Acredite: todos sofremos

Talvez um dos conhecimentos mais sólidos que adquiri com as experiências da vida, um pouco de estudo e um mínimo de empatia é que todos sofremos. A dor é para todos e virou uma espécie de clichê dizer que o sofrimento é opcional e que importa mesmo o que fazemos com ele. A verdade é que, a menos que você seja altamente evoluído, não se engane: você vai sofrer e é bem provável que não tenha todas as ferramentas para lidar com a situação. Até pode disfarçar um pouco aqui, enganar bem a própria consciência um pouco lá, mas uma hora a conta chega.

Depois que entendi isso passei a tentar pegar leve com as pessoas. Sempre que me vejo diante de situações irritáveis ou que me causem algum dano envolvendo seres humanos, acesso minha nota mental e digo para mim mesma: essa pessoa também tem lá seus sofrimentos. A pessoa fala demais e irresponsavelmente? “Algo dói nesta pessoa”. Ela faz barulho enquanto come? “Essa pessoa também sofre”. Não entrega serviço no prazo previsto? “Hum, tem algum sofrimento na vida dessa pessoa”. A pessoa causou mágoa? “Também ela tem suas dores e dificuldades”. Os exemplos vão de situações mais corriqueiras até as mais complexas.
A regra também vale para aquelas situações em que você se sente mal e parece que todos estão bem e felizes – principalmente a julgar pelas fotografias nas mídias sociais. A pessoa está viajando o mundo? Hum, ela também tem lá seus sofrimentos. A pessoa está evoluindo na carreira não passo por passo, mas salto por salto? Em alguma medida, essa pessoa também dói. Relacionamento afetivo é fácil fácil para aquela outra pessoa? Ela deve ter lá suas dores também.

Entender que o outro sofre nos dá a dimensão da fragilidade humana, que nos inclui. Às vezes achamos bobagem o sofrimento do outro, porque é uma situação que já superamos. A verdade é que ao mesmo tempo que apontamos o dedo para outro com julgamento, damos autorização ao universo para alguém que já superou situações que estamos enfrentando nos aponte o dedo também. “Viver é cuspir pra cima”, alguém já disse.

Nem sempre consigo, é verdade. Não sou um ser humano altamente evoluído. E isso me faz lembrar uma história. Ela diz o seguinte: a um homem foi solicitado, por Deus, que todos os dias levantasse e empurrasse uma grande pedra perto de sua propriedade. Nos primeiros dias e semanas a ordem foi cumprida com maestria. Depois de um tempo, sem conseguir deslocar sequer um milímetro o rochedo, o homem desanimou e cessou a atividade. Quando morreu, na hora do acerto de contas, lhe foi perguntado o porquê do abandono de sua missão. E ele argumentou sobre o insucesso no deslocamento da pedra. E então Deus disse: não lhe foi solicitado que deslocasse a pedra; apenas que a empurrasse.

Talvez você pense que tudo isso seja sobre empatia, sobre capacidade de se colocar no lugar do outro e tentar entendê-lo, mas em alguma medida talvez seja também sobre amor próprio. Porque doer e sofrer não autoriza ninguém a irritar, incomodar ou, em algum nível mais profundo, machucar os outros. Quem utiliza a própria dor para ser sádico, abusivo, agressivo ou um sugador de energia, especialmente se utiliza a estratégia da vitimização, não constrói.

Parafraseando uma famosa saudação oriental, poderíamos dizer “A dor e o sofrimento que habitam em mim saúdam a dor e o sofrimento que habitam em você”. Portanto, camaradas, peguemos leve uns com os outros. Todos temos nossos próprios rochedos para empurrar, dia após dia. Talvez nem sempre você consiga, mas pelo menos tente.

É assim para mim. E para você?

Sandra Veroneze
Jornalista, escritora, editora e filósofa clínica

Pronto! Falei!


Cansei por cansar do fato de ter que reclamar de tudo e todos para parecer conveniente, inteligente, pensamento crítico, visão realista, enfim – essa palhaçada toda que a crítica traz como bom, legal, mas que na maioria das vezes esconde o fato do denegrir o outro, da acusação, da culpabilidade de um ato ou para alguma pessoa, do eu ser o melhor, o erudito e bom.
A crítica cega o fato do defeito intrínseco em quaisquer atividades, do poder da improvisação e da criatividade. A crítica, quando não aliada a um resultado apontado por ela, não significa absolutamente nada, só um status e cobrança indesejada. Por isso, ao meu ver, “crítica positiva” sem mostrar solução e só uma fala inacabada.
Muito pensa-se em respeito humano hoje em dia, em ver o outro de forma integral, o todo, e não as partes. Mas que respeito há se só se vê problemas, sem a busca de soluções? Apontar é fácil, porém seguir e conseguir ver uma luz na trajetória sem pisar nos degraus da crítica se torna quase insuperável.
Quando você cria algo novo, há o desejo de que seja excelente, que auxilie as áreas a verem seus pontos nevrálgicos e impulsione o novo. Mas, às vezes, falta imaginar que o novo talvez não seja aceito nem partilhado da mesma felicidade da criação, o que gera uma grande angústia a quem criou, numa cobrança do que e por quê errou.
Será que de fato há o erro? Há de se pensar no momento de parar com certos bairrismos internos do meu e do teu e fazer algo diferente – compartilhar uma nova forma de alcançar melhorias e soluções.

