Conquistar e se tornar refém…

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O ser humano é motivado ao novo, precisa estar sempre em constante movimento, de busca, de luta, de fazer escolhas. O engraçado disso é que, quando desejamos algo, lutamos incessantemente até possuir, mas quando possuímos acabamos por nos esquecer do quanto desejamos aquilo e torna-se comum a conquista – e novamente nos prendemos ao eterno círculo vicioso de nos empenhar novamente em novas conquistas. Diante disso, podemos dizer que o ser humano é mesmo um eterno insatisfeito?

O que isso tem de errado? A princípio, nada, se você se mantiver grato e feliz com a conquista, não apenas descartando como se não tivesse mais importância. Porém, se você está na lista dos eternos insatisfeitos e age apenas no automático impulso de ter, ter e apenas ter, tem sim, algo de errado nisso.

Por que essa necessidade? Já parou para pensar o que pode ter por de trás disso?

Todo excesso, sabemos, esconde a falta. É nas compras seu grande dispêndio energético? São bens materiais? São conquistas profissionais? Ou seriam as amorosas?

É no lado amoroso seu tendão de Aquiles? Luta para conquistar alguém, perde noites de sono, manda flores, manda presentes, mensagens, leva para jantar, muda seu visual, para ver se chama atenção e, depois de muitas lutas, consegue! Conquista realizada com sucesso! E o que devia ser motivo de comemoração e curtição começa uma descida desmedida de esvaziamento, de perda de interesse, de falta de graça. Mas o que é isso, afinal?

O que faz você querer sempre o novo? Por que não se satisfaz com o que conquistou, o que há de errado? Chamo isso de inconstância afetiva e vulnerabilidade a mudança, o que torna o sujeito pouco tolerante e cada vez mais prisioneiro de fazer escolhas, de mudar e nunca estar satisfeito dentro de nenhum relacionamento, até mesmo no âmbito das amizades e relações familiares, podendo direcionar até mesmo a algum transtorno do humor, onde o processo de afetividade do sujeito é prejudicado.

No campo profissional, algumas mudanças são bem-vindas, quando tratamos por exemplo de crescimento, de carreira, de sucesso, de aquisição de novos conhecimentos, novas habilidades, sejam cursos, idiomas, tecnologias, enfim, alguma ambição é natural e necessária. O mundo não se moveria se só existissem os acomodados. Nada contra, mas ação, num mundo globalizado, é a palavra de ordem. Quem fica parado é como camarão que dorme e a onda leva – já ouviu isso?!

Se a motivação para alcançar objetivos está canalizada para seu lado profissional, nada mal desejar crescer e alcançar sucesso profissional, mas temos que concordar sobre a necessidade do crescimento do todo, da melhora enquanto ser humano, e junto desse pacote colocamos os aspectos emocional e espiritual da existência.

Aliás, vamos clarear o que é motivação: é o direcionamento do pensamento, atenção, intenção, ação e energia para a realização de um objetivo. Essa força que ativa o comportamento do sujeito à ação abarca outros elementos, como muita vontade, desejo, esperança, fé e outros esforços.

Gostaria de deixar uma frase de Sartre, um grande filósofo existencialista, para quem a liberdade total e é a capacidade de escolher entre duas ou mais possibilidades. Dizia Jean Paul Sartre: “o homem está condenado a ser livre, com outros homens livres”. Pensando nisso, perceba o peso da escolha e o peso da liberdade, pois liberdade nada mais é do que um eterno fazer escolhas!

Renata Hagge, psicóloga

Você é um eterno insatisfeito? Entenda por que as conquistas perdem a graça. Leia mais.

 

 

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