O poder do exemplo

[fb_button]

Vamos iniciar entendendo primeiramente o verdadeiro significado da palavra “exemplo” e então saberemos o seu real poder.

Exemplo: Segundo o dicionário, a palavra exemplo é tudo que pode ou deve ser imitado; modelo que deve vir dos mais sábios.

Nos dias atuais a rotina do trabalho e a tecnologia oferecida aos nossos filhos têm afastado as possibilidades de diálogos que antigamente eram consideradas naturais, tais como jantar em família, histórias do dia e até as discussões e divergências entre ideias. Então, educar passou a ser de responsabilidade das escolas e professores onde antes havia apenas a obrigação da escolaridade.

Mas engana-se quem pensa que, embora sem diálogos constantes, nossos filhos deixaram de nos olhar como exemplos de cidadãos e chefes de família. Nossa conduta referente a valores e ética se tornaram ainda mais importantes e devemos ser exemplo, pois através dessa postura transmitimos conhecimento e compartilhamos experiências.

Temos assim o poder em nossos atos que são minuciosamente analisados e absorvidos como exemplos reais de postura perante a sociedade e dentro da própria família. Devemos nos policiar e mesmo que haja o costume do diálogo o poder do exemplo não pode ser descartado e sim considerado como um desafio, uma missão para que nossos filhos e jovens cresçam com valores que jamais serão corrompidos.

Ser ou dar exemplos realmente não é fácil, mas podemos iniciar com situações que fazem parte da rotina dos nossos dias e do modo de ser. Inspirar todos a nossa volta, não tentar mudar ninguém, mas ser exemplo para futuramente fazer a diferença, é o grande mote.

Daniela F.N. Depolli, psicóloga

O exemplo é tão ou mais importante que a orientação

[fb_button]

“Podemos aprender um novo comportamento de diversas maneiras. Quando alguém nos orienta a fazer algo por meio de uma instrução verbal está nos indicando uma regra, descrevendo como agir para atingirmos determinado objetivo. Além dessa forma, também aprendemos por modelação, ou seja, imitando o comportamento de outra pessoa. Nesse sentido, é bastante importante que aquele que está ensinando algo fique atento à própria postura, tendo em vista que a sua ação também servirá de base para o comportamento daquele que está em processo de aprendizagem. Não basta apontar o que é certo ou errado, o que fazer e o que não fazer; é ainda mais valioso demonstrar ações coerentes a essas afirmações e oferecer condições que realmente propiciem oportunidades para a emissão das atitudes esperadas.

Para que os pais estimulem uma alimentação saudável aos seus filhos, por exemplo, é importante que não apenam digam qual a dieta adequada, mas também sigam esse mesmo tipo de cardápio e ofereçam opções de alimentos nas refeições que estejam de acordo com o que pretendem incentivar. Um estilo de vida em que os pais ou responsáveis compram e comem principalmente alimentos industrializados, com alto teor de gordura, fazem as refeições em horários variados, não se reúnem durante as refeições e não acompanham a alimentação dos filhos dificilmente favorecerá o aprendizado de comportamentos alimentares saudáveis. Não se trata de ser perfeito, é natural que se cometa erros, mas é igualmente relevante que se atente aos mesmos, uma vez que o exemplo é tão ou mais importante do que a orientação. Vivemos em uma sociedade que valoriza o trabalho, o corpo ideal e um ritmo de vida bastante acelerado. Tal contexto tem adoecido física e emocionalmente. Diante disso, vale a reflexão: “Que exemplo estamos oferecendo para as próximas gerações?” e o compromisso de começar a mudança por nós, disponibilizando o exemplo de uma vida que respeite o tempo e a singularidade de cada ser e de cada momento.”

Roberta Seles da Costa, psicóloga

Viva a sua tristeza para que seja leve e não perdure

[fb_button]

 

Vivemos banhados por um caldo emocional que alimenta e envolve todo o nosso corpo. Mal percebemos que as emoções nos conduzem, nos ajudam a tomar decisões, a ter vontade de seguir ou parar, rir ou chorar, amar ou odiar.

Algumas dessas emoções são claramente expressadas e aprovadas culturalmente porque denotam aparente sucesso, ausência de problemas, um ser autoconfiante e portador daquela autoestima tão acalentada em milhares de consultórios psicológicos.

De ilusão também se vive, porém não por muito tempo. E, quando percebemos que estamos perdendo ou nunca tivemos o bem que imaginávamos possuir, o castelo de areia se desmorona, o boneco de neve derrete e o corpo perde sua vitalidade. Chega o pranto, a tristeza, talvez transformada em choro, porque nem todos sabem chorar sua perda, qualquer que seja ela. Pois tristeza é expressão de entrega por algo que se desabou em nós. Jogamos a toalha.

