Como está sua marca pessoal em tempos de redes sociais?

 


Marketing pessoal não é só ter um cartão de visitas legal, usar roupas adequadas… etc.. etc… Claro que isso também é importante, mas hoje em dia temos muito mais meios de mostrar quem somos e o que buscamos. Para isso não precisamos demonstrar uma vida perfeita na internet, mas sim trabalhar alguns pontos positivos, que possam ser úteis para alguém, usando as diversas redes sociais disponíveis.
Quais redes sociais eu costumo utilizar e com quais funções:
1 – Linkedin: é legal para descobrir vagas de empregos, para ser encontrado por um headhunter e fazer networking com os outros usuários. No entanto, minha principal utilização é para postar e também para ler artigos, afinal tem muita gente boa escrevendo coisas legais por aqui.
2 – Facebook: utilizo mais para me relacionar com as pessoas que eu conheça, amigos de longa data e por aí vai, um bom lugar para emitir opiniões, e, claro, dar aquela divulgada em nosso trabalho.
3 – Instagram: costumo postar coisas do cotidiano, ou seja, coisas que todos fazem, uma foto de um prato diferente, rotina de exercícios, localização, atividades profissionais, afinal os Stories são viciantes. E no feed costumo colocar algumas coisas mais importantes, como eventos e viagens, por exemplo.
4 – Twitter: utilizo para saber as últimas novidades, principalmente do meio de trabalho, afinal, todo profissional precisa estar bem atualizado.
Certa vez li um artigo que falava da importância de usarmos o mesmo nome de usuário em todas as redes, bem como a mesma foto, isso como uma forma de fazer a nossa “marca pessoal”. Também não é legal deixar sua página sem atualização, mas também não exagerar no mais do mesmo. Outra dica importante é evitar os clichês que “queimam o filme”, como fotos com bebida, postagens preconceituosas, críticas e indiretas.
Essas dicas simples podem ajudar a criar sua marca pessoal na internet, pois as opções são diversas para que possamos mostrar nossos diferenciais, não manipulando a realidade, mas mostrando de que forma podemos contribuir para os ajudar outros.

Larissa Missel Braga
Publicitária, Especialista em Marketing Digital e Coautora das obras de Gestão Pessoal da Pragmatha

Conhecimento…

 

Conhecimento não é algo que se adquire da noite para o dia, exige esforço e dedicação. Geralmente as pessoas não se questionam sobre o intuito de fazer uma formação x ou y, fazem ou por que acreditam ser indispensável para suas vidas como a “necessidade” criada pelo senso comum sobre ter uma formação superior, ou porque ter a pós-graduação vai “abrir portas” no mercado, entre outros fatores. Entretanto, cabe pensar, o que de fato tal decisão acarretará na vida e se tal decisão é a que realmente se almeja como meta de vida.

Pode-se, por exemplo, gostar e fazer inúmeras formações em áreas diversificadas de conhecimento, mas investir tempo e dinheiro no que é totalmente incerto e que não dará retorno nenhum, parece uma escolha baseada em paixões, de forma indecisa: que vem e que passa ao sabor do vento. Normalmente, esse perfil de profissional não chega a concluir os cursos que inicia, e tudo que faz deixa-o insatisfeito. A insatisfação recorrente gera ansiedade e esta por sua vez, transforma-se em adoecimento.

Também há o profissional que busca inúmeras formações a fim de melhorar seu perfil profissional abrangendo de forma mais eficaz sua busca mercadológica. Nesse caso, o critério é não perder-se no foco e na meta que quer atingir. Existe, de outro modo, o profissional que não busca conhecimento algum e que acredita que somente a formação que recebeu no seu ensino médio, graduação ou pós-graduação será suficiente para atender às demandas de trabalho, nesse quesito. Ele possui uma tendência forte de fadar ao fracasso, visto as alterações frequentes do cenário empresarial.

Portanto, busque potencializar o seu melhor, e verificar quais ações e decisões vão gerar o resultado que tanto se busca, o sonho, a meta.

