Estamos em ‘continuum’, em processo de desenvolvimento

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A escrita deste artigo me levou a uma série de questionamentos pessoais. Meu pensamento voou longe e fui parar nos meus próprios pontos de virada. De repente, não mais que de repente, comecei a ouvir uma série de pessoas se dirigirem à minha pessoa como “senhora”. Até mesmo ao telefone a palavra “senhora” está me acompanhando de um tempo para cá. Me questionei, e questionei os outros, com meu jeito descontraído de ser: por que senhora?

Alguns me responderam que esta colocação era uma forma educada de se dirigir à minha pessoa; outros não tiveram resposta, mas eu a tenho: o tempo passou! A realidade é que o tempo passou para mim… para você que lê este artigo… para todos nós; mesmo porque nossa vida não é feita de “on” e “off”, chaves secretas que gostaríamos de ter por vezes. A vida é um “continuum”… e disto vem a compreensão de que é um ponto de virada. Ele é um sinal que me coloca na direção contrária da qual eu estava antes (segundo os dicionários e segundo a vida, é esta a definição).

Se estamos em um “continuum”, sabemos que estamos em processo de desenvolvimento. O embrião evolui para ser o feto, que se tornará o bebê, que será a criança, que sofridamente passará a ser o adolescente, que abrirá espaço para o adulto jovem, que seguirá para a vida adulta e que depois vivenciará seu envelhecimento. São muitos os pontos de virada nestas fases que indubitavelmente nos trazem “perdas” e “ganhos”.

Como psicóloga eu poderia discorrer sobre cada uma destas fases e falar das características e peculiaridades que as acompanham, mas este é um texto reflexivo, e, como eu bem disse, está sendo feito a partir de mim, minhas vivências e experiências. Então vou focar meus pensamentos no interstício destas fases: a adolescência!

Quando se deixa de ser criança e se transforma em adolescente? Até quando vai nossa juventude? Poeticamente diz-se que a juventude é eterna desde que a alma se mantenha jovem.

Quem já chegou à velhice talvez conteste essa colocação – ou não. Tudo dependerá de como você está vivendo as “viradas” de sua vida. E por que consideramos a juventude a melhor fase de nossas vidas? Talvez porque ela seja magia e sedução. Essas duas palavras podem definir bem o que é o melhor momento da vida!

Mas o melhor momento da vida traz dores fortes que serão lembradas eternamente em nossa estória pessoal. A adolescência também traz consigo o seu lado “b”… sua fase não oculta. As modificações em nosso corpo são drásticas e por vezes nossa mente não acompanha este processo, o que faz com que as dores existenciais sejam grandes, um pouco grandes, enormes.

Meninos e meninas vivem este momento de forma diferenciada, tanto física como emocionalmente. Sou tendenciosa a acreditar que as meninas, moças, mulheres acabam sofrendo um pouco mais, pois seu desenvolvimento é mais nítido e rápido.

Hoje, muito frequentemente vejo pais “puxarem” o crescimento de seus filhos. É natural a fala: “ele (a) já tem 12 anos mas está muito regredido(a), imaturo, pra idade!”. Por favor, não digam isso se nenhum problema de ordem maior estiver acontecendo com seus filhos; ele (a) só tem 12 anos e está vivendo a infância. Já parou para pensar que talvez a infância dele não tenha sido roubada? Então, por favor, deixe sua criança ser criança, pois tudo mudará em um piscar de olhos.

A adolescência, um ponto de virada brutal em nossas vidas, nos traz dúvidas e incertezas e com certeza nos deixa marcas por vezes boas e por vezes más. É o momento em que começamos a abandonar laços e vínculos que temos consolidados para fazer outros. É o momento de “amar de paixão”, sim, porque depois o amor tende a ser maduro. É o momento das escolhas voluntárias e involuntárias, amizades eternas, juras secretas, a concretização da frase: “o que você vai ser quando crescer? ”

Pois bem… As escolhas estarão batendo na porta da vida do adolescente, e elas não serão fáceis, mesmo porque o mundo em que vivemos hoje faz com que todo este processo seja muito mais rápido.

Lembro-me do meu próprio questionamento: Elisa, o que você vai ser quando crescer? Eu me tornei psicóloga… E isso parecia ter sido conquistado há pouco tempo atrás. Ledo engano… 25 anos se passaram de minha formatura e 31 anos que deixei a casa de meus pais. Realmente, eu me tornei uma senhora, não vamos ignorar a verdade.

Os fatos acima não me deixam mentir; mas o tornar-se está me fazendo completa em cada fase conquistada em minha vida, em cada ponto de virada, e assim eu espero que seja sempre até o momento em que me seja concedido o ponto final da minha estória.

Elisa M. Neiva de Lima Vieira, psicóloga

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