Que bom, digo eu! Feliz aquele que pode viver sua tristeza sem culpa ou medo. E entregar-se ao momento de isolamento, de silêncio, de pesar e de poder pensar. Não é possível transformar uma dor sem vivê-la e esgotá-la. É nesse esvaziamento que podemos transformar uma experiência traumática em vivência amadurecida. E nos preenchermos novamente.

Há ainda a opção de calar lá no abismo do nosso interior essa dor, fingir um sorriso parco e seguir claudicante. Algum tempo se passará, não sem chegar a cobrança da queda que arrebata e tira qualquer resquício de energia que possa manter uma pessoa em pé: a depressão que vem com suas cobranças bem mais atrozes e difíceis de serem superadas.

Regina de Oliveira Fernandes, psicóloga

Sobre a importância da tristeza

[fb_button]

 

O mundo moderno exige padrões de comportamento que passam a ser normativos e que deixam de lado o sujeito e sua experiência. Não importa o que ou como sentir singularmente. O importante se torna como reagir levando em conta critério de eficiência dado por um outro, que é exterior à experiência do sujeito. Ouve-se regramentos, exigências quanto ao corpo, à produtividade, aos gostos, às posições políticas, e também sobre os afetos.

Hoje em dia é quase (im)possível ser triste, estar triste. Tristeza é um afeto que transmite a maneira como um sujeito expressa que perdeu algo importante para si. Perder faz parte da vida, da mesma forma que ver-se privado de algo desejado. Quando algo importante é perdido leva consigo o investimento que a pessoa fez nesse objeto, objeto que pode ser uma outra pessoa, um trabalho, um ideal, enfim, qualquer objeto que contém o amor investido. Assim, é esperado, por exemplo, que quando se perde uma oportunidade de trabalho ou o namorado, que haja tristeza. Só assim o sujeito vai passar a considerar o porquê este trabalho ou pessoa era tão importante, quais os atributos, as características que o interessavam e assim poder procurar outro trabalho ou outro namorado, ou seja, fazer uma nova escolha. A possibilidade de uma nova escolha pressupõe o reconhecimento da perda e a tristeza decorrente disso.

Por isso, tristeza não se confunde com depressão, apesar de haver tristeza na depressão. Tristeza é um afeto adequado frente à perda e um balizador da capacidade da pessoa de passar por uma situação de tristeza e ir em busca de outras saídas, de um novo objeto. Aí entra o tempo. Para tudo que é investimento é necessário um tempo: tempo de conhecer, tempo de sentir, de se entristecer, tempo de avaliar. Assim vai sendo construído um processo que implica o sujeito naquilo que ele está investindo, no objeto de seu amor. Neste ponto se separa o que é da ordem do desejo e a imposição de um padrão de reação. Cada um tem um tem sua forma de ser, de reagir, e tem seu tempo frente a novas escolhas.

Tristeza não é doença. É um afeto que permite uma avaliação do que foi perdido sem recriminações, idealizações e imperativos como “assim devia ser”, “o que mais teria de ser feito para não perder”, chegando ao incremento de culpabilidade, de exigência, de rigor para consigo mesmo que impede novas escolhas. Tristeza é também uma forma de se conhecer e encontrar saídas, como de forma tão brilhante retrata o filme Divertida Mente.

Bárbara Conte, psicóloga

Tristeza: a difícil dor de sentir

[fb_button]

 

Viver as emoções é uma tarefa árdua para todo ser humano, pelas falhas que acontecem durante o desenvolvimento mental. Para que o sujeito possa vivê-las necessita de um intenso trabalho prévio de integração das emoções possíveis de serem administradas, contidas e assimiladas. As doenças psicossomáticas constituem um exemplo onde o corpo é via de descarga do sintoma psíquico.

Os modos de viver da cultura contemporânea, onde o Ser vem perdendo espaço para o Ter, estão marcados por prejuízos na capacidade imaginativa. O que prevalece é um vazio existencial acompanhado de ansiedade, impulsividade e comportamentos extremos de dependência do olhar do outro.

As pessoas tentam evitar as emoções que causam sofrimento. Sentir dói. A tristeza, muitas vezes, é confundida com os estados depressivos, levando à utilização de medicamentos para amenizá-la.

A tristeza é considerada um estado afetivo normal de todo ser humano caracterizado por sentimento de insatisfação, assim como também o são a raiva e o medo. Já nos estados de depressão maior, segundo o DSM-V, devem existir cinco ou seis sintomas, persistindo durante duas semanas e causando sofrimento: humor deprimido, falta de prazer (anedonia), insônia ou hipersonia e outros.

Estudos recentes nos mostram que a depressão sem qualificação afetiva, ou alexitimia, é um estado depressivo, apático, não percebido pelo sujeito, com muito sofrimento psíquico, e está ligado ao apagamento total da dinâmica mental. Está na base de muitas doenças.

Frente à prevenção da saúde mental, além de buscar atividades criativas que dão prazer, é importante lembrar o que Freud (1917) pontuou: “Volte seus olhos para dentro, contemple suas próprias profundezas, aprenda primeiro a conhecer-se! Então, compreenderá por que está destinado a ficar doente e, talvez, evite adoecer no futuro(FREUD, 1917-19,p.152)

Eliane Tonello – Psicóloga e Escritora

Quando nos damos conta, estamos nos sentindo entediados

[fb_button]

Vivemos num mundo de tantos estímulos, informações, coisas a fazer, numa grande correria, com a impressão de que “o tempo voa”. Nesse emaranhado de coisas algumas vezes não podemos fazer o que queremos, ou temos de fazer o que não queremos ou mesmo não temos o que fazer (como isso pode ser possível?). Quando nos damos conta, estamos nos sentindo entediados, causando uma sensação de estranhamento. Muitas vezes não se é capaz de apontar razão ou causa. Simplesmente vem…
“Um dia, a monotonia tomou conta de mim. É o tédio cortando os meus programas, esperando o meu fim. Sentado no meu quarto o tempo voa. Lá fora a vida passa e eu aqui à toa. Eu já tentei de tudo, mas não tenho remédio pra livra-me desse tédio”. (Biquini Cavadão).

A música Tédio, do Biquini Cavadão, me parece retratar bem esse momento de aparente inércia, produzido temporariamente. Alguns pesquisadores dizem que o tédio faz parte do contexto do mundo, desde a Idade Média, onde “não ter o que fazer” era sinal de status. Tenho a impressão de que, atualmente, estar entediado não é sinal de status, ao contrário, desperta certa culpa em vista de tantos recursos que estão a nosso alcance, como celulares, tablets, televisão etc.
O filósofo Lars Svendsen, em seu livro Filosofia do Tédio, fala “que o tédio é a falta de significado pessoal”. Deparamo-nos com o vazio, como se o tudo virasse nada. Esse vazio ativa emoções desagradáveis, gerando desconforto, desprazer, insatisfação. O que está acontecendo? Quem sou eu? O que desejo? Encaramos nossa realidade interna, nos inquietamos. O tédio pode ser tão inquietante que alguns preferem tentar se esquivar ou evitar tentando preencher todo tempo disponível; outros não conseguem sair desse estado, que pode levar até à morte.
E existe o lado bom do tédio? Acredito que sim. Erika Christakis, educadora e pesquisadora da infância, defende que o “tédio é amigo da imaginação”. O tédio pode despertar o desejo de buscar algo novo, algo que desperte o interesse. A necessidade de buscar algo parte do vazio, da insatisfação. É preciso criar possibilidades para novamente encontrar um significado. Criar, inovar. Contudo, mesmo o novo também pode virar rotina e entediar. E assim vai, num ciclo sem fim(?).
Dione Marschner Miron, psicóloga

O tédio nosso de cada dia. Leia mais

Tédio…

[fb_button]

Escolhi um trecho do livro Desassossego, de Fernando Pessoa, para darmos início ao bate-papo sobre o “Tédio”.
É uma vontade de não querer ter pensamento, um desejo de nunca ter sido nada, um desespero consciente de todas as células do corpo e da alma. É o sentimento súbito de se estar enclausurado na cela infinita. Para onde pensar em fugir, se só a cela é tudo?”
Pensando assim, a cela pode ser algo ruim. Bem, então vamos separar nossos sentimentos e conhecer o nosso ser, adentrar a cela.
Como seres humanos em constante evolução e transformação, vamos experenciando as mudanças advindas de nossos mundos interno e externo. Nesta troca de experiências, há processos que, devido à época, ao momento, à cultura, à sociedade, entre outros, os requisitos do meio ambiente, interferem em nossas escolhas e vontades, direcionam o nosso desejo e as nossas buscas e por isso atropelamos o tempo… Tempo este que é igual para todos, porém percebido de formas diferentes por cada um, nascendo assim a ansiedade e a angústia de ter que lidar com controles, para se ter mais tempo, para fazer muitas coisas, trabalhar muito mais, adquirir bens, ganhar dinheiro, passando-se a acreditar que isto é normal, bom e saudável, esquecendo-se de si mesmo, sem ter tempo para fazer nada, esquecendo-se do ócio.
Essa rejeição de estar consigo mesmo nos faz ir à busca do preenchimento do tempo, então nos distanciamos do vazio interior, natural e saudável, para um bate-papo íntimo, uma tomada de consciência de si, do corpo e da alma.
Porém, quando de repente o tempo interno inicia a cobrança de um momento de reflexão, por não saber parar, nasce o tédio, algo que vem de dentro e tira a vontade, o desejo, o prazer, atirando a pessoa num vazio profundo e escuro, com o qual não se sabe lidar, pois sempre se fugiu deste contato com o self. Nasce então a angústia e ansiedade pelo desejo de controlar o tempo; nasce a depressão e tantas outras doenças.
O tédio, enquanto desesperança, falta de identidade, vazio por falta de preenchimento do tempo pode ser considerado não saudável, condição muito presente na atualidade.
O tempo livre para estar consigo mesmo, para reflexão, para lazer, para nada é saudável, não é tédio, é necessidade. Condição está muito esquecida, deixada de lado na atualidade.
Ana Maria Canzonieri, psicóloga

O tédio nosso de cada dia. Leia mais.

 

 

Para onde foi aquele vazio existencial?

[fb_button]

“Sentado no meu quarto / O tempo voa / Lá fora a vida passa / E eu aqui à toa / Eu já tentei de tudo / Mas não tenho remédio / Pra livrar-me deste tédio”… A geração anos 80, como eu, com certeza lembra da música “Tédio” do grupo Biquíni Cavadão, que fez muito sucesso em meados dos anos 80. Naquela época todos nós sabíamos o que era tédio, sem computador, sem internet, sem celular… Espera aí, então o que fazíamos? Simplesmente tínhamos mais tempo para pensar em nós, na nossa vida e muitas vezes sentíamos o famoso vazio existencial, com sensação de desgosto, sem uma causa objetiva clara que chamamos de tédio.
Passado mais de 30 anos, hoje sentimos o tédio de forma diferente. Ele passa quase despercebido porque não temos mais tempo, nossa vida está 100% preenchida com trabalho, estudo, redes sociais, relacionamentos, viagens. Às vezes sobra um tempinho para a família…etc., mas a gente se pergunta, para onde foi aquele vazio existencial? Será que de uma forma ou de outra ele foi preenchido? O pior é que na maior parte das vezes nem chega perto de ser preenchido e ficamos afastados de nós mesmos até por semanas, anos e décadas, até que, cedo ou tarde, nos encontrarmos com o espelho, não de uma forma superficial, mas além do físico, sem maquiagem ou máscaras, e descobrirmos uma pessoa totalmente desconhecida para nós. Daí a sensação de vazio vai ultrapassar as barreiras do tédio e pode nos levar a um buraco sem fundo, que pode ser fatal…
Por que o desconhecido nos assusta tanto? E o que nos assusta mais, o fracasso ou o sucesso? Quando conseguirmos responder essas perguntas não haverá mais tédio em nossas vidas…
Haidy Segovia, psicóloga

O tédio nosso de cada dia. Leia mais

 

 

Tédio na sociedade pós industrial

[fb_button]

Os dicionários da língua portuguesa apresentam parecidos conceitos em torno deste termo, enfocado de forma filosófica e psicológica, já que trata-se de um sentimento ou estado estudado por ambas as disciplinas. Neles encontram-se explicações como desgosto profundo que provoca desinteresse por tudo; mal-estar causado por algo que aborrece, enfado; sensação de vazio; sensação de desprazer, depressão, um tipo de tristeza, falta de projetos etc… Para fins de trilhar o caminho do termo tédio, pode-se alargar seu conceito, usando os mesmos dicionários, com outra palavra – o ócio. Essa complementariedade que significa folgar, repousar, preguiça, não estar em ação, não trabalhar, não servir para nada…

 