Juliana Soares Borba – Coach e Coatuora das obras de Gestão Pessoal Pragmatha

A galinha do vizinho

[fb_button]


Arrisco dizer que a grande maioria das pessoas, pelo menos uma vez na vida, já pensou que a galinha do vizinho deveria ser a melhor.
De fato, desde criança estabelecemos comparações: “eles fazem diferente de mim e eu quero fazer igual a eles”. Neste caso, a comparação está a serviço da aprendizagem e da inserção social. Isto acontece porque para não se sentir um “ET” no mundo e se sentir pertencendo é necessário algum parâmetro de comparação. E mesmo um adulto costuma se comparar sem se dar conta. Um exemplo é quando se olha no espelho e se pergunta como está. A resposta, se bonito ou feio, na grande maioria das vezes virá por comparações entre os padrões instituídos pela sociedade. Sem problemas, uma boa integração social pode estar revelando uma elevada autoestima.
Todavia, se a comparação está a serviço da qualificação do indivíduo como, por exemplo, se a pessoa ao se comparar se sente inferior ou superior aos outros, seja na família, no trabalho, etc. enfim, quando a comparação denigre ou supervaloriza a si ou ao outro, em nada acrescenta e, ainda, costuma gerar sofrimento. Isto em geral acontece com pessoas que, por terem uma baixa autoestima, buscam através da qualificação do outro experimentar um parâmetro de valor positivo ou negativo para si.
Portanto, a comparação associada ao conhecimento pode servir de auxílio para o desenvolvimento, mas associada a valoração da pessoa pode gerar sofrimento e retrocesso pessoal. Daí a importância de se estar atento aos sentimentos e de como se lida com eles no dia-a-dia.

Por Beatriz Breves, psicóloga

Não tem comparação

[fb_button]

É muito legal conhecer, admirar e acompanhar pessoas interessantes, inteligentes e bem-sucedidas. Mas deixa de ser algo positivo quando não fazemos isso para aprendermos com elas, e sim para compararmos a nossa vida e ficarmos pensando em como o nosso dia a dia é chato. Não importa se a vida de outra pessoa é cheia de aventuras, eventos legais e acontecimentos interessantes. O que importa é o que você quer da sua vida e o que está fazendo para conseguir aquele algo mais. A única comparação que faz você crescer e melhorar é comparar o seu hoje com o seu ontem e questionar se está evoluindo. É a partir daí que você percebe se está no caminho certo, se precisa mudar e tomar suas decisões. Comparar-se com os outros não resulta em nenhuma mudança para melhor e só serve para você se sentir insatisfeito e com baixa autoestima. Isso serve também para seu filho, filha, sobrinhos, enfim. Compará-los com alguém somente irá torná-los, no futuro, adultos sem amor próprio.

Ricardo de Andrade, psicólogo

Se é difícil, merece sua atenção?

[fb_button]

A vida é muito difícil, muito difícil… Oh! A Supervalorização do Difícil – I Tese

Na primeira quinzena de maio, ao abrir minha caixa de emails, qual não foi minha surpresa ao verificar uma mensagem da Sandra Veroneze, gestora de conteúdo do www.saber-se.com me convidando, ou melhor, me provocando, para contribuir com o site desenvolvendo uma reflexão sobre o tema “A supervalorização do difícil”.

Minha primeira reação foi, opa é fácil, fácil! Falar sobre o difícil? Moleza para mim! Comecei a esboçar um monte de coisas e, travei. Então, me pus a pensar, poxa, por que eu, logo eu, que não consigo ver dificuldades em nada ou quase nada, fui escolhida para falar sobre dificuldades? Está difícil!

O fato é que, por incrível que pareça, o fácil se tornou difícil… Tanto que o tema ficou cozinhando na minha cabeça até agora. Opa, ficou difícil? Ah! Então está bom, se é assim, se é difícil, então merece a minha atenção. Confesso que o processo não foi assim tão claro, direto e rápido, vejam que estamos em outubro, ou seja, cinco meses de ruminação e ainda estou na labuta. Será que agora sai? Vocês vão saber quando sair e, façam as contas das luas que se passaram.

Esta estória tem a ver com a minha estória que contarei na parte II deste texto! Mas estórias à parte…, comecei a perguntar para as pessoas sobre suas dificuldades ou facilidades e também a apurar minhas percepções sobre a dinâmica da vida e me pareceu que vivemos em um mundo onde as coisas que podem ser realizadas com facilidade, tranquilas e sem stress não têm valor. Para serem valorizadas, as coisas têm que ser realizadas com muito esforço. Percebe-se uma síndrome da potencialização da dificuldade. Tudo tem que ser difícil, suado, sacrificado. Faço uma pausa aqui para observar que tudo tem dois lados, que aqui chamarei de Tese e Antítese. Digamos que na tese, os aspectos da supervalorização do difícil se apresentam sob duas facetas, que chamaremos de Lado A e Lado B, já que tudo tem, no mínimo, dois lados.

