O que é real, se não estar conectado o tempo todo?

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Pensar em um mundo menos conectado não é tarefa muito difícil para quem está, por exemplo, na faixa dos 40 anos de idade. Um indivíduo que era criança nos anos 80 e que experimentou uma espécie de transição de um mundo off-line para um mundo totalmente on-line será capaz de ilustrar com alguma clareza as diferenças cotidianas de uma vida real para uma vida virtual.
Mas o que dizer dos mais jovens, que cresceram em um ambiente em que o computador, o tablet e o smartphone fazem parte do cotidiano? O que é real para eles senão estarem conectados o tempo todo?
Esta comparação entre gerações não é tema desta reflexão, mas serve de introdução para contextualizar o fenômeno moderno da vida virtual.

Falar de benefícios tecnológicos como a internet seria chover no molhado. O que cabe a respeito é refletirmos sobre as consequências na construção da subjetividade do sujeito.
O humano não deixou de ser humano. Continuamos inseridos em um plano existencial, de tempo e espaço, cuja relatividade permite a falsa sensação de que estamos muito longe da pré-história, mas que, por outro lado, as cavernas não estão tão distantes assim.
Uma das consequências mais preocupantes parte de um sintoma observável no comportamento de muitas pessoas hoje em dia, que é a dificuldade em passarem nem que sejam breves momentos sem estarem conectados. Esta vida cada vez mais on-line o coloca em um processo de diluição de sua individualidade, mergulhando-o cada vez mais naquela ideia do “tudo junto e misturado” e do “tudo ao mesmo tempo agora”.
Estar distante de seu celular, por exemplo, assemelha-se ao fim do mundo, pois o indivíduo está perdendo a capacidade de estar consigo mesmo, e estando off-line você é “obrigado” a estar com você.
Nesse caso, a sensação é de que não há mais o que realizar na vida real. Um simples caminhar pelo quarteirão em “modo off-line” pode ser arriscado; afinal, em qualquer esquina posso encontrar aquele velho e assustador desconhecido: Eu.

Décio Déo, psicólogo

Online, imaginária, percebida, suposta… De quantas realidades se faz o Eu? Lei mais aqui.

 

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