Juliana Borba
Coach e Coautora dos livros da coleção de Gestão Pessoal da Editora Pragmatha

Você sabe o que é e como usar a Tríade do Tempo?

Em MBA em Coaching, aprendemos como utilizar esta ferramenta, A Tríade do Tempo, que considero uma chave de ouro e serve para visualizarmos onde nosso coachee esta dispensando seu tempo ao longo do dia.
Dificilmente prestamos a devida atenção de como utilizamos nossas 24 horas diárias, e muitas vezes esta falta de conhecimento nos causa vários incômodos, transtornos e muitas vezes o retrabalho.
Vou resumir para vocês as definições da tríade, descritas aqui em três pontos de destaque: atividades importantes; atividades urgentes; atividades circunstanciais.

Importante
Nesta ampulheta temos todas as atividades que você faz e são realmente importantes na sua vida em curto, médio ou longo prazo, mas você sabe que são prioritárias. Possuem tempo de execução, mas não são urgentes. Costumamos exemplificar como uma consulta médica que você marca com antecedência, mas se você sofrer um AVC passará a ser urgente. Se você cumpriu sua tarefa em tempo determinado, ela não passará a urgentes. Portanto toda tarefa importante que você não cumprir no prazo determinado passa a ser urgente.

Urgente
Nesta ampulheta temos as atividades exigidas fora do previsto ou que o tempo é pouco ou já expirou. São aquelas exigências que chegam de última hora, causando stress e muita pressão. São exemplos: esquecimentos, reuniões de emergência.
Temos o triste hábito de adiar o que é importante, realizando apenas quando se torna urgente.

Circunstancial

Nesta ampulheta ficam todas as atividades desnecessárias ou irrelevantes. Costumam roubar tempo e ações, como email de fofocas, brincadeiras, uso indiscriminado da internet, redes sociais, TV etc.
Percebam, o que é importante e você executou não é urgente, e o que é urgente também não é circunstancial.
Cuidado com o estresse disfarçado de importante!
Para chegarmos aos percentuais de cada ampulheta, realizamos com nosso coachee um questionário simples mas específico e esclarecedor, após somamos as respostas para depois calcularmos os resultados finais.
Lorena Fontoura

Coach e Coautora dos livros de Gestão Pessoal da Editora Pragmatha

O que você faria numa fração de segundos?


O que é um instante? Segundo o dicionário, é algo que está prestes a acontecer, iminente, acontecimento rápido, passageiro, espaço de segundo.
Mas prefiro refletir sobre um espaço de segundo.
O que podemos fazer com um “espaço de segundo”? Nada? Ou tudo?
Tomar uma decisão, desviar de um buraco na calçada, gritar “te odeio” em meio à briga, derrubar nosso perfume preferido, fechar a janela do quarto para não chover sobre nossa cama, cortar o dedo indicador direito. Enfim, muitas atitudes e ações podem ser realizadas em um espaço de segundo.
Um espaço de segundo, define minutos, horas, dias, anos e até uma vida inteira!
Estamos constantemente decidindo nosso destino em espaços de segundo; desde ainda no ventre de nossa mãe, nós decidimos a grande hora! Se vamos levantar ou não da cama, se vamos fazer nossa higiene, que vestimenta usaremos? (atitude de segundo que pode te deixar o dia todo sentindo frio ou calor).
Utilize seu espaço de segundo, mas não despreze seus minutos, horas posteriores, aqueles que decidimos não colocarmos o cinto de segurança e logo após vem a fatalidade ou aquele instante em que você decide seguir seus instintos animais e minutos depois sua ou seu cônjuge lhe flagra em pleno adultério (normalmente segue-se aí uma separação e muita tristeza familiar).
Não sejamos tão pessimistas, temos instantes de decidirmos falar a palavra certa na entrevista de emprego e horas depois somos chamados para a vaga, ou aquele instante em que você reúne todas as suas forças que nem mais acredita existir e vence a tão sonhada maratona, o espaço de segundo do “sim” frente ao padre no altar.
Somos movidos por espaços de segundos. Você pode até contar seu dia pelas horas que o completam, mas suas decisões e seu destino estão amarrados pela linha tênue do instante.
Alguns fios de instantes passam por nós desapercebidos, enquanto outros morrem conosco, ou grudam em nosso pescoço sufocando-nos de tanto em tanto (para lembrar sempre o que você fez daquele instante). Infelizmente (ou não) costumamos lembrar dos nós que sufocam, pois são com eles que aprendemos as maiores lições para vida (aproveitem este nó como laço positivo de ensinamento).
Já os laços mais lindos e soltos, de decisões felizes e assertivas, nos servem para alimentar nosso eu para seguirmos confiantes e com autoestima elevada, na certeza de que cada espaço de segundo será melhor do que o segundo passado e assim sucessivamente por toda nossa vida.
Vale lembrar que os espaços de segundos não voltam, mas você pode e tem o livre arbítrio de ao longo do tempo ir alterando, ressignificando estes nós, tornando-os laços leves e soltos para seu bem viver. Como profissional coach, com formação em programação neurolinguística, costumo trabalhar estes nós sufocantes com meus clientes, com resultados muito favoráveis.
Pensar antes de cada segundo de instante sobre suas decisões o deixará ao longo da vida com mais laços que nós, pois lembre-se que o instante é seu, as consequências são dos seus!