No lado A estão aquelas pessoas onde tudo o que não é difícil realmente não tem graça. Se a conquista não teve um esforço hercúleo de realização, se não houve insistência e persistência para atingir, não tem valor. E isto se aplica a todas as áreas da vida: trabalho, relacionamentos, sonhos, etc… Já no lado B encontramos aquelas pessoas que se colocam como vítimas das dificuldades. Nada está bom para elas, nada dá certo, costumam se colocar como vítimas de si mesmas, do trabalho, da vida, das circunstâncias. Oh! A vida é muito difícil, o trabalho é sofrido, as dificuldades são enfatizadas. Até para ir a uma festa, curtir férias, ir ao cinema enfim, em tudo há dificuldades, ainda que façam algo prazeroso, fazem questão de mostrar ao outro que foi difícil. E, embora, realizem algo que parece difícil, com certa facilidade… fazem questão de enfatizar sua “dificuldade.”

Percebem que tanto para o Lado A quanto para o Lado B a coisa tem que ser difícil, dificílima, extremamente difícil, senão não tem valor? E, então em ambos os casos, cabe a sua supervalorização. Esta é a tese. Imagino que, se colocássemos indivíduos com essas características nos quadrantes do flow* poderíamos dizer que eles oscilariam entre a ansiedade e o tédio, não atingindo seu estado de fluxo, de satisfação com suas realizações, tal as dificuldades que se impõe. E, você, como se percebe diante desta reflexão? Supervaloriza o difícil? Se sim, que tal buscar mecanismos para tornar a vida mais leve? Buscar seu estado de flow e ter tempo para desfrutar as coisas boas da vida? Agora, se você, não se viu nestas condições, mas ainda assim, entende que valoriza o difícil que parece fácil, talvez você, assim como eu, se enquadre na antítese da supervalorização do difícil, mostrada na parte II desta estória!

*Flow – trata-se de um movimento que mobiliza desafios e habilidades de forma coordenada, que impulsiona as pessoas a se desenvolverem e sentirem satisfação no processo desenvolvido. (CSIKSZENTMIHALYI,1999).

 

Não sabendo que era impossível, foi lá e fez! A Supervalorização do Difícil – II Antítese

Eu, descobri, como vocês puderam ver pela minha dificuldade em dar início ao texto descrita na parte I, que sofro da Síndrome da Supervalorização do Difícil, só que não me enquadro na tese, por isto, apresento o outro lado dela – A Antítese. A tese é o lugar comum, onde se faz o fácil parecer difícil, onde, em todo caminho, há um obstáculo! A antítese é a busca pela realização do praticamente “impossível”, de fazer o difícil, como se fosse fácil. É quando os outros valorizam ou acham difícil aquilo que para você parece fácil, só que não! Esta é a minha história. Talvez por isto a dificuldade de escrever sobre a “Supervalorização do Difícil.”

A provocação de Sandra me remeteu aos tempos em que resolvi mais uma vez desencaixotar meu sonho de fazer mestrado. Aos olhos das poucas pessoas que comentei parecia difícil, na verdade, mais do que isto – acho que elas não queriam me dizer, mas achavam impossível! Começo então minha estória com a frase de Cocteau: “E, sem saber que era impossível, foi lá e fez”!

Este é o contraponto entre o fácil e o difícil! Já havia passado por outras experiências de realizar o que, aos olhos de alguns, era ‘loucura’ e, aos olhos de outros, ‘impossível.’ Só você para fazer isto – diziam! O mestrado foi mais uma das loucas experiências do “por não saber que era impossível, foi lá e fez.” E fez quase sem perceber o que estava fazendo. Foi assim… por querer muito, apenas pensava, só mais esta vez, e, um passo de cada vez! Da descoberta do Edital do Mestrado até o resultado final foi uma loucura de dificuldades fáceis sem tamanho! Do início do curso à banca de defesa a mesma coisa! Tudo começou quando, um dia, meio que sem querer, como coisa do destino, caiu em minhas mãos um Edital para um mestrado na minha área. Faltavam 15 dias para encerrar o prazo de apresentação do Projeto, resolvi encarar. Era difícil? Sim, bastante, mas não impossível, eu pensava! Os rituais e passos normais de conhecer o curso, os professores, ser conhecida, foram pulados, senão seria fácil. Assim, depois que identifiquei o Edital, passei para a etapa de elaborar o Projeto. E, a pergunta que fazia a mim mesma era… E se? E se o projeto for aprovado? Bom, se o projeto for aprovado… vou fazer as provas. E se você passar nas provas? Bom, se eu passar, vou para a arguição do projeto. Mas… E se você passar na arguição? E se eu passar? Bom se passar, vou sair de férias e, quando voltar resolvo isto. E assim foi, um passo de cada vez.

