas habilidades de locomoção, percepção de espaço, empatia e sentidos mais apurados. Uma pessoa dita tímida pode desenvolver uma capacidade mais analítica de situações e do outro etc.
Diante dos exemplos, é possível perceber que ter um “defeito” pode ser a chave para desenvolver habilidades e enfrentamentos que, muitas vezes, não desenvolveríamos se estivéssemos dentro de um padrão de normalidade social.
É importante lembrarmos que existem diversos grupos e que ser rejeitado por um não significa fracasso e que sempre teremos outros grupos aos quais podemos pertencer.
Mas, mais do que isso, vale estarmos atentos e nos perguntarmos ‘em que esse “defeito” me ajudou?’ ‘Que habilidades desenvolvi por causa dele?’ Renata Trigueirinho Alarcon, psicóloga

Defeito. Será mesmo? Leia mais.

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