Lorena Fontoura
Coach e Coautora dos livros de Gestão Pessoal da Editora Pragmatha

Aceito ou compreendido, você sabe a diferença?


Ser amado todos nós desejamos e sabemos exatamente (ou quase) o que é amor, mas você sabe o que significa efetivamente ser aceito? Conhece a diferença entre ser aceito e ser compreendido? Vamos à nossa reflexão de hoje.
Você consegue ser aceito, mas pode não ser compreendido, pois aceitar é consentir algo ou alguém de maneira voluntária e sem oposição.
Antes de querer ser aceito, lhe pergunto: você se aceita como é? Se você sabe conviver com seus erros do passado, fazendo deles aprendizado para o presente, encara o futuro com oportunidade de crescimento e felicidade. Então sua resposta é afirmativa, você se aceita como é.
E o outro, você aceita? Se não tolera erros e equívocos, sem enxergar o bem dos comportamentos ou ações, sua resposta é “não”! Prefiro acreditar que você respondeu “sim”.
Aceitarmos o próximo, é quando nos sentimos à vontade ao seu lado, quando e reconhecemos como semelhante e queremos dividir com ele o universo, quando reconhecemos sua existência humana.
Aceitar é difícil, no entanto é ainda de longe mail fácil que a compreensão. Para você compreender o outro é preciso mergulhar no universo da pessoa, requer uma análise, reflexão na busca em saber quais razões, motivos, medos, alegrias, dúvidas, frustrações que o tornaram tão humano quanto você.
A compreensão é uma imersão maior na individualidade do outro, exige um profundo senso de humanidade e compaixão. Portanto, ser compreendido está muito além de ser aceito. Enquanto a aceitação reconhece a condição humana, a compreensão reconhece alguém como Ser humano, mas também as razões, motivos, medos, alegrias, dúvidas, frustrações que o tornam humano igual a você.
Para compreender o outro, antes é necessário que você se aceite e se compreende, em outras palavras, que você tenha um grau elevado de autoconhecimento, de desenvolvimento humano e inteligência emocional ampliada, reconhecer sua missão de vida, antes de buscar compreender o outro.
Os processos de coaching facilitam sua compreensão de si, com ferramentas e técnicas específicas que impulsionam para o autodesenvolvimento, autoconhecimento e amplia sua inteligência emocional consideravelmente.
Como coach, sonho com o dia em que nossos sucessores aprendam nas escolas a trabalhar, identificar e controlar suas emoções, ampliando o autoconhecimento para olhar com olhos de bondade, carinho e amor ou próximo!
E então vocês devem estar se perguntando: mas e quanto ao amor?
O amor aceita, compreende e ainda examina semelhanças, diferenças, busca admiração, identifica a química da atração. São frações de segundos que faz você querer estar perto daquela pessoa ou seu animal de estimação, até mesmo aquele beija-flor que todas as manhãs vem nas flores do seu jardim.
O amor é uma emoção sublime à compreensão humana, pois é divino. Existem muitas formas de amor, e todas valem a pena.
A emoção amor, está conosco a todo instante, e de todas as maneiras.