E aí, veio o resultado final. “Aprovado.” Hum… e agora? A saga do fácil/difícil/impossível continuou, expandiu… complicou aí o fácil ficou difícil de verdade, o desafio aumentou, aí ficou legal, teria sacrifício, seria heroína se concluísse, mostraria que a vida não é para os fracos. Por não saber que era impossível, foi lá e fez! Só que não! Precisava da liberação da empresa pois trabalhava 40 horas por semana em uma empresa privada! Até aí, beleza, consegui, só que teria que pagar as horas com trabalhos extras (10 horas por semana). Fácil, fácil, não sei como, mas, para a wonder woman, nada era impossível!

Aí as coisas começaram a ficar um pouco, hummm, digamos, complicadas… Oba! Eu morava em Goiânia (GO) e o curso era em São Carlos (SP). Teria que viajar cerca de 800 quilômetros toda semana, dependeria de ônibus e outros transportes, que não são precisos, nem confiáveis; o medo vinha e as dificuldades iam aparecendo. Um lado meu fazia a pergunta que não queria calar, como vai fazer para frequentar as aulas? O outro respondia: Desistir? Jamais, é fácil, vá lá e faça! Então, veio a etapa realmente difícil, mas prazerosa, dizia eu! Viajar 12 horas (uma noite inteira), de ônibus, chegar de manhã em São Carlos, tomar um banho, um café, assistir a oito horas de aula (um dia inteiro), sair da aula correndo às 18 horas, ir para a rodoviária, pegar o ônibus de volta às 19 horas, chegar em casa às 6h30min do dia seguinte, correr para casa, tomar um banho, café, entrar no trabalho às oito horas e trabalhar até as 18 horas. Duas noites mal dormidas em ônibus, aulas que exigiam atenção plena e trabalhos, leituras de textos, bláblá-blá, difícil! Fácil, fácil né? (Ah se fosse eu não teria feito, dizem alguns.)

Esta rotina durou 32 semanas, 64 viagens em um ano, no qual cumpri religiosamente com as obrigações do trabalho, as entregas do mestrado, tirei nota 10 em todas as disciplinas (nada mais que obrigação, pensava eu), entreguei a dissertação e defendi com louvor… Ah, mas só isso? Fácil. Quanto à antítese do difícil, às vezes, por modéstia, dizemos “não foi difícil”, mesmo que a exaustão nos tenha dominado, e este foi o meu caso, ou por não nos acharmos merecedores de tantas coisas boas ou algo assim, ou ainda, para não assumir ao outro que aquilo, pelo menos para mim, antes de ser o sacrifício que parecia ao outro, era um presente, uma dádiva e me fazia feliz. Não podia admitir assim, explicitamente, que fazer tal coisa me colocava, literalmente, em estado de flow (ponto onde a vida flui com prazer, onde o difícil fica fácil e prazeroso).

As consequências disso foi que depois que passei e ao longo da trajetória do curso descobri que minha busca não era normal, ou seja, pouca gente atravessa esse ponto de simples mortal, para aprendiz na academia, não dormindo, trabalhando, não é trabalhando, é trabalhando muito, pois no meu trabalho e no meio onde vivo isso era babaquice, mestrado, bah, bobagem mestrado, “só para aparecer”. Pois é, e assim se foram sete anos dessa estória, um ciclo e aí descubro que com a desculpa de gostar de desafios, sofro da síndrome da antítese da supervalorização do difícil, onde fazer sacrifícios exagerados parece fácil, onde admitir que é difícil é proibido.

Não que não mereça ser feito, nem que não mereça o sacrifício, apenas merece que admitamos, sim, é difícil! Estou em tratamento, seguindo em altos e baixos, tentando me vencer… um dia de cada vez! Tentando entender que sou merecedora do que vem fácil, mas ainda não convenci, nem me venci. Ao finalizar esta estória, tomo consciência de que atravessei mais um portal da academia, sou doutora, e segui a mesma toada, por mais quatro anos. Neste período muitas coisas mudaram na minha vida. O emprego, a cidade onde morava, as visões de mundo, os amigos. Mas a valorização do difícil, essa é só eu descuidar que vem e domina.