Sociedade Pós Industrial

Situando o mundo ocidental, com as mudanças ocorridas no pós guerra, pela industrialização, como a valorização do trabalho, do mercado e da competitividade, o sentimento de tédio ou vazio vem se aprofundando, especialmente acompanhando o trabalhar apenas pelo salário, sem amor, o excesso de trabalho, a periculosidade na vida e no trabalho, a competitividade, a aposentadoria, o desemprego, a solidão, a separação, a velhice, as doenças, a perda de sentido de vida e muitas outras situações que ocorrem nesta era moderna….
Viktor Frankl (1905-1997), discípulo de Freud, preso em campo de concentração na 2ª Guerra Mundial, criador da Logoterapia (terapia do sentido de vida) trata especificamente deste problema tão humano, o tédio, ao qual ele denomina “vazio existencial”, ou doença típica do século XX. Propõe, então, uma “análise/terapia existencial”, ou uma “redireção da alma” para um sentido significativo pessoal. Segundo Frankl, o que importa é modificar a atitude, rumo a valores mais altos, mesmo ante destinos inexoráveis, que carregam grandes sofrimentos. Considera que o sofrimento é indispensável para que o homem encontre seu sentido. O desespero surge quando o sofrimento permanece sem sentido… Vê sentido em viver algo, para algo, em amar, realizar valores criativos ou vivenciais, enfim, “na transcendência de si mesmo, que constitui a essência da existência humana.”

 

Ócio Criativo

Na complementaridade do tédio encontra-se o ócio e o ócio criativo. O filósofo e sociólogo Domenico de Masi (1938), filósofo e sociólogo italiano, entre outros temas ligados ao trabalho na sociedade pós industrial, dá relevo ao ócio criativo e ao tempo livre. Dá ênfase à valorização e enriquecimento do tempo livre. De certa forma propõe que o ócio criativo não significa preguiça ou desinteresse, mas um estado de graça, comum a várias atividades intelectuais, que se hibridam e se confundem dando origem ao ato e ao produto criativo. Seria a valorização e o enriquecimento do tempo livre, numa distribuição consciente do grande valor-tempo, nas “necessidades básicas” que são introspecção (pensar-se, saber-se), convívio social, amizades, amor, execução de atividades lúdicas, etc… Constata-se que ele aproxima seu pensamento ao de Frankl, apontando as mesmas saídas para o tédio e o ócio.
Desta forma se encerra essas considerações com o psiquiatra Viktor Frankl (1984) quando propõe terapeuticamente:
“O que o homem tem que fazer não é interrogar, mas ser interrogado pela vida e à vida responder” criando um sentido para viver….
Então surge outra interrogação também reflexiva: Para  prevenir e ou  combater a doença da modernidade, o tédio, qual é o ócio criativo ou resposta à vida, habitual, que você utiliza ou pode utilizar?

Ida Maria Mello Schivitz, psicóloga

O tédio nosso de cada dia. Leia mais

 

 

Nem tudo está perdido

[fb_button]

No instante em que o homem se reconhece como ser humano, o mesmo vem aprendendo a lidar com seus sentimentos. Existem sentimentos que fazem parte quase que diariamente da vida de uma pessoa, e que a mesma não os percebe por estar definitivamente mergulhada neles. Um deles é o tédio. Ele é um estado naturalmente impulsivo. Para muitos o tédio pode refletir algo negativo, e de fato o tédio vivido de maneira exacerbada pode ser um caminho para a depressão, pois ele desperta a ideia de um mundo nada estimulante. Ele pode se manifestar por falta de motivação intelectual ou até mesmo por estímulos físicos. Ele aparece quando não temos estímulos e piora quando focamos nele. Algumas pessoas por consequência acabam se entregando às drogas, na tentativa de preencher este tédio.
Mas nem tudo está perdido. É na existência deste sentimento que o ser humano pode despertar algo de positivo, a criatividade. Sim, o tédio está relacionado com a criatividade, ele encoraja a criatividade. Tal criatividade fez com que o homem buscasse novos horizontes, novas ideias e novas conquistas. Ele tem a capacidade de fazer com que a pessoa busque novas formas de fazer a mesma coisa. Como por exemplo, se alguém anda pela mesma rua ou pela mesma calçada sempre, deve experimentar caminhar por ruas diferentes e/ou calçadas diferentes.
De acordo com uma pesquisa realizada na Universidade de Michigan, o fato é que, quando estamos entediados, as áreas do cérebro ligadas à autoestima, visão e linguagem se desconectam, tirando o foco e fazendo a pessoa realizar comportamentos sem pensar. O tédio funciona como um indicador de que algo não anda como deveria; por isso, serve como um impulsionador para buscar por uma atividade.
Vivemos um mundo bastante acelerado e cheio de informações. Haveria então espaço para o tédio? A pessoa pode ficar entediada mesmo buscando novas experiências ou aprendizados. Uma vida estável não garante emoção.
O tédio, pelo incrível que pareça, existe para dar coragem, para mudar a rotina e o comportamento das pessoas. Porém, é preciso manter um equilíbrio para que a vida não seja inteiramente um tédio.

Daniel Sá, psicólogo

O tédio nosso de cada dia. Leia mais