Dependência tecnológica: o que parece ser natural pode ser uma doença

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 Cada vez mais popular, o uso da tecnologia vem mudando paulatinamente o comportamento individual e coletivo, criando novos arranjos sociais e psíquicos. Porém, seu uso excessivo tem levado muitas pessoas a um quadro patológico em que uma das designações é “Dependência Tecnológica”. Isso ocorre quando o uso da internet, jogos, redes sociais se tornam compulsivos, causando prejuízos na vida pessoal, social e profissional, além dos danos à saúde. Para entender melhor, falo um pouco sobre o que é a compulsão; sintomas comuns em outras patologias como a dependência química, o vício em jogos, compras, comida, no TOC e em tantos outros transtornos psíquicos. A compulsão é quando o indivíduo tem um impulso irresistível que leva a repetir um ato independente de sua vontade, isto é, acontece quase automaticamente, sem controle.
A internet, redes sociais e jogos eletrônicos são utilizados como ferramenta para facilitar a comunicação, aliviar a tensão, distração e prazer. Mas quando o usuário perde o controle (sem perceber) da utilização destas ferramentas, promove a facilitação para a dependência. O que inicialmente é para aliviar e dar prazer, pode potencializar o sofrimento e desconforto; é só observar como exemplos o quanto o Whatsapp aumenta a ansiedade quando a resposta a uma mensagem não é imediata; quanto a depressão se acentua quando o indivíduo percebe a vida “perfeita” dos amigos no Facebook; pessoas em bares e restaurantes voltadas aos seus celulares sem interagirem umas com as outras; crianças e jovens disponibilizando a maior parte do seu tempo sozinhos na frente de um vídeo game. Estudos indicam ainda que alguns aspectos estão relacionados a dependência como a baixa autoestima, insegurança, timidez, falta de pró-atividade, como fatores que colaboram para o excesso no uso da internet. Muitas vezes esse uso incontrolável pode provocar desconforto e sentimento de culpa (Young in Azevedo, Nascimento & Souza, 2014).
O que agrava a situação é a dificuldade de percepção dos usuários quanto ao tempo e à necessidade da utilização dos meios tecnológicos e consequentemente o comprometimento de suas atividades. Segundo o psicólogo Cristiano Nabuco, doutor em psiquiatria e coordenador do Grupo de Dependência Tecnológica da Universidade de São Paulo (USP), há oito itens que descrevem exatamente esse uso excessivo já migrando para o que se chamaria de uso patológico:
1. Preocupação excessiva com a internet;
2. Necessidade de aumentar o tempo online para ter a mesma satisfação;
3. Exibir esforços repetidos para diminuir o tempo de uso da tecnologia;
4. Apresentar irritabilidade ou depressão;
5. Quando o uso da internet é restringido, apresentar instabilidade emocional;
6. Ficar mais conectado do que o programado;
7. Ter trabalho e relações sociais em risco;
8. Mentir a respeito da quantidade de horas conectado.
Preste atenção no seu comportamento e das pessoas próximas a você e se necessário busque ajuda profissional para auxiliá-lo na detecção da dependência e no desenvolvimento desta patologia moderna!

Karen Torquato Bronzate, psicóloga

Online, imaginária, percebida, suposta… De quantas realidades se faz o Eu? Lei mais aqui.

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