Você já experimentou um “abraço gêmeo”?

Certa vez ouvi uma amiga separada do marido há muitos anos dizer-me: “Sinto falta de beijar na boca!”. Na época penalizei-me com tamanho desabafo, mas confesso não ter conseguido atingir a profundidade do sentimento de falta ao qual ela se referia.
Porém hoje, com mais tempo para pensar em mim, para interiorizar-me na busca do meu EU, e trabalhar debruçada na essência humana, percebi que também sinto falta, não de beijar na boca, mas sinto falta daquele Abraço!
Abraço em que o silêncio fala por si, aquele momento em que trocamos energia e nossos mais profundos sentimentos, sem nenhum preconceito.
Aquele abraço onde dois viram apenas um, os corações pulsam na mesma frequência acelerada, a respiração é profunda e lenta, mas grita alto em nossos ouvidos.
Segundos em que dois corpos ficam imóveis, colados, sentindo-se um ao outro, passando força e buscando apoio, transmitindo carinho e recebendo gratidão, exalando juntos um calor enorme, mesmo que em suas mãos o suor frio se faça presente.
Neste abraço, não há homem ou mulher, existem duas almas tentando transcender seus corpos em um reencontro divino.
Não sei, mas acho que não acredito em almas gêmeas, mas acredito que existem abraços gêmeos, momentos únicos e inesquecíveis.
Claro que tudo irá depender do que você busca quando está abraçando alguém e, o mais importante, o que você quer passar ao abraçar alguém?
Adoro abraços e adoro comer, vou tentar realizar aqui uma comparação entre ambos: alguns pratos sentimos revolta só de olhar, outros não nos dizem nada (você come apenas para matar sua fome), já alguns têm aparência e cheiro bons, mas existe aquele prato especial, que mesmo antes de começar a comer você já está em estado de graça e salivando!
O abraço é doação, é aceitação, é amar o outro. Abrace para doar sua energia positiva, seu carinho, energia vital!
Mas se não for para isso, então não abrace, apenas aperte a mão, dê um leve sorriso e se vá!
Abraços gêmeos são raros, mas existem e, se você já experimentou um destes, pode se considerar uma alma privilegiada.
Um forte abraço meu para você que leu este texto!

Lorena Fontoura

Coach e coautora das obras de Gestão Pessoal da Editora Pragmatha