Lorena Fontoura
Coach, coautora das obras de Gestão Pessoal da Editora Pragmatha

O Poder da Visão: quem tem um ‘porquê’ inventa um ‘como

 


Viktor Emil Frankl foi médico psiquiatra, conferencista e professor universitário. Fundador da Escola da Logoterapia, que explora o sentido existencial do indivíduo e a dimensão espiritual da existência, sua contribuição não se restringe à psiquiatria especificamente. Sua história de vida – exemplo de resiliência e superação – inspira pessoas comuns que buscam dar um sentido à vida. Judeu austríaco, como prisioneiro em campos de concentração nazistas, sentiu na pele os horrores do Holocausto. Em suas palestras ao redor do mundo, Frankl destacava o poder da visão como uma verdadeira fortaleza para o espírito. Suas obras, ainda hoje e por um longo tempo, nortearão e iluminarão a Humanidade. O título e os trechos em destaque são de sua autoria e emolduram este artigo.

Nada proporciona melhor capacidade de superação e
resistência aos problemas e dificuldades em geral do que a
consciência de ter uma missão a cumprir na vida.

O homem precisa conhecer, aceitar e vivenciar sua missão. Porém, como parte do processo de ressignificação da própria existência, é preciso ir além. Dentre os princípios norteadores das organizações – missão, visão e valores –, propor uma visão de futuro é um dos exercícios mais interessantes. No entanto, quando se trata das nossas próprias vidas, dep-ramo-nos com crenças contraditórias e limitadoras. O conferencista Joel Arthur Barker apresenta uma perspectiva assertiva ao afirmar que visão sem ação não passa de um sonho; ação sem visão é só um passatempo; visão com ação pode mudar o mundo. Isso porque muitos ignoram o fato de que a ação é imprescindível à realização de qualquer coisa que se possa chamar de visão, sonho, projeto etc.

Ensinaram-nos, desde a infância, que o futuro a Deus pertence. Esta crença tira-nos o poder de construí-lo passo a passo. E contradiz a premissa básica do pensamento judaico-cristão, a de que o homem é provido de livre-arbítrio.

O ser humano não é completamente condicionado e definido. Ele
define a si próprio seja cedendo às circunstâncias, seja se insurgindo
diante delas. Em outras palavras, o ser humano é, essencialmente, dotado de livre-arbítrio. Ele não existe simplesmente, mas sempre decide como será sua existência, o que ele se tornará no momento seguinte.

É fato que não temos o poder de mudar as circunstâncias da vida, assim como Frankl não foi capaz de impedir o assassinato de sua esposa, pais e irmãos. Ele, porém, manteve-se iluminado por um propósito. Era preciso que sobrevivesse para cumprir sua missão: ajudar outras pessoas a enfrentar e superar seus traumas.

Se percebermos que a vida realmente tem um sentido,
percebemos também que somos úteis uns aos outros. Ser humano
é trabalhar por algo além de si mesmo.

Ele criou uma visão forte e positiva na qual alicerçou sua obra e sua vida. Encarcerado, sofrendo maus-tratos e testemunhando os mais bárbaros crimes contra a Humanidade, o psiquiatra dedicou-se a ajudar seus pares e a produzir boa parte da tese que, anos mais tarde, daria origem à Terceira Escola Vienense de Psicoterapia. Outros prisioneiros, no entanto, concentraram suas energias numa projeção de vingança. Ao concretizarem seus intentos, estes homens e mulheres viram suas vidas perderem o sentido enquanto que Frankl manteve-se produtivo até o fim de sua existência.

Devemos transformar os aspectos negativos da vida em algo construtivo.

O segredo do sucesso está na proposição de uma visão forte e positiva. A visão das organizações, para um determi-nado horizonte de tempo, observa à risca esta premissa. No entanto, quando se trata de pessoas, não é raro ouvirmos projeções fracas e negativas. Como você se imagina daqui a dez anos? – Pergunte a alguém. A resposta mais provável é um simples não sei! Mas, há quem imagine um futuro sombrio. Quantas vezes você ouviu coisas do tipo: Ih! Com esse governo, não sei nem se terei aposentadoria!; Com o colesterol nas alturas, não sei nem se estarei vivo! Cuidado! Estas afirmativas são po-derosas, porém extremamente negativas. E quando questionadas, estas pessoas justificam-se com certa lógica: não sou pessimista, sou realista! Mas, afinal, quem cria a realidade?

Quando a situação for boa, desfrute-a. Quando a situação for ruim,
transforme-a. Quando a situação não puder ser
transformada, transforme-se.

Você já ouviu a expressão ônus e bônus? Desejamos o prêmio – um relacionamento amoroso saudável, um em-prego que nos realize, boa saúde… Entretanto, nem sempre estamos dispostos a pagar o preço por isso: declinar ao fute-bol das quartas-feiras com a galera do escritório, abrir mão da estabilidade do emprego por um empreendimento arris-cado, mudar hábitos pouco saudáveis… Lembre-se do que disse Barker: visão com ação pode mudar o mundo. Por ora, mudar a si mesmo é o que basta.

Não sou fruto do passado, sou fruto de uma mudança
assumida e vivida com intensidade.

Um dos aspectos mais fascinantes no processo de coaching está no fato de que tomamos consciência de que somos responsáveis por nossas vidas. Sem exceções, todos concordam com esta afirmativa. No entanto, aquele mas que vem logo depois é que muda todo o sentido da frase: somos responsáveis por nossas vidas, mas…

Por 40 anos, acreditei que não seria capaz de dirigir. Havia tentado, aos 18 e 30 anos, obter a CNH sem êxito. Imaginar-me guiando, causava-me pavor (sintoma emocional) e ânsia de vômito (sintoma físico). Com frequência, era motivo de chacotas e isso contribuía para colocar abaixo minha autoestima que já não era lá essas coisas. Em 2010, comprei um carro zero e nem assim aventurava-me a guiar pelo bairro. Temia causar um acidente, machucar-me ou ferir alguém. Determinei-me a fazer a autoescola e aprender de fato.

Durantes as aulas, tremia e suava frio, mas estava firme no meu propósito. Submeti-me a seis (!!!) exames de direção até ser bem sucedida. Mesmo depois de conquistar a CNH, sentia-me insegura. Acreditava que somente com a prática seria capaz de mudar este quadro, por isso dirigia diariamente, desafiando meu medo, dando preferência a vias congestionadas, declives e aclives íngremes. Dirigia melhor a cada dia, mas não superava o mal estar. Busquei um subterfúgio bem simples: ao deitar, procurava visualizar outro cenário: via-me, num futuro próximo, guiando serenamente por ruas e rodovias movimentadas. Imaginava-me a Penélope Charmosa, elegante e segura, guiando meu automóvel e enfrentando, com certo glamour, as loucuras do trânsito. Assim como a personagem dos desenhos, eu sempre contornava os obstáculos e chegava em segurança ao meu destino.

Considero-me, hoje, uma motorista razoável e sinto prazer em dirigir. Às vezes, sair por aí funciona como uma verdadeira terapia antiestresse. Embora pareça um processo natural, assevero que dominar esta nova habilidade só foi possível porque (1) reconheci minha incompetência, (2) desejei aprender, (3) agi efetivamente e (4) criei uma visão forte e positiva que ajudou a tornar realidade um sonho acalentado por anos.

A tentativa de enxergar as coisas numa perspectiva engraçada
constitui um truque útil para a arte de viver.

Esta brincadeira pode ser um exercício para uma mudança de paradigmas. É preciso dar um primeiro passo. Mudar o padrão mental para projetar uma visão forte e positiva pode começar assim e, com o tempo ir tomando uma forma cada vez mais grandiosa (cuidado para não se escravizar por ideias megalomaníacas) – e saudável. Não é fácil passar a vida inteira culpando os outros e as circunstâncias e, de repente, perceber que resultados dependiam apenas da tomada de decisão assertiva.

Quem vive reclamando, geralmente, encontra motivos reais para reclamar; quem vive agradecendo, geralmente, encontra motivos para agradecer. Isso porque o coração agradecido comunica-se com Deus e o queixoso relaciona-se com Satanás, afirma Mokiti Okada. O mal aqui referenciado não tem chifres nem usa tridente, ele representa o nosso pior inimigo; o eu inferior, que nos puxa para baixo, desmotiva, desanima e corrompe nossa alma imortal da qual emana luz e de onde provém o poder infinito do Criador.
Protagonismo implica responsabilidade; escolhas acarretam consequências. Por isso encerro este artigo com uma das mais curtas e belas citações de Frankl:

Aquilo que emite luz deve suportar o calor.

Andrea Guerreiro de Souza, coautora da obra Gestão Pessoal e o Ciclo SPR

Destino de Origem: todos temos. O que é e como vencê-lo

 

 

Você já ouviu falar de Destino de Origem?

Quem me conhece sabe que tenho uma propensão ao realismo e ao sarcasmo. O que a maioria não sabe é que herdei essas características da minha mãe. Tudo para ela sempre é muito simples, branco ou preto, certo ou errado, direita ou esquerda…

Minha mãe nunca acreditou em sonhos, nunca esperou que a vida lhe desse mais do que o que se espera para alguém do seu tipo, seja que tipo for – mulher, pobre, iletrada, cristã e todas as palavras que nos colocam naquelas caixinhas alinhadas nas prateleiras da vida.

