Hora de colaborar x Hora de competir. Você diferencia?

Sandra Veroneze
sandra.veroneze@saber-se.com

Era um início de noite com todas as possibilidades que o frio torna mais atrativas: jantar num lugar legal, um bom vinho, literatura ficcional ou até mesmo algum filme na TV em boa companhia. Mas o convite inesperado para jogar vôlei com a turma do escritório pareceu uma ótima ideia. Gostava das pessoas e momentos assim são propícios para fortalecer o vínculo, derrubar mitos em torno de posições hierárquicas e, mais importante de tudo, se divertir.

Mas mais do queimar algumas calorias e dar boas risadas com momentos criados a partir da nítida falta de talento de todos para o jogo, a noite acabou por revelar traços marcantes da personalidade de cada um de sua equipe, especialmente no que se refere a competir x colaborar. Depois de algumas horas, de forma completamente acidental, havia percebido que talvez a postura das pessoas no jogo pudesse complementar suas observações quanto ao comportamento no ambiente de trabalho.

Algumas atitudes chamaram atenção da gestora em seus colaboradores: a gentileza do rapaz com as moças do time adversário, moderando a força da batida para não machucá-las; a arrogância da dupla de rapazes que resolveu monopolizar entre si os passes, de forma a evitar que a bola fosse perdida, dada a falta de jeito do restante do time – mesmo que isso significasse não respeitar as regras do jogo; o nível de tolerância, de modo geral, com os erros; a disposição para fazer o melhor independente de conseguir ou não…

Sempre atentando para o fato de que aquele era um momento informal, de descontração, mais do que desenhar uma tabela de quem subia e de quem descia em seus níveis de consideração, a gestora cristalizou a certeza de que existem momentos para competir e existem momentos para colaborar e levou consigo um questionamento: será que, a exemplo do jogo, no ambiente de trabalho a equipe mais colaborativa também poderia ser a mais efetiva, competitiva, e conseguir melhores resultados?

Perspectiva mais ampla

A psicóloga Luciana Raveli considera positivo que equipes de trabalho se encontrem em ambientes informais, pessoais. “Ninguém mais sabe sobre o pai do colega da empresa que operou do coração ou se o filho da funcionária está bem. Sabe-se somente que aquele colega entregou fora do prazo o relatório solicitado e que a funcionária faltou justo no dia da reunião com o presidente da multinacional.” Segundo ela, conhecer melhor o colega pode ajudar a construir relações mais humanas e colaborativas. Veja reflexão completa aqui.

A psicóloga Nora Nadir Soares, em se tratando de ambientes profissionais, atenta para o fato de que todo empregado poderá ser um colaborador ou um competidor. Se o seu superior também for um colaborador, você terá um empregado dinâmico, ativo, responsável, comprometido, ético e com excelência no atendimento, afirma ela. “Por outro lado, se o seu superior competir com o empregado, então a empresa corre o risco de ter um empregado que alimentará emoções destrutivas e, neste caso, tudo o que for características positivas para o negócio fluir estará sob ameaça.” Veja reflexão completa aqui.

Segundo a psicóloga Patrícia Mesquita, a chamada Geração Y, responsável por toda essa reviravolta no mundo, está mais antenada na partilha sem medo de ser feliz, por entender que se um ganha todos ganham e a colaboração passa a ser parte importante desse processo. Leia mais aqui.

Segundo a psicóloga Alcione Reis de Albuquerque, em tempos de escassez material, real ou imaginária (referindo-me aqui às instâncias psicológicas de cada ser) o ditado de que “sozinhos vamos mais rápido, porém juntos vamos mais longe”, tornou-se uma necessidade imperiosa. Veja reflexão completa aqui.

A psicóloga Giulianna Remor cita uma recente pesquisa realizada pelo departamento de psicologia de Harvard e que demonstrou que estudantes de MBA estão muitas vezes tão preocupados em parecer inteligentes e competentes que isso pode levá-los a ignorar eventos sociais, não saber colaborar, e geralmente parecer inacessíveis. “Percebe-se facilmente quando o candidato não desenvolveu a capacidade de interagir pois em um processo de seleção não saberá fazer-se conhecer nem por seu entrevistador”, afirma. Veja reflexão completa aqui.

Fair play

Nas olimpíadas do Rio de Janeiro, na prova dos cinco mil metros feminino, as atletas Nikki Hamblin e Abbey D’Agostino se chocaram quando faltavam 1600 metros para a meta. As duas ajudaram-se mutuamente a terminar a corrida e mesmo tendo chegado por último o Comitê Olímpico anunciou que ambas estavam classificadas para a final. Era uma forma de reconhecer e homenagear o verdadeiro espírito olímpico, que nos esportes conhecemos como ‘fair play’.

Nestas situações é comum que as pessoas se emocionem e pensem que precisamos de mais momentos assim, não somente no esporte, mas na vida como um todo. Menos comum, porém, é as pessoas pensarem no que elas estão fazendo para tornar o mundo um lugar mais colaborativo. Talvez nem tenham parado para pensar no assunto…

E para você, como é? Você já praticou seu fair play hoje?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *