Pontos de virada: quando a única alternativa é seguir em frente

Sandra Veroneze
sandra.veroneze@saber-se.com

Você planejava se formar no final do ano, mas ficou doente e precisou trancar a faculdade no meio do semestre. Ou você planejava iniciar uma faculdade, mas não passou no processo seletivo da universidade pública e não tem dinheiro para pagar uma particular.

Comprar uma Harley e atravessar o Chile de moto se tornou um sonho bem viável depois de economizar uma boa grana ao longo dos anos, mas aí sua esposa engravidou e os planos estradeiros acabaram ficando para outra ocasião… Ou sua esposa engravidou e de repente você se viu obrigado a comprar uma moto e ter um segundo emprego como boy.

Estava tudo pronto para começar a pós-graduação, mas você recebeu uma excelente proposta profissional e precisou mudar de cidade. Ou seus planos eram mudar de cidade e começar vida nova numa metrópole, mas não atendeu a todos os requisitos para a matrícula no curso e momentaneamente os planos estão suspensos…

Quando você pensou que finalmente poderia terminar de escrever o livro, recebe a notícia do falecimento de seu pai e a urgência de assumir os negócios da família… Ou você pensava em assumir os negócios da família, quando descobre que não existe mais nada, pois está tudo empenhado com dívidas, e aproveita a história para criar um roteiro para filme.

Ser feliz para sempre, nos seus planos, iniciaria dentro de alguns meses, com o casamento marcado, mas a descoberta de uma traição sepultou o sonho para sempre. Ou então você percebeu que ser feliz para sempre só dependia de você e preferiu gastar a grana do casamento em uma viagem ao redor do mundo…

Pontos de virada acontecem com alguma frequência na vida das pessoas. Muitas vezes são completamente imprevistos, porque dependem de circunstâncias externas. Outras, podem ser administrados, planejados, o que, porém, não implicam em automáticas facilidades em lidar com eles.

Grandes desafios existenciais

A verdade é que os pontos de virada constituem grandes desafios existenciais, porque trazem consigo profundas e drásticas mudanças. No mais das vezes, a única alternativa é seguir em frente, mesmo que esse lugar à frente seja dar um passo para o lado, adaptar-se, abandonar velhas crenças, expandir possibilidades, juntar forças e seguir.

Como enfrentar situações assim com equilíbrio e sabedoria?

Segundo a neuropsicóloga Raquel Freitas, é importante saber que lidar com o novo nunca é fácil, especialmente quando não planejado. “O sentimento de vulnerabilidade se torna presente”. Veja reflexão completa aqui.

De fato parece que nunca estamos preparados para momentos de instabilidade. Segundo a psicóloga Eliana Alves Lima, se mudanças positivas podem acarretar desconfortos e conflitos, as negativas, como falecimento, perda de emprego e divórcios podem ser ainda piores”. Veja reflexão completa aqui.

O psicólogo Eduardo L C Moreira aconselha a não brigar com a realidade. “Cada sujeito, de alguma forma ou de outra, e em níveis de intensidades diferentes, irá lidar com alguma situação de desestabilização emocional no decorrer da sua vida”. Veja reflexão completa aqui.

Já a psicóloga Fabiana V. de Mello Vieira aconselha um passo à frente: “Na verdade, para aproveitar a vida de uma forma plena, é preciso arriscar-se para a concretização dos objetivos”. Veja reflexão completa aqui.

A psicóloga Elisa M. Neiva de Lima Vieira corrobora: “A vida é um continuum e se estamos em um “continuum” sabemos que estamos em processo de desenvolvimento”. Veja reflexão completa aqui.

Já a psicóloga Fátima Araújo indica ‘pegar leve’ consigo mesmo, porque uma mudança subjetiva, real, não acontece de repente, como um passe de mágica. “Resulta de um trabalho intenso de autoconhecimento e de várias tentativas de mudança, com muitas idas e vindas, avanços e recuos”. Veja reflexão completa aqui.

Experiência pessoal

A maneira como cada um lida com pontos de virada é muito pessoal para cada indivíduo, em que pese sua historicidade, como vê o mundo, o que acha de si mesmo… Algumas situações são mais fáceis, outras nem tanto, e todas constituem momentos importantes para crescer, aprender, ampliar o entendimento existencial. E para você, como é?

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