Por que é difícil encontrar defeito em si mesmo?

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Algumas pessoas acham que defeito é uma característica que só existe no outro, mas nunca o encontra em si mesmas.
Por que é difícil encontrar defeito em si mesmo? Talvez porque não tenha procurado ou nem mesmo olhado para dentro si. Muitos ignoram essa possibilidade, mesmo quando são apontados por alguém.
A questão é que o defeito é uma imperfeição física ou moral, é uma característica deformada, uma incorreção ou falha de algo ou alguém em relação aos requisitos estabelecidos socialmente. No caso de pessoas, ser reconhecido como alguém possuidor de defeitos é ser reconhecido como alguém sem valor, alguém indesejado, e isso gera sofrimento, principalmente dentro de uma sociedade tendenciosa em desprezar o que é diferente. Aquele que se distancia de um ideal muitas vezes é oprimido. Um exemplo é uma estética que só valoriza a forma e a aparência magra, escultural e jovem, segregando os que diferem.
Entretanto, negá-los não ajuda a melhorar-se. Sigmund Freud salientou que a negação pode ser uma defesa psíquica que tem a finalidade de atenuar a ansiedade. Desse modo, o sofrimento é afastado negando aquilo que é considerado a fonte de ameaça e que causa seu sofrimento. Afastado, mas não resolvido.
Negar defeitos próprios é negar, também, parte de si mesmo. É cindir-se, é ser metade, e, algumas vezes, quando se radicaliza, é negar ser humano. O ser humano quando não consegue lidar com os próprios defeitos, segundo M. Klein, acaba por projetá-los no outro para tentar lidar com os mesmos fora dele. Desse modo, o defeito estaria sempre no outro, assim como sinalizou J.P. Sartre: “o inferno é o outro”. Mas, como afirmou C.G. Jung: “ao falarmos dos outros, revelamos muito sobre nós mesmos”. Jung ainda salienta: “quem olha para fora, sonha, quem olha para dentro, desperta”.
Por isso, não adianta continuar olhando para fora de si, olhando o outro, olhando somente o mundo do lado de fora. É preciso ter coragem de olhar para dentro de si mesmo e enfrentar as “feras”. Tirá-las do escuro, das “sombras” do inconsciente, e, logo você entenderá que elas não parecerão tão feias como imaginava. Você verá que também não é a única que as possuem e que as mesmas ou outras se encontram nas pessoas em todo lugar. Veja só o que disse Jung sobre ele mesmo: “prefiro ser inteiro do que ser somente bom”.
Isto nos faz pensar que para uma pessoa ser considerada íntegra ela precisa ser inteira, precisa se aceitar como é. Se reconhecer com suas qualidades positivas e “defeitos” também, e mesmo assim, se amar. Desse modo, aquele medo de não ser admirado, ou de ser rejeitado por apresentar características imperfeitas, não terá mais tanta força e sofrimento, pois você já não terá a necessidade de ser perfeito(a) e de ser admirado(a), pois se aceita e se gosta como é. Isso lhe dá a liberdade de ser você mesmo(a), de crescer, progredir, também de amar a outra pessoa de forma autêntica e completa.
Olhar para dentro possibilita o autoconhecimento, o autoconhecimento possibilita o fortalecimento e a integração do seu ego, o ego fortalecido possibilita a resolução dos conflitos existenciais, superação das situações adversas e do crescimento para lidar com a vida com mais maturidade e para viver com mais qualidade.
Devemos deixar de negar os defeitos e olhar para eles com outros olhos. Se mudarmos a forma como percebemos as coisas, as coisas mudam. Essa mudança acontece, também, olhando para os defeitos de uma forma diferente.

Valberto Gama, psicólogo

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