A provocação para você que leu estas reflexões é, em qual destes perfis você se viu? Se se encontrou em algum deles, lhe digo… Neste mundo de tempos líquidos, a vida escorre pelas mãos, escapa por entre os dedos, como a água que precisa seguir seu curso, por isto, procure se observar e se cuidar destes males do mundo moderno, o que é bom, pode vir fácil. Se veio fácil, é porque somos merecedores. Simples assim…

Cassia Corsatto, coaching executiva e empresarial

O que nos leva a supervalorizar nossas adversidades mais do elas merecem?

[fb_button]

Supervalorizar o que pensamos ser difícil nos torna um expectador de nossa vida, não um ator.

Não é raro vermos pessoas do nosso meio social, e até nós mesmos, supervalorizar uma ação ou atitude que devemos tomar e então não tomamos. O que nos leva a supervalorizar nossas adversidades mais do elas merecem?

O que nos deixa tão fragilizados diante de alguns obstáculos, que os enxergamos maiores do que realmente são? Que força poderosa nos invade, transformando algo que com investimento e foco conseguiremos enfrentar, mas na nossa cabeça colocamos como impossível?

Quando estamos a enfrentar uma ação complexa que exige muito de nós, o primeiro sentimento que pode ocorrer é o medo: medo de críticas, medo do fracasso.

Antônio Damásio (neurocientista português) conduziu pesquisas que ajudaram a desvendar a diferença entre emoções e sentimentos, e o papel deles no processo de tomada de decisões.

A emoção é um conjunto de todas as respostas motoras que o cérebro faz aparecer no corpo em resposta a algum evento. É um programa de movimentos como a aceleração ou desaceleração dos batimentos do coração, tensão ou relaxamento dos músculos e assim por diante. Existe um programa para o medo, um para a raiva, outro para a compaixão etc.

Já o sentimento é a forma como a mente vai interpretar todo esse conjunto de movimentos. Ele é a experiência mental daquilo tudo. Alguns sentimentos não têm a ver com a emoção, mas sempre têm a ver com os movimentos do corpo.

Ao enfrentar problemas, adversidades ou obstáculos em nossa vida, somos absorvidos por medo e sentimentos. O medo nos leva a experenciar situações desconfortáveis no nosso corpo, como náuseas, dor de cabeça, tremores, sudorese etc. E o sentimento nos leva a interpretar a adversidade de acordo com nossas vivências e não como realmente a situação se apresenta.

A supervalorização nos fornece a sensação de proteção. Se é tão difícil, posso não tentar e não ser criticado, e se eu tentar e fracassar, também não serei avaliado por isso porque a situação é muito difícil. O temor da crítica pode estar fundado em nossas crenças que influenciam nossos pensamentos, sentimentos e comportamentos.

Para a Terapia Cognitivo Comportamental, desde a infância as crianças desenvolvem ideias sobre si mesmas, sobre outras pessoas e o seu mundo. As suas crenças mais centrais ou nucleares são compreensões duradouras tão fundamentais e profundas que frequentemente não são articuladas nem para si. A pessoa considera suas ideias como verdades absolutas – é como as coisas “são”.

Dependendo da crença da pessoa, antes de avaliar a situação que a vida apresenta, já se posiciona verbalizando “isto é muito difícil”, “impossível de fazer”, porque o ambiente familiar/social reforça a crença da inoperância, da dificuldade, de obstáculos intransponíveis e principalmente a falta de persistência: “é difícil, deixa para lá, não é para mim”. E assim a vida passa e a pessoa vai perdendo oportunidades de conseguir o que deseja porque supervaloriza as situações e nem tenta fazer ou buscar o que sonha.

Por Maria do Carmo Chagas, psicóloga e pedagoga

Supervalorização do difícil: Inquietude ou estímulo?

[fb_button]

Por que será que supervalorizamos o que é mais difícil: uma inquietude humana ou um estímulo gerador de sentido para as nossas vidas?

Quem nunca ouviu alguém dizer que o que é alcançado após muito sacrifício tem mais valor? Vamos tentar entender o que está por trás desta crença.

Não há apenas um campo do conhecimento para ajudar na reflexão acerca do tema, mas o ponto de partida é que todos nós aprendemos desde muito cedo a estabelecer metas e desafios pessoais e a criar nosso “projeto de vida”, planejando o futuro. Mas é claro que essa busca deve representar algo, só assim não desistimos na primeira adversidade. Os desafios em situações difíceis e inesperadas como em grandes crises também servem de estímulo para a criatividade, possibilitando a superação e evolução humana.

Portanto, a ideia de que o que é mais difícil de alcançar tem mais valor é cultural e reforçada pela própria mídia em filmes, campanhas publicitárias. Perceba o quanto nos identificamos e nos emocionamos mais com pessoas que alcançam objetivos e, consequentemente, sucesso e notoriedade com seu próprio esforço, principalmente em histórias de superação. É como se nossa mente reproduzisse a crença de que só seremos merecedores de algo apenas após grandes sacrifícios. A própria origem da palavra “sacrifício” reforça tal crença, pois significa “maneira de tornar sagrado um ato”.

Por outro lado, cada conquista alcançada substituímos por outra e por outra e passamos a ser movidos não pelo nosso projeto de vida, mas a desejar coisas pouco relevantes para nossa felicidade apenas para nos parecermos com alguém ou comparamos nossas vidas com alguma história de sucesso como se houvesse apenas um modelo de felicidade.

Arrisco afirmar que supervalorizamos o que é mais difícil, pois são as situações de dificuldade que nos estimulam a nos superar e se desenvolver, ou seja, saímos modificados e mais fortes a cada situação, gerando sentido para nossas vidas, senão por que levantaríamos da cama todas as manhãs? Já desejar o que é inalcançável é o que pode gerar sofrimento/frustração!

O campo da Psicologia pode contribuir muito para o autoconhecimento e com isso auxiliar cada indivíduo a identificar o que lhe faz feliz, fazendo escolhas movidas menos pelas interferências da sociedade, respeitando seus desejos e limitações.

Por Regiane Vivone Caetano, psicóloga

“Façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço”

[fb_button]

“Façam o que eu digo, mas não façam o que eu faço.” Tem-se que a frase apareceu pela primeira vez nos escritos de John Selden, jurista e parlamentar do século XV. Dizem que esta frase surgiu para exemplificar o que a Igreja Católica fazia na Idade Média, quando pregava que seus fiéis não acumulassem bens e, no entanto, a própria Igreja construía catedrais exuberantes e seus padres e bispos viviam em fartura enquanto o povo morria de fome e doenças.

Quando pensamos em nosso mundo de mídias sociais podemos nos deparar com exemplos de pessoas perfeitas, com vidas perfeitas, expondo seus valores morais. Entretanto, quando aproximamos nossa visão da realidade percebemos as discordâncias entre os discursos radicais de “certo/errado” e as atitudes das pessoas. Atitudes são movimentos.

Segundo Stanley Keleman, anatomia é comportamento, nossas emoções e atitudes são padrões que fazem parte de nossos movimentos. Emoções e atitudes são aprendidas, se tornam hábitos e são padrões de movimento muitas vezes herdados que estabelecem a maneira como reconhecemos a nós mesmos, como criamos significados, damos formas a nossas perspectivas e ocupamos nossos lugares no mundo e nas relações. Cada um de nós está inserido em uma realidade histórica, governada por normas, valores particulares e sistemas políticos e econômicos únicos. Muitas vezes menosprezamos essa realidade, pensamos que é inevitável e imutável. Yuval Harari diz que nos esquecemos que nosso mundo foi criado por uma ordem acidental de eventos e que a história deu forma não apenas a nossas tecnologias, política e sociedade, mas também à forma como pensamos, aquilo que tememos e nossos sonhos. Raramente tentamos nos desamarrar e visualizar futuros alternativos daqueles traçados para nós por outros.

Porém, podemos abrir possibilidades para criarmos novas histórias e novos significados. Podemos aprender a sermos coerentes com nossos processos de vida e autênticos com nós mesmos, integrando nossos movimentos. Stanley Keleman aponta que, ao escolher não fazer o que nos dizem ser o certo, perdemos um sentimento de segurança, muitas vezes o respeito da comunidade em que estamos inseridos, pois não estamos de acordo com as normas pré-estabelecidas. Entretanto, ganhamos outro tipo de respeito, estabelecemos em nós mesmos o sentimento de uma atitude autêntica, uma vida autêntica. E, segundo o autor, o sentimento de uma atitude autêntica, por mais curto que seja, é bem melhor do que uma vida cheia de tédio.

Talvez, um dos primeiros movimentos em busca da autenticidade seja questionar. O questionamento das regras “naturais”, dos “líderes”, daquilo que “sempre foi assim”, dos discursos que separam pessoas. O questionamento das incoerências, daquilo que se prega, entretanto, não se faz. Como diria Alfred Adler: “Confie apenas no movimento. A vida acontece no nível dos eventos, não das palavras. Confie no movimento.”

Daniela de Oliveira, psicóloga