Apesar desse olhar pragmático para a existência, minha mãe ensinava a quem quisesse com ela aprender que o futuro nós construímos desde cedo, que não se deve sonhar apenas – porque quem sonha muitas vezes dorme no ponto – mas que é preciso batalhar, dia após dia, pelo que se acredita e pelo que se quer.

Lembro de uma ocasião, no auge dos meus saudosos 10 anos, em que, cansada das correrias e brincadeiras de rua, me atirei sobre a cama de minha mãe enquanto ela pregava alguns botões e cerzia algumas meias (falava-se assim naquela época). Fiquei olhando o movimento da agulha, curtindo o tédio inerente de quem tem o mundo pela frente. Minha mãe questionou: “não tem tema pra fazer, filha?”. Com um ar displicente respondi com um “desentusiasmado” “não ‘tô’ com vontade”. Sem tirar os olhos da costura, com a mesma calma de antes e como se aquilo fosse banal, sua única observação foi: “tá certo… tu tá na quarta série, já sabe ler e escrever, pra empregada doméstica já é o suficiente… Pra que estudar mais, não é?”

Arregalei meus olhos, dei um pulo da cama e fui rapidamente para os livros. Com aquela simples observação minha mãe me fez ver que para ir além da sua programação original, aquilo que podemos chamar de “destino de origem”, há um esforço muito maior, que exige muito mais aplicação e trabalho do que para quem já tem o caminho parcialmente trilhado (ou um destino de origem “melhor posicionado”)

Arregalei meus olhos, dei um pulo da cama e fui rapidamente para os livros. Com aquela simples observação minha mãe me fez ver que para ir além da sua programação original, aquilo que podemos chamar de “destino de origem”, há um esforço muito maior, que exige muito mais aplicação e trabalho do que para quem já tem o caminho parcialmente trilhado (ou um destino de origem “melhor posicionado”). Eu sou filha de pedreiro. Seria diferente se fosse filha de médico? Com relação ao que se espera como “destino de origem”, certamente sim. Vejo que a questão já então dizia respeito não a maior ou menor valia desta ou daquela profissão, mas da possibilidade de ir além do que a minha situação inicial previa. A grande diferença era se eu buscaria ou não realizar meu sonho de expandir a caixa em que fora colocada quando nasci.

Confúcio já dizia que “sonhar com o impossível é o primeiro passo para torná-lo possível.” A simplicidade da minha mãe me fez ver que não se trata de sonhar, apenas, mas de ‘correr atrás’, esse conceito desconhecido pelas novas gerações. Eu não tinha, na infância, muitos caminhos a seguir, e isto é o que ocorre com a maioria das pessoas, e escolher o caminho certo dá trabalho. O caminho certo não envolve apenas fazer o que é legal ou moralmente correto, mas também fazer aquilo que reverbera no nosso interior, aquilo que queremos e do que nos orgulhamos.

Vejo tantos colegas que possuem um espírito livre sofrendo em empregos formais, pessoas que se formaram em Direito querendo ajudar pessoas e que sofrem diariamente por estar inseridas no mundo corporativo, médicos cujo sonho era sarar a humanidade e que se encontram atolados em consultas insignificantes de males inventados pelo próprio ser humano, artistas que escolhem profissões tradicionais unicamente por medo de não conseguir dinheiro suficiente para sua subsistência… Fazer escolhas não é uma tarefa fácil, mas é a única tarefa sobre a qual temos total controle.

Minha mãe tinha dificuldade em entender que o que ela queria para suas filhas não era nada além de um sonho e, com isso, incutiu em nós o desejo de planejar e realizar.

Muito se fala que a nova geração não dará resultados no mundo corporativo – e isto não é necessariamente um mal – porque são jovens imediatistas e acreditam que tudo está ao alcance de suas mãos. Em termos de sobrevivência, isto provavelmente será um grande problema, pois nós, os “sábios” nascidos no século passado, sabemos que não há recursos e possibilidades para todos. Temos uma geração muito boa em sonhos, mas que não tem ideia do que seja planejar e este é o risco do sonho: imaginar que tudo no mundo acontece num passe de mágica.

A questão é que o acesso à informação desdiz qualquer pesquisa ou estudo sério a esse respeito. Pululam na rede casos de youtubers que ficaram milionários com um canal falando sobre tudo e nada, startups criadas em um apartamento que passaram a render milhões com ideias muitas vezes até simples, especuladores que ganham dinheiro sem construir absolutamente nada. E então vem o pensamento: “se eles fizeram, a minha vez vai chegar também, vou ter uma ideia que vai impactar o mundo e ficarei milionário!”

