O que você fez pelo mundo hoje?

Egoístas e ensimesmados que somos (na maior parte do tempo), é comum ficarmos atentos ao que o mundo tem a nos oferecer. Confortos, facilidades, delícias para desfrutar estão por todos os lados… O mundo é criativo em apresentar novos produtos, novas soluções, novos brinquedos para entreter (ou distrair) nossa atenção. Até nas relações de trabalho é assim. Podemos, em alguma escala (e adoramos quando é crescente), receber serviços melhores, personalizados, na medida do nosso gosto – todas estas coisas mimos de que gostamos muito, porque nos diferenciam, nos tornam especiais, nos dão uma espécie de chancela de que estamos crescendo na vida, de que as coisas estão indo bem.
Nada errado em desfrutar de tudo que o universo tem a oferecer. É da natureza humana habituar-se com o que há de bom no mundo. Os desejos aumentam na proporção exata de sua realização. Sempre pensamos em como conquistar algo melhor, desde uma refeição até algum bem. Quando usamos transporte público, sonhamos em comprar um carro ou uma moto (ou não, se houver uma escolha consciente por uma vida ecologicamente mais sustentável). Quando temos um carro que nos sirva de condução, sonhamos com um automóvel de fato, com tecnologia embarcada. Quando conseguimos comprar este, se continuamos “indo bem”, por que não sonhar com alguma marca de luxo? Nesse momento, talvez até contratar um motorista passa pela nossa cabeça. E desse em ponto em diante, aviões e helicópteros parecem bem divertidos e funcionais.
Na outra ponta de gangorra, poderíamos perguntar: o que nós estamos fazendo pelo mundo? Pensar que não temos nenhuma responsabilidade com o ambiente em que estamos inseridos é como imaginar que estamos em um barco (o mundo), com muitas pessoas (a humanidade), onde cada um se entende dono, proprietário, do pedaço onde está acomodado e com direito de utilizá-lo como achar melhor. O que aconteceria se um dos passageiros resolvesse fazer um buraco sob seus pés, sob a alegação de que está apenas interferindo no seu espaço?
Às vezes nos comportamos um pouco como esse passageiro, talvez não fazendo um grande furo, para provocar a inundação do barco, mas provocando pequenos desgastes, que no médio e no longo prazo poderão levar ao mesmo resultado. Cuidar do barco é uma empreitada que deve ser abraçada por todos e isso se manifesta nas pequenas coisas. Cada um escolhe quanto, quando e como fazê-lo. Na minha rotina, escolhi o voluntariado na área de comunicação para instituições de terceiro setor que notadamente desenvolvem um trabalho sério em prol das comunidades mais carentes. E para você, como é?

 

Sandra Veroneze

Jornalista e editora, responsável pela curadoria de conteúdo da Coleção Gestão Pessoal da Editora Pragmatha

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