Supervalorizar o difícil pode prejudicar a conquista?

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Vivemos tempos altamente competitivos e individualistas. Faz parte de nosso sistema de vida a noção de que temos de nos esforçar ao máximo, estar à frente, fazer acontecer. Isso tudo pode ser verdade, por um lado, mas cobrar um alto preço para a saúde mental, por outro.

Na psicologia comportamental dizemos que quanto maior o esforço necessário para chegar a algum objetivo, menos provável é que a gente se mantenha na busca por esse objetivo. Isso porque nosso comportamento é mais influenciado pelas consequências imediatas (por exemplo, a decisão de comer um doce que está à mão agora ou usá-lo como prêmio por alcançarmos algum março importante da vida – é mais fácil comer o doce agora). O problema é que, se não estamos sendo influenciados tanto pelo objetivo que alcançaremos, porque é algo muito distante, só do mundo das ideias, então o que nos mantém lutando? Não ser fracassado, não ser julgado por si mesmo ou pelos outros e não decepcionar, estão entre as coisas que nos mantém lutando, mas percebem a quantidade de “não”? Daí que o objetivo atingido é algo muito legal, mas o processo pode ser permeado de sofrimento, se o próprio processo não for algo prazeroso em si. Quantas pessoas você conhece que levantam felizes toda manhã para trabalhar porque está juntando um dinheiro para realizar um sonho? Quantas o fazem só porque é necessário ou porque pelo menos terão tentado?

O mundo nos ensina que devemos sonhar grande, mas não nos ensina a fazer conscientemente a equilibrar um cotidiano feliz com a realização de um sonho. E vale a pergunta: esse grande sonho é seu mesmo ou é aquele que sua família, amigos ou a novela mostram como desejável? Se for seu sonho mesmo, cabe refletir como tornar o processo para chegar a ele menos penoso. Se não, é sempre bom saber: não há nada de errado em ser feliz com pouco, e ser feliz todos os dias.

Por Gabriella Mezzacapa, psicóloga

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