Quando nos damos conta, estamos nos sentindo entediados

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Vivemos num mundo de tantos estímulos, informações, coisas a fazer, numa grande correria, com a impressão de que “o tempo voa”. Nesse emaranhado de coisas algumas vezes não podemos fazer o que queremos, ou temos de fazer o que não queremos ou mesmo não temos o que fazer (como isso pode ser possível?). Quando nos damos conta, estamos nos sentindo entediados, causando uma sensação de estranhamento. Muitas vezes não se é capaz de apontar razão ou causa. Simplesmente vem…
“Um dia, a monotonia tomou conta de mim. É o tédio cortando os meus programas, esperando o meu fim. Sentado no meu quarto o tempo voa. Lá fora a vida passa e eu aqui à toa. Eu já tentei de tudo, mas não tenho remédio pra livra-me desse tédio”. (Biquini Cavadão).

A música Tédio, do Biquini Cavadão, me parece retratar bem esse momento de aparente inércia, produzido temporariamente. Alguns pesquisadores dizem que o tédio faz parte do contexto do mundo, desde a Idade Média, onde “não ter o que fazer” era sinal de status. Tenho a impressão de que, atualmente, estar entediado não é sinal de status, ao contrário, desperta certa culpa em vista de tantos recursos que estão a nosso alcance, como celulares, tablets, televisão etc.
O filósofo Lars Svendsen, em seu livro Filosofia do Tédio, fala “que o tédio é a falta de significado pessoal”. Deparamo-nos com o vazio, como se o tudo virasse nada. Esse vazio ativa emoções desagradáveis, gerando desconforto, desprazer, insatisfação. O que está acontecendo? Quem sou eu? O que desejo? Encaramos nossa realidade interna, nos inquietamos. O tédio pode ser tão inquietante que alguns preferem tentar se esquivar ou evitar tentando preencher todo tempo disponível; outros não conseguem sair desse estado, que pode levar até à morte.
E existe o lado bom do tédio? Acredito que sim. Erika Christakis, educadora e pesquisadora da infância, defende que o “tédio é amigo da imaginação”. O tédio pode despertar o desejo de buscar algo novo, algo que desperte o interesse. A necessidade de buscar algo parte do vazio, da insatisfação. É preciso criar possibilidades para novamente encontrar um significado. Criar, inovar. Contudo, mesmo o novo também pode virar rotina e entediar. E assim vai, num ciclo sem fim(?).
Dione Marschner Miron, psicóloga

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