O que a maioria não vê – ou não quer ver – é que mesmo por trás disso houve um grande planejamento. Nenhuma startup nasce do nada para o sucesso. Envolve investimento, não só financeiro, mas de tempo, paciência e muita tentativa e erro.

O que a maioria não vê – ou não quer ver – é que mesmo por trás disso houve um grande planejamento. Nenhuma startup nasce do nada para o sucesso. Envolve investimento, não só financeiro, mas de tempo, paciência e muita tentativa e erro. Na fase do planejar é que muitos sonhos são abandonados, às vezes com sabedoria, porque nem tudo que sonhamos é viável, às vezes por ansiedade ou descrença no próprio potencial.

Como definiu Ambrose Bierce: “Planejar: preocupar-se por encontrar o melhor método para conseguir um resultado acidental.” Apesar dessa definição do sarcástico Bierce, o certo é que sem planejamento dificilmente o resultado, ainda que acidental, acontece. A realização sem qualquer planejamento apenas é possível àquela pequena gama de afortunados para quem a vida acontece no ritmo e forma certos, sem qualquer esforço, mas se isso não aconteceu com você até agora comece a imaginar que talvez você integre os 99% que precisam batalhar para concretizar seus projetos…

Quantos meninos e meninas prodígio têm uma vida adulta de desespero por não alcançarem a totalidade de seu potencial, geralmente por força de acreditarem que suas qualidades eram suficientes para que a vida retornasse os benefícios decorrentes de suas habilidades.

“São as nossas escolhas que revelam o que realmente somos, muito mais do que as nossas qualidades” – esta frase de Alvo Dumbledore (J.K. Rowling) nos faz lembrar que o que define nossas vidas é o que fazemos de fato. De nada adianta ter muitas qualidades se elas não retornam em nada concreto. Quantos meninos e meninas prodígio têm uma vida adulta de desespero por não alcançarem a totalidade de seu potencial, geralmente por força de acreditarem que suas qualidades eram suficientes para que a vida retornasse os benefícios decorrentes de suas habilidades. Mas, como diz a música de Ana Vilela, “a vida é trem-bala, parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir”. A vida passa muito rápido, somos apenas um grão de poeira no universo, mas podemos aproveitar esse curto recorte de espaço e tempo para construir algo além de nós mesmos, para construir a pessoa que queremos ser e a realização dos nossos sonhos está apenas em nossas mãos e, se não está, talvez esse sonho não seja realmente nosso.

Por Clarisse Rozales | Coautora do livro Gestão Pessoal e o Ciclo SPR

Conquistar e se tornar refém…

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O ser humano é motivado ao novo, precisa estar sempre em constante movimento, de busca, de luta, de fazer escolhas. O engraçado disso é que, quando desejamos algo, lutamos incessantemente até possuir, mas quando possuímos acabamos por nos esquecer do quanto desejamos aquilo e torna-se comum a conquista – e novamente nos prendemos ao eterno círculo vicioso de nos empenhar novamente em novas conquistas. Diante disso, podemos dizer que o ser humano é mesmo um eterno insatisfeito?

O que isso tem de errado? A princípio, nada, se você se mantiver grato e feliz com a conquista, não apenas descartando como se não tivesse mais importância. Porém, se você está na lista dos eternos insatisfeitos e age apenas no automático impulso de ter, ter e apenas ter, tem sim, algo de errado nisso.

Por que essa necessidade? Já parou para pensar o que pode ter por de trás disso?

Todo excesso, sabemos, esconde a falta. É nas compras seu grande dispêndio energético? São bens materiais? São conquistas profissionais? Ou seriam as amorosas?

É no lado amoroso seu tendão de Aquiles? Luta para conquistar alguém, perde noites de sono, manda flores, manda presentes, mensagens, leva para jantar, muda seu visual, para ver se chama atenção e, depois de muitas lutas, consegue! Conquista realizada com sucesso! E o que devia ser motivo de comemoração e curtição começa uma descida desmedida de esvaziamento, de perda de interesse, de falta de graça. Mas o que é isso, afinal?

O que faz você querer sempre o novo? Por que não se satisfaz com o que conquistou, o que há de errado? Chamo isso de inconstância afetiva e vulnerabilidade a mudança, o que torna o sujeito pouco tolerante e cada vez mais prisioneiro de fazer escolhas, de mudar e nunca estar satisfeito dentro de nenhum relacionamento, até mesmo no âmbito das amizades e relações familiares, podendo direcionar até mesmo a algum transtorno do humor, onde o processo de afetividade do sujeito é prejudicado.

