Supervalorização do difícil: Inquietude ou estímulo?

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Por que será que supervalorizamos o que é mais difícil: uma inquietude humana ou um estímulo gerador de sentido para as nossas vidas?

Quem nunca ouviu alguém dizer que o que é alcançado após muito sacrifício tem mais valor? Vamos tentar entender o que está por trás desta crença.

Não há apenas um campo do conhecimento para ajudar na reflexão acerca do tema, mas o ponto de partida é que todos nós aprendemos desde muito cedo a estabelecer metas e desafios pessoais e a criar nosso “projeto de vida”, planejando o futuro. Mas é claro que essa busca deve representar algo, só assim não desistimos na primeira adversidade. Os desafios em situações difíceis e inesperadas como em grandes crises também servem de estímulo para a criatividade, possibilitando a superação e evolução humana.

Portanto, a ideia de que o que é mais difícil de alcançar tem mais valor é cultural e reforçada pela própria mídia em filmes, campanhas publicitárias. Perceba o quanto nos identificamos e nos emocionamos mais com pessoas que alcançam objetivos e, consequentemente, sucesso e notoriedade com seu próprio esforço, principalmente em histórias de superação. É como se nossa mente reproduzisse a crença de que só seremos merecedores de algo apenas após grandes sacrifícios. A própria origem da palavra “sacrifício” reforça tal crença, pois significa “maneira de tornar sagrado um ato”.

Por outro lado, cada conquista alcançada substituímos por outra e por outra e passamos a ser movidos não pelo nosso projeto de vida, mas a desejar coisas pouco relevantes para nossa felicidade apenas para nos parecermos com alguém ou comparamos nossas vidas com alguma história de sucesso como se houvesse apenas um modelo de felicidade.

Arrisco afirmar que supervalorizamos o que é mais difícil, pois são as situações de dificuldade que nos estimulam a nos superar e se desenvolver, ou seja, saímos modificados e mais fortes a cada situação, gerando sentido para nossas vidas, senão por que levantaríamos da cama todas as manhãs? Já desejar o que é inalcançável é o que pode gerar sofrimento/frustração!

O campo da Psicologia pode contribuir muito para o autoconhecimento e com isso auxiliar cada indivíduo a identificar o que lhe faz feliz, fazendo escolhas movidas menos pelas interferências da sociedade, respeitando seus desejos e limitações.

Por Regiane Vivone Caetano, psicóloga

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