Você é um eterno insatisfeito? Entenda por que as conquistas perdem a graça

Sandra Veroneze
sandra.veroneze@saber-se.com

A ambição está no cerne das grandes conquistas da humanidade. Se as coisas assim como estão agradam, oras por que desejar inovações, melhorias, avanços? Esse aspecto constitui o elemento positivo da insatisfação frente à realidade do aqui e agora. Ele impulsiona, motiva, convida a alargar horizontes e ativa no indivíduo um ingrediente importante: a capacidade de buscar.

Quando busca, o ser humano sonha, planeja, coloca-se em movimento rumo a um objetivo. O indivíduo que auspicia o grande amor da sua vida, o emprego dos sonhos, uma alimentação saudável ou simplesmente acordar um pouco mais cedo pela manhã, desenvolve ainda outras virtudes: disciplina, habilidade de analisar suas próprias falhas e acertos, capacidade de redefinir rotas. De alguma forma, essa força o coloca em perspectiva, entre onde está, o que é e o que tem, e onde deseja estar e ser, protagonizando a própria vida.

Satisfação fugaz e passageira

Porém, um fenômeno curioso ocorre muitas vezes com o ser humano que alimenta o impulso de conquistar: suas metas, quando alcançadas, não costumam trazer satisfação duradoura. A psicóloga Luciene Morais Batista diz que já na infância começou a se dar conta do quão angustiante, prazeroso e necessário era ocupar o posto de um ser eternamente desejante. “Lembro-me com meus cinco ou seis anos, quando pedia aos meus pais um brinquedo novo dizendo: Quero apenas este, depois não preciso ganhar mais nada!”, sem que a prática assim se confirmasse. Leia reflexão completa aqui.

O psicólogo Jardel Estevão tem uma teoria que procura explicar esse fenômeno: o ser humano é marcado por um buraco, uma falta. Trata-se do “Objeto a”, segundo classificou Lacan. “É um objeto de desejo e, ao mesmo tempo, causa do desejo. Exemplo: ao ganhar a boneca, a criança passa a desejar um outro brinquedo; quando ela conseguir este segundo brinquedo, passará a desejar um terceiro e assim por diante”. Veja reflexão completa aqui.

Estar sempre insatisfeito e buscando mais, por outro lado, nem sempre é de todo ruim, na opinião da psicóloga Renata Hagge. Segundo ela, não tem nada de errado, desde que as conquistas continuem despertando sentimentos de gratidão e felicidade. “O ser humano é motivado ao novo e precisa estar sempre em constante movimento, de busca, de luta, de fazer escolhas”, afirma. Veja reflexão completa aqui.

A psicóloga Taciana Chiquetti, para evitar um círculo vicioso de eterno insatisfeito, convida o indivíduo a questionar os critérios com que estabelece suas metas, especialmente se apenas responderem a uma demanda social, a uma exigência externa. ‘O vazio que caracteriza o perder a graça tão logo se conquiste geralmente está relacionado a agir sem ressonância com que faz sentido internamente, ou seja, sem que exista uma congruência entre pensamento, sentimento e ação”. Veja reflexão completa aqui.

Fazendo a insatisfação trabalhar a seu favor

Nesse contexto, como fazer então a sempre presente insatisfação trabalhar a seu favor? Uma pergunta simples pode auxiliar. Responda com sinceridade para você mesmo: Onde você está alicerçando, embasando, suas escolhas? É nos fatores externos, como demandas sociais, ou em sua própria essência, natureza e sonhos?

 

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