No campo profissional, algumas mudanças são bem-vindas, quando tratamos por exemplo de crescimento, de carreira, de sucesso, de aquisição de novos conhecimentos, novas habilidades, sejam cursos, idiomas, tecnologias, enfim, alguma ambição é natural e necessária. O mundo não se moveria se só existissem os acomodados. Nada contra, mas ação, num mundo globalizado, é a palavra de ordem. Quem fica parado é como camarão que dorme e a onda leva – já ouviu isso?!

Se a motivação para alcançar objetivos está canalizada para seu lado profissional, nada mal desejar crescer e alcançar sucesso profissional, mas temos que concordar sobre a necessidade do crescimento do todo, da melhora enquanto ser humano, e junto desse pacote colocamos os aspectos emocional e espiritual da existência.

Aliás, vamos clarear o que é motivação: é o direcionamento do pensamento, atenção, intenção, ação e energia para a realização de um objetivo. Essa força que ativa o comportamento do sujeito à ação abarca outros elementos, como muita vontade, desejo, esperança, fé e outros esforços.

Gostaria de deixar uma frase de Sartre, um grande filósofo existencialista, para quem a liberdade total e é a capacidade de escolher entre duas ou mais possibilidades. Dizia Jean Paul Sartre: “o homem está condenado a ser livre, com outros homens livres”. Pensando nisso, perceba o peso da escolha e o peso da liberdade, pois liberdade nada mais é do que um eterno fazer escolhas!

Renata Hagge, psicóloga

Você é um eterno insatisfeito? Entenda por que as conquistas perdem a graça. Leia mais.

 

 

Mudanças x zona de conforto

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Ponto de virada me sugere a palavra “mudança”, e quem disse que é fácil? E quem disse que é tão, tão difícil, que mesmo que no momento cause um sofrimento? Dependendo da intensidade, nos faz ver a vida de outra forma e a principal questão a ser trabalhada é a forma de lidar com a mudança, pois ela acontece muitas vezes na vida e a forma como eu lido com ela faz toda a diferença. Procuro fazer algo bom disso ou fico estagnado no meu próprio ponto de vista? Depende de cada um.

Temos força suficiente para lidar com cada uma delas, mas precisamos nos dar conta de que temos bagagem suficiente para enfrentá-la.

Na verdade, para aproveitar a vida de uma forma plena, é preciso arriscar-se para a concretização dos objetivos e a nossa “zona de conforto” (aquele lugarzinho tranquilo, onde nos encontramos acomodados) nos parece o caminho ideal… Para mudar, é preciso atravessar um “grande deserto”, onde tudo parece muito difícil, mas basta atravessá-lo para chegar ao tão esperado “oásis” existencial.

Na verdade, o grande problema é desanimar diante desse deserto, olhar para a longa distância e não conseguir enxergar nada além do vazio que está a nossa frente, sem perceber que logo ali tem algo bom nos aguardando. Ao perder o foco no que se quer, o caminho começa a ficar mais difícil e ao olhar esse mesmo deserto sem nenhum propósito, com certeza, realmente o caminho será mais longo.

Fabiana V. de Mello Vieira, psicóloga

Pontos de virada: Quando a única alternativa é seguir em frente. Leia mais

A tênue linha entre o real e o virtual

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Com o avanço significativo da internet e seus aplicativos de relacionamento, a linha tênue entre o que é real e o que virtual tem se tornado um tema importante para pais e educadores.
Passamos a compreender a tecnologia como um instrumento indispensável em nossas vidas. Contudo, é importante frisar que mesmo com todo esse avanço é necessário que as interações sociais aconteçam, pois são elas que determinam e constroem em nós o senso de responsabilidade e frustração. Frustração essa que é determinante para que se possa ter consciência de que aquilo que eu quero/que eu posso é muito diferente, e depende do comprometimento e planejamento. Esse limite imposto por situações que não podemos controlar é potencializador se queremos buscar caminhos que nos levem ao nosso objetivo. Na vida virtual, esse caminho não acontece, a frustração não acontece, tudo é imediato e instantâneo.
Portanto, o aprendizado advindo das frustrações nem sempre é negativo, se acreditarmos que algo melhor nos será dado em troca. Agora, se escolhermos viver uma vida de fantasia, como é o caso do mundo virtual, teremos grande chance de, ao nos relacionarmos forçosamente com o mundo real, desenvolver algum sintoma/síndrome, como depressão, ansiedade, transtorno do pânico e, em casos muito complexos, o suicídio. Nesse sentido, é necessário que pais e educadores, em seus lares e na escola, possam alertar seus filhos sobre o mundo virtual e seus perigos. A melhor maneira de viver uma vida feliz é aquela onde o anonimato acontece.
Claudia Luisa Brand, psicóloga

 

Online, imaginária, percebida, suposta… De quantas realidades se faz o Eu? Lei mais aqui.