Comparações: veneno ou remédio?

Sandra Veroneze
sandra.veroneze@saber-se.com

A comparação é um recurso da mente para estabelecer parâmetros e referenciais. Como quase tudo, por si só ela não é nem boa, nem ruim. Seu valor depende basicamente de como é utilizada.

Existe bom senso, por exemplo, em comparar a imagem que você vê no espelho com a fotografia publicada na revista de beleza que claramente utiliza softwares de tratamento de imagem? Existe algum bom senso em comparar o carro que você comprou com seu próprio esforço e o carro que algum amigo tenha ganho dos pais milionários porque passou no vestibular? Existe algum bom senso em comparar você e o filho do patrão quanto à velocidade na ascensão profissional na empresa, sabendo que é evidente que ele está sendo preparado para assumir os negócios da família?

Nem tudo é comparável, especialmente quando envolve o desempenho de pessoas cujas condições iniciais são diferentes e quando as variáveis externas não são parecidas. Nestas situações, as comparações são veneno, que pode levar o indivíduo a questionar seu próprio valor, sua capacidade de fazer mais e melhor, tudo isso levando a impactos negativos na percepção de si mesmo e autoestima.

Por outro lado, o recurso da comparação pode ser muito positivo, porque funciona como um indicador preciso de desempenho. Supomos que você resolva praticar um esporte e monitore os resultados. Comparar como era no início e como está agora, depois de semanas, meses ou inclusive anos de treino, indica o quanto você está se aperfeiçoando. Quantos gols por partida você consegue fazer agora? Quantas flechas você consegue acertar no alvo? Quantos quilômetros consegue correr? Quantas vezes até dez você precisa contar agora para não se irritar com o colega de trabalho, depois de começar a fazer meditação?

Convidamos um time de especialistas em comportamento humano para compartilhar seu conhecimento e percepções acerca das comparações na vida cotidiana. Veja:

(…) a comparação associada ao conhecimento pode servir de auxílio para o desenvolvimento, mas associada a valoração da pessoa pode gerar sofrimento e retrocesso pessoal. Daí a importância de se estar atento aos sentimentos e de como se lida com eles no dia-a-dia. Por Beatriz Breves, psicóloga. Veja mais aqui.

 

Ora, se nem irmãos gêmeos idênticos são iguais, por que deveríamos todos diante das comparações nos tornarmos? Temos a tendência a realizar comparações, mas dificilmente paramos para pensar o quanto isso pode afetar alguém com a personalidade fragilizada. Por Liliane França, psicóloga. Leia mais aqui.

 

É muito legal conhecer, admirar e acompanhar pessoas interessantes, inteligentes e bem-sucedidas. Mas deixa de ser algo positivo quando não fazemos isso para aprendermos com elas, e sim para compararmos a nossa vida e ficarmos pensando em como o nosso dia a dia é chato. Por Ricardo de Andrade, psicólogo. Leia mais aqui.

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