Previsão do tempo ou gestão das tempestades existenciais?

Sandra Veroneze
sandra.veroneze@saber-se.com

Quando ao amanhecer observamos o céu ou acessamos a internet para conferir a previsão do tempo, nos parecemos um pouco com os primeiros homens que atentaram para a sucessão de padrões da natureza, como dia e noite, e climas quente e frio, para originar respectivamente a contagem dos dias e das estações do ano.

Desde aqueles tempos, os fenômenos climáticos guardam estreita relação com a maneira como administramos nossa rotina, nossa vida cotidiana.  Se antigamente observava-se ao cair da tarde a coloração do céu para saber se no dia seguinte viria chuva ou sol, hoje temos aparelhos sofisticados capazes de indicar, por exemplo, o horário exato em que o sol nascerá e que a chuva começará a cair.

A influência do tempo em nossas vidas abrange tanto aspectos objetivos como subjetivos, como por exemplo a escolha da roupa, do trajeto a ser traçado nos deslocamentos, a velocidade com que cumpriremos nossas tarefas e o horário que voltaremos para casa. Reflita: dias de chuva convidam você à introspecção?; dias frios pedem um certo encapsulamento em casa?; lindos dias de sol fazem você ficar com vontade de ir para a praia?

Diversos pensadores, ao longo da história, debruçaram-se sobre a questão do tempo, atribuindo-lhe dimensões filosófica, mitológica, fisiológica, fenomenológica… Tanto conhecimento, porém, parece não ter trazido paz e tranquilidade para a vida humana. Se nos tempos idos muito provavelmente essa questão causasse espanto e maravilhamento, para o homem contemporâneo tende mais a ser fator de angústia. A principal inquietação: falta de tempo!

A subjetividade do tempo

Por mais que 60 minutossempre façam uma hora e 24 horas sempre façam um dia, para todos, a maneira como cada um experimenta o tempo é singular. Sensações como de que o tempo não passa (especialmente quando estamos fazendo algo pouco aprazível) ou de que passa rápido demais (por força na maioria das vezes do excesso de tarefas a serem executadas) nada mais são do que exemplos dessas realidades interiores.

Muitas vezes remoemos acontecimentos, pensamentos e sentimentos que já aconteceram, e portanto vivemos no passado. Igualmente, não raras vezes nos preocupamos e nos organizamos em como vai ser o amanhã, se teremos dinheiro para pagar as contas, se o curso que estamos fazendo de fato agregará algum valor para o nosso currículo, se o relacionamento que está iniciando tem chances de dar certo… Vivemos no futuro.

Quando éramos crianças queríamos que o tempo passasse rápido, para desfrutarmos dos prazeres da vida adolescente. Quando estávamos na adolescência, continuávamos querendo que o tempo passasse rápido, para desfrutarmos dos prazeres da vida adulta. Quando finalmente chegamos à maioridade e à velhice, que vontade de desacelerar um pouco o tempo…

Em artigo publicado no livro Gestão Pessoal para Produtividade (Pragmatha, 2016), o filósofo e consultor empresarial Tiago Grandi desabafou:

“Sempre tive receio de ser mais um dos apressados do mundo. Via as pessoas correndo, desajeitadas, e não queria ser assim, sem estética alguma no comportamento, quase embrutecidas às vezes; mal-educadas com os outros e sem elegância consigo mesmas”. (Veja depoimento completo aqui).

Para o advogado Luciano Fernandes, com todos compromissos, trabalhos, famílias, amigos, estudos, lazer e muito mais, torna-se impossível conciliar tudo que queremos fazer com tempo que temos.

“Acabamos dando prioridade aos nossos trabalhos, para satisfazer as responsabilidades financeiras, para no tempo que resta, diariamente, acalentar a necessidade do prazer de estar com nossas famílias e amigos. Veja depoimento completo aqui).

Para a professora Cleonice Hahn, aprender a administrar o  tempo foi um exercício diário.

“Ao se transformar num hábito não só  facilitou alcançar sucesso e tranquilidade em diversos aspectos da minha vida. (Veja depoimento completo aqui).

Segundo a pedagoga Odila Paese, o tempo ensina e a gente aprende.

“Rapidamente entendemos que as circunstâncias das jornadas diárias, bem como aqueles afazeres que todos os dias devem ser feitos e repetidos, seriam facilitados  se criássemos juntos as rotinas de execução, com a participação de todos”, afirma. (Veja depoimento completo aqui).

A diretora de marketing e turismóloga Vanessa Welter se diz consciente de que não sabe lidar com o tempo.

“Às vezes me pego a pensar, será que podemos fazer com que o tempo ande mais lentamente? Será que é possível dar um tempo no tempo? (Veja depoimento completo aqui).

Prever, gerir, parar, qualificar ou transcender o tempo?

Fato é que a maneira como vivenciamos o tempo impacta diretamente o bem-estar (ou não) subjetivo de cada um. Problemas contemporâneos, como ansiedade, depressão e síndrome do pânico podem estar diretamente relacionadas a essa percepção. Quantas tempestades existenciais vivemos por não conseguirmos dedicar tempo a alguma atividade física, à leitura de um livro, ao convívio com a família, ou simplesmente ficar em silêncio, em casa, deliciando-se como ócio criativo, tão reparador de nossas energias e ânimos?

O tempo é um dos maiores patrimônios da humanidade e, embora limitado, pode ser parcialmente renovável, porque cíclico já que a potencialidade humana é infinita. Se o tempo é estático, estanque, a maneira como o ser humano lida com ele pode ser ser diversa e elástica. Podemos prever, administrar e qualificar o tempo, mas talvez também possamos parar e transcender o tempo.

Pense em atividades que fazem com que você não sinta o tempo passar. Muito provavelmente, nesses momentos, você experimente algo como a eternidade. Nela, passado, presente e futuro são uma só realidade. Quantos momentos assim você tem ao longo do dia? Não raras vezes, 20 minutos dedicados a algo que lhe proporciona a sensação de parar ou transcender o tempo são capazes de renovar a energia de horas e horas dedicadas a algo que lhe traz a sensação de perda de tempo, ou, pelo menos, de nem tão bom emprego do tempo…

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