O que nos leva a supervalorizar nossas adversidades mais do elas merecem?

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Supervalorizar o que pensamos ser difícil nos torna um expectador de nossa vida, não um ator.

Não é raro vermos pessoas do nosso meio social, e até nós mesmos, supervalorizar uma ação ou atitude que devemos tomar e então não tomamos. O que nos leva a supervalorizar nossas adversidades mais do elas merecem?

O que nos deixa tão fragilizados diante de alguns obstáculos, que os enxergamos maiores do que realmente são? Que força poderosa nos invade, transformando algo que com investimento e foco conseguiremos enfrentar, mas na nossa cabeça colocamos como impossível?

Quando estamos a enfrentar uma ação complexa que exige muito de nós, o primeiro sentimento que pode ocorrer é o medo: medo de críticas, medo do fracasso.

Antônio Damásio (neurocientista português) conduziu pesquisas que ajudaram a desvendar a diferença entre emoções e sentimentos, e o papel deles no processo de tomada de decisões.

A emoção é um conjunto de todas as respostas motoras que o cérebro faz aparecer no corpo em resposta a algum evento. É um programa de movimentos como a aceleração ou desaceleração dos batimentos do coração, tensão ou relaxamento dos músculos e assim por diante. Existe um programa para o medo, um para a raiva, outro para a compaixão etc.

Já o sentimento é a forma como a mente vai interpretar todo esse conjunto de movimentos. Ele é a experiência mental daquilo tudo. Alguns sentimentos não têm a ver com a emoção, mas sempre têm a ver com os movimentos do corpo.

Ao enfrentar problemas, adversidades ou obstáculos em nossa vida, somos absorvidos por medo e sentimentos. O medo nos leva a experenciar situações desconfortáveis no nosso corpo, como náuseas, dor de cabeça, tremores, sudorese etc. E o sentimento nos leva a interpretar a adversidade de acordo com nossas vivências e não como realmente a situação se apresenta.

A supervalorização nos fornece a sensação de proteção. Se é tão difícil, posso não tentar e não ser criticado, e se eu tentar e fracassar, também não serei avaliado por isso porque a situação é muito difícil. O temor da crítica pode estar fundado em nossas crenças que influenciam nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos.

Para a Terapia Cognitivo Comportamental, desde a infância as crianças desenvolvem ideias sobre si mesmas, sobre outras pessoas e o seu mundo. As suas crenças mais centrais ou nucleares são compreensões duradouras tão fundamentais e profundas que frequentemente não são articuladas nem para si. A pessoa considera suas ideias como verdades absolutas – é como as coisas “são”.

Dependendo da crença da pessoa, antes de avaliar a situação que a vida apresenta, já se posiciona verbalizando “isto é muito difícil”, “impossível de fazer”, porque o ambiente familiar/social reforça a crença da inoperância, da dificuldade, de obstáculos intransponíveis e principalmente a falta de persistência: “é difícil, deixa para lá, não é para mim”. E assim a vida passa e a pessoa vai perdendo oportunidades de conseguir o que deseja porque supervaloriza as situações e nem tenta fazer ou buscar o que sonha.

Por Maria do Carmo Chagas, psicóloga e pedagoga

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