Tédio na sociedade pós industrial

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Os dicionários da língua portuguesa apresentam parecidos conceitos em torno deste termo, enfocado de forma filosófica e psicológica, já que trata-se de um sentimento ou estado estudado por ambas as disciplinas. Neles encontram-se explicações como desgosto profundo que provoca desinteresse por tudo; mal-estar causado por algo que aborrece, enfado; sensação de vazio; sensação de desprazer, depressão, um tipo de tristeza, falta de projetos etc… Para fins de trilhar o caminho do termo tédio, pode-se alargar seu conceito, usando os mesmos dicionários, com outra palavra – o ócio. Essa complementariedade que significa folgar, repousar, preguiça, não estar em ação, não trabalhar, não servir para nada…

 

Sociedade Pós Industrial

Situando o mundo ocidental, com as mudanças ocorridas no pós guerra, pela industrialização, como a valorização do trabalho, do mercado e da competitividade, o sentimento de tédio ou vazio vem se aprofundando, especialmente acompanhando o trabalhar apenas pelo salário, sem amor, o excesso de trabalho, a periculosidade na vida e no trabalho, a competitividade, a aposentadoria, o desemprego, a solidão, a separação, a velhice, as doenças, a perda de sentido de vida e muitas outras situações que ocorrem nesta era moderna….
Viktor Frankl (1905-1997), discípulo de Freud, preso em campo de concentração na 2ª Guerra Mundial, criador da Logoterapia (terapia do sentido de vida) trata especificamente deste problema tão humano, o tédio, ao qual ele denomina “vazio existencial”, ou doença típica do século XX. Propõe, então, uma “análise/terapia existencial”, ou uma “redireção da alma” para um sentido significativo pessoal. Segundo Frankl, o que importa é modificar a atitude, rumo a valores mais altos, mesmo ante destinos inexoráveis, que carregam grandes sofrimentos. Considera que o sofrimento é indispensável para que o homem encontre seu sentido. O desespero surge quando o sofrimento permanece sem sentido… Vê sentido em viver algo, para algo, em amar, realizar valores criativos ou vivenciais, enfim, “na transcendência de si mesmo, que constitui a essência da existência humana.”

 

Ócio Criativo

Na complementaridade do tédio encontra-se o ócio e o ócio criativo. O filósofo e sociólogo Domenico de Masi (1938), filósofo e sociólogo italiano, entre outros temas ligados ao trabalho na sociedade pós industrial, dá relevo ao ócio criativo e ao tempo livre. Dá ênfase à valorização e enriquecimento do tempo livre. De certa forma propõe que o ócio criativo não significa preguiça ou desinteresse, mas um estado de graça, comum a várias atividades intelectuais, que se hibridam e se confundem dando origem ao ato e ao produto criativo. Seria a valorização e o enriquecimento do tempo livre, numa distribuição consciente do grande valor-tempo, nas “necessidades básicas” que são introspecção (pensar-se, saber-se), convívio social, amizades, amor, execução de atividades lúdicas, etc… Constata-se que ele aproxima seu pensamento ao de Frankl, apontando as mesmas saídas para o tédio e o ócio.
Desta forma se encerra essas considerações com o psiquiatra Viktor Frankl (1984) quando propõe terapeuticamente:
“O que o homem tem que fazer não é interrogar, mas ser interrogado pela vida e à vida responder” criando um sentido para viver….
Então surge outra interrogação também reflexiva: Para  prevenir e ou  combater a doença da modernidade, o tédio, qual é o ócio criativo ou resposta à vida, habitual, que você utiliza ou pode utilizar?

Ida Maria Mello Schivitz